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Soja tem quinto mês de queda entre matérias-primas do biodiesel

Conforme caminhamos para o período mais agudo da entressafra, a participação da soja no mix da indústria cai e abre espaço para outras matérias-primas.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
A medida em que caminhamos para o período mais agudo da entressafra de soja no Brasil, a participação desta oleaginosa na matriz de matérias-primas usada pela indústria de biodiesel vai caindo. A informação foi publicada pela ANP dentre os dados do mercado para o mês de agosto.

A medida em que caminhamos para o período mais agudo da entressafra de soja no Brasil, a participação desta oleaginosa na matriz de matérias-primas usada pela indústria de biodiesel vai caindo. A informação foi publicada pela ANP dentre os dados do mercado para o mês de agosto.

Segundo o relatório, 76,2% do biodiesel fabricado no período foi feito a partir de óleo de soja. Esse é o quinto mês seguido de queda desde abril quando o percentual para este óleo atingiu o pico no ano com uma fática equivalente a 81,2%. Em agosto do ano passado, a participação da soja era de 77,6%

Em termos absolutos, 249,5 milhões de litros de biodiesel foram feitos com óleo de soja. Considerando que o documento da ANP reporta uma produção pouco menos que 327,2 milhões de litros de biodiesel no mês de agosto, um valor ligeiramente acima dos 326,1 milhões de litros que a ANP havia declarado no final de setembro.

Convertido em óleo, esse volume de biodiesel corresponde a 227,5 mil toneladas. Ou o equivalente a 1,2 milhão de toneladas de soja em grão. Ao longo desse ano, as usinas já absorveram o equivalente em óleo a 9,4 milhão de toneladas de soja.

Crescimento

Com um pouco mais de espaço em aberto, praticamente todas as demais matérias-primas avançaram em suas participações.

O sebo bovino recuperou um pouco do espaço que perdeu no mês passado e fechou agosto com 15,3% do mercado ou 50,2 milhões de litros fabricados. O grande destaque foi o Sudeste, onde o sebo representou pouco mais da metade – 55,4% – do biodiesel fabricado no mês.

Esse, contudo, não está sendo o melhor ano para a segunda matéria-prima do biodiesel brasileiro. Sua participação no mercado até agora é de 16% com uma produção de 406,2 milhões de litros. Até agosto de 2015, o sebo corresponde a 18,2% do mercado e 464,4 milhões de litros.

O grande destaque continua sendo a categoria “outros materiais graxos” que, pelo segundo mês seguido, bateu seu recorde de participação do mercado. Foram 17,2 milhões de litros fabricados ou 5,2% do mercado total, um avanço de quase meio ponto percentual sobre o resultado anterior.

Entre as usinas da Região Norte, essa classe de insumos ficou com 66,9% do mercado.

Um total de 72 milhões de litros de biodiesel já foram produzidos a partir dessa matéria-prima.

Além dessas, outras duas fontes – o óleo de fritura e a gordura de porco e o óleo de cozinha usado – ultrapassaram a marca de 1% de mercado. A primeira delas teve 1,2% com 3,8 milhões de litros e a segunda 1% e 3,4 milhões de litros.

Também tivemos uma estreia. Pela primeira vez desde que a ANP começou a computar o uso de óleos e gorduras pelas usinas brasileiras o óleo de milho apareceu. Não foi uma estreia das mais chamativas. Apenas 0,02% do total do mês, ou 65 mil litros de biodiesel.

Queda com recorde

De todos insumos usados pelo setor, a única queda foi do óleo de palma que foi de 0,09% em julho para apenas 0,01% agora. Foram apenas 33 mil litros fabricados. Nos primeiros meses do ano, o uso de palma na produção de biodiesel mostrou força, com uma participação que chegou perto de 1,5% em fevereiro. A partir de maio, no entanto, a participação deste óleo vegetal voltou a se retrair para a segunda casa depois da virgula.

Ainda assim, em 2016 já é o melhor ano para a palma. Não só ela vem se mantendo nas estatísticas do setor desde janeiro – nos outros anos ela apareceu por apenas poucos meses – como, no acumulado do ano, ele já tem 0,5% do mercado ou 12,2 milhões de litros. Superando seu recorde anterior, de 2013, quando teve 9,5 milhões de litros.

Em agosto as usinas de biodiesel tiveram 9 matérias-primas listadas pela ANP. Descontado o óleo de soja e o sebo, 8,4% do biodiesel fabricado – 27,5 milhões de litros – foi feito a partir de fontes menos convencionais.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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