Participação do óleo de soja avança três pontos percentuais em abril
A participação da soja aumento mais de três pontos percentuais no míx de matérias-primas da indústria de biodiesel entre os meses de março e abril.
BiodieselBR.com ··4 min de leitura
Texto
Dos 324,5 milhões de litros de biodiesel fabricados em abril, cerca de 251,7 milhões de litros foram produzidos a partir do óleo de soja. O dado consta da edição mais recente do Boletim Mensal do Biodiesel que foi publicado no final da manhã de hoje (10) pela ANP. Essa é a maior participação no mix de matérias-primas da indústria de biodiesel no ano de 2015.
Dos 324,5 milhões de litros de biodiesel fabricados em abril, cerca de 251,7 milhões de litros foram produzidos a partir do óleo de soja. O dado consta da edição mais recente do Boletim Mensal do Biodiesel que foi publicado no final da manhã de hoje (10) pela ANP. Essa é a maior participação no mix de matérias-primas da indústria de biodiesel no ano de 2015.
O volume representa aproximadamente 77,6% do mix de matérias-primas consumidas pelo setor no mês – alta pouco maior do que três pontos percentuais sobre o valor apurado para o mês de março. Essa é a maior participação para a oleaginosa em dez meses.
A última vez em a participação mensal do óleo de soja ultrapassou essa barreira foi em junho de 2014, quando desta matéria-prima ficou com uma fatia equivalente a 80,3% do total.
Ano
Até onde o mercado é capaz de dizer com segurança, este ano mais de 923,9 milhões de litros de óleo de soja foram destinados à produção de biodiesel. Isso equivale a 75,6% contabilizado nos Boletins da ANP, cerca de 2,5 pontos percentuais acima do que registrado no mesmo período de 2014 – quando a soja tinha 73,2% do mercado.
Considerado o volume de produção dos Boletins, as usinas brasileiras absorveram um volume de óleo equivalente ao esmagamento de 4,4 milhões de toneladas de soja em grão.
Embora a soja seja a matéria-prima dominante em três regiões brasileiras, as usinas do Centro-Oeste são – de longe – as mais dependentes desta oleaginosa. Nada menos que 90,5% do biodiesel fabricado na região tiveram a soja como matéria-prima.
Perdedores
Por seu lado, o sebo bovino – tradicionalmente a 2ª matéria-prima mais importante da indústria – perdeu mercado ficando com 18% do mix contra 21,5% em março. Cerca de 58,5 milhões de litros de biodiesel foram fabricados a partir da gordura bovina. Juntando nisso a gordura de porco e de frango – com, respectivamente, 0,66% e 0,03% do mercado –, praticamente 60,7 milhões de litros de biodiesel foram fabricados a partir de gorduras de origem animal.
Embora tenha permanecido como a matéria-prima dominante para as usinas da Região Sudeste, o sebo bovino viu sua liderança cair de 55,8% no mês passado para 49,5% este mês o que o deixa praticamente empatado com o óleo de soja que teve 49,3% do mercado regional.
O óleo de algodão também teve sua participação reduzida para 0,78% contra 1,64% em março. Apenas no Nordeste, ela teve uma participação relevante com 5,7% do total fabricado.
Em termos de volume, as usinas brasileiras produziram apenas 2,5 milhões de litros usando esta matéria-prima.
Ganhador
Já a categoria outros materiais graxos disparou praticamente quintuplicando sua fatia de mercado. Foram quase 2,3% em abril o que representa 7,4 milhões de litros produzidos.
Entre março e abril, a matéria-prima avançou substancialmente em duas das maiores regiões produtoras do Brasil – o Centro-Oeste e o Sul. No Sul, em particular, essa categoria ultrapassou a marca de um ponto percentual ficando com 1,4% do mercado – no mês anterior a participação foi de 0,78%.
Mas é a Região Norte que mais chama a atenção. Em abril, 86,4% do biodiesel fabricado foi a partir de fontes alternativas.
Dado correto
Ao que tudo indica teremos, dessa vez, um dado correto sobre as matérias-primas do setor. A edição do Boletim publicada hoje foi fechada depois que a ANP já havia contabilizado a produção do biodiesel para o mês de abril.
Tanto o dado oficial da produção quanto o volume declarado pelo Boletim coincidem em 324,5 milhões de litros.
No mês passado, o Boletim Mensal do Biodiesel foi fechado considerando uma produção de apenas 211,3 milhões de litros. Na surdina, a ANP corrigiu o volume declarado no Boletim para 294,8 milhões de litros conforme constava na produção oficial publicada em 11 de maio.
Acontece que, mais tarde, o valor acabaria sendo corrigido para 322,7 milhões de litros. Ou seja, no fim das contas, a informação continua errada.
Somadas as diferenças entre os volumes declarados no Boletim e os volumes oficiais, há 48,8 milhões de litros de biodiesel sobre os quais não sabemos nada.