Percentual de soja no mix de matérias-primas da indústria tem segundo pior desempenho da história. Consumo de óleo de soja pelas usinas bate recorde
A participação e o consumo de soja pelo setor de biodiesel caminharam em direções diametralmente opostas no mês de outubro. É o que mostram dados sobre o mix de óleos e gorduras que foram usadas como matérias-primas pelas usinas ao longo do mês de outubro.
A participação e o consumo de soja pelo setor de biodiesel caminharam em direções diametralmente opostas no mês de outubro. É o que mostram dados sobre o mix de óleos e gorduras que foram usadas como matérias-primas pelas usinas ao longo do mês de outubro.
Por um lado, o percentual de soja no mix de matérias-primas da indústria recuou para apenas 65,5%. Trata-se da segunda menor fatia ocupada pela oleaginosa nas contas mensais da indústria, perdendo apenas para os 64,8% registrados em janeiro de 2017.
A participação da soja já vem em queda desde julho quando o grão teve seu maior desempenho na produção de biodiesel com 73,1% do mercado. A parcela vem recuando de forma consistente desde então, e perdeu mais 1,18 ponto percentual em apenas um mês.
Se continuar na mesma toada, a parcela do total de biodiesel fabricado a partir do óleo de soja deve fechar este ano abaixo de 70% pela primeira vez desde que a ANP começou a medir o uso de matérias-primas pelo setor.
Contramão
Embora a participação relativa da soja esteja caindo, em termos de consumo bruto, as usinas vêm demandando volumes cada vez maiores.
Em outubro, 348,2 mil toneladas de óleo de soja foram utilizadas para fabricar o equivalente a 381,8 milhões de litros de biodiesel.
Esse volume de óleo de soja equivale ao esmagamento de 1,83 milhão de toneladas do grão.
Este foi o segundo mês seguido no qual a demanda por soja das usinas fecha com recorde. Em setembro, cerca de 339,7 mil toneladas do óleo produzido a partir do processamento do grão viraram biodiesel. Sendo que o terceiro mês no histórico – 330,4 mil toneladas – foi julho deste ano.
No somatório do ano, mais de 3,05 milhões de toneladas de óleo de soja tiveram a produção de biodiesel como destino final. Já são mais de 16 milhões de toneladas do grão esmagados para atender à demanda das usinas. Mesmo faltando dois meses para encerrar as contas de 2019, esse já é o segundo maior consumo anual de soja anual pelo segmento. O recorde pertence ao ano passado quando mais de 17,9 milhões de toneladas foram esmagados para atender às usinas.
Segundo estimativas da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) o país deverá moer um total de 42,9 milhões de toneladas de soja em grão em 2019, gerando 8,6 milhões de toneladas de óleo.
Sebo
O espaço perdido pela soja foi ocupado pelo sebo bovino que ficou com 13,6% do mercado. O coproduto da indústria pecuária nacional foi a única, dentre todas as matérias-primas consolidadas, a aumentar sua participação em outubro, retomando a vice-liderança do ranking depois de três meses de predomínio das ‘desconhecidas’.
A produção de biodiesel de sebo beirou os 79,6 milhões de litros. E a terceira maior produção a partir dessa fonte de gorduras da história do setor. Ela perde somente para os meses de outubro e novembro de 2015 quando o sebo teve participação de mercado de, respectivamente, 24,8% e 23,3%.
Na terceira colocação, temos as matérias-primas desconhecidas que ficaram praticamente estáveis em 12,6% do mercado de biodiesel. O aumento na produção das usinas, no entanto, garantiu que o mês passado fechasse com um recorde de produção.
Segundo a ANP mais de 73,8 milhões de litros foram declarados pelas usinas como tendo sido fabricados a partir de ‘outros materiais graxos’, sem maior detalhamento.
No ano como um todo, as desconhecidas ainda superaram o sebo bovino como segunda matéria-prima mais importante para o biodiesel brasileiro. Com a primeira foram feitos 582,4 milhões de litros de biocombustível, enquanto o segundo está em 568,1 milhões de litros.
Minoritárias
As matérias-primas minoritárias ficaram com uma fatia de 8,1% do mercado representando 47,4 milhões de litros de biodiesel.
Com quase 2,2% do mercado, o óleo de caroço de algodão foi o grande destaque do mês para o grupo. Este foi o terceiro mês consecutivo em que a parcela desta matéria-prima – que já foi a terceira mais importante para o setor – se mantêm acima do barreia de um ponto percentual.
O óleo de milho também apresentou um resultado positivo e chegou a inéditos 0,45%. O salto é significativo se levarmos em conta que, até hoje, o melhor desempenho do óleo de milho havia sido de 0,18% em fevereiro de 2018.
Foram 2,6 milhões de litros de biodiesel fabricados a partir do segundo grão mais plantado no Brasil. Segundo a Conab, este ano a produção brasileira de milho deve passar das 100 milhões de toneladas.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com