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ANP publica uso de matérias-primas de março com grande erro

A ANP publicou no fim da tarde de ontem (07) a nova edição do Boletim Mensal do Biodiesel. O documento traz os dados de matéria-prima para março.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
No final da tarde de ontem (07), a ANP divulgou a edição de abril de seu Boletim Mensal do Biodiesel que traz os dados sobre as matérias-primas usadas pela indústria durante o mês de março. Contudo, ao que tudo indica, essa informação terá pouquíssima utilidade real para indicar ao mercado como anda o esforço de diversificação de matérias-primas da indústria. Não foi por falta de aviso; BiodieselBR.com já havia levantando o problema da divulgação dos dados de matérias-primas exclusivamente pelo boletim de biodiesel da agência.


Grafico MPsMarco 080515 No final da tarde de ontem (07), a ANP divulgou a edição de abril de seu Boletim Mensal do Biodiesel que traz os dados sobre as matérias-primas usadas pela indústria durante o mês de março. Contudo, ao que tudo indica, essa informação terá pouquíssima utilidade real para indicar ao mercado como anda o esforço de diversificação de matérias-primas da indústria. Não foi por falta de aviso; BiodieselBR.com já havia levantando o problema da divulgação dos dados de matérias-primas exclusivamente pelo boletim de biodiesel da agência.

O caso é que, esse boletim foi feito tendo como base uma produção de 211,3 milhões de litros de biodiesel. Apesar de ser um número oficial ela está bem aquém do que se espera para o mês. Essa é uma produção muito menor do que as distribuidoras retiraram no mês de março. Segundo o apurado por BiodieselBR.com, as distribuidoras retiraram 336,7 milhões de litros em março, 94,6% do que deveriam. 

Levando em conta as vendas de diesel de março, a demanda de biodiesel para a mistura obrigatória seria de 350 milhões de litros.

Além disso, desde a adoção do B6 – em julho do ano passado – a produção tem se mantido sempre acima dos 300 milhões de litros. É improvável, ou mesmo impossível, que o setor estivesse carregando um estoque de mais 120 milhões de litros depois de uma escassez de oferta nos últimos meses. Portanto, é seguro admitir que os dados do boletim não levam em conta grande parte do volume fabricado. Isso compromete completamente a precisão das informações do setor não apenas no mês de março, mas também afetará as contas para o ano inteiro.

Dados
Feita a devida ressalva, os números divulgados pela ANP apontam para uma perda pouco superior a um ponto percentual na participação do óleo de soja que foi de 75,6% em fevereiro para 74,5% em março.

Em termos reais – e lembrando que o boletim leva em conta uma produção de menos de 211,3 milhões de litros –, o consumo de óleo de soja pelas usinas foi de aproximadamente 157,4 milhões de litros. Isso representa uma demanda equivalente ao esmagamento de 755 mil toneladas de soja em grão.

Essa seria uma queda de 31,4% no consumo do mês passado.

A participação perdida pela soja migrou integralmente para o sebo bovino cuja participação subiu de 20,4% em fevereiro para 21,5% em março. O consumo seria de 45,4 milhões litros – queda de 26,6% sobre os 61,9 milhões de litros do mês anterior. Novamente, é provável que essa retração seja devido ao fato de parte da produção efetiva não ser considerada pelo documento da ANP.
Pelo que sabemos, o sebo foi a matéria-prima predominante no Sudeste onde a ANP aponta uma participação de 55,8% enquanto a soja representou pouco menos de 40,1% no mês.

O óleo de algodão que, em fevereiro, havia registrado um avanço notável em sua participação, voltou a perder espaço indo de 2,2% para 1,6%. A demanda das usinas por essa matéria-prima em março teria ficando em 3,5 milhões de litros.

Esse consumo se concentrou praticamente todo no Nordeste onde 14,2% do biodiesel foi fabricado a partir deste óleo.

Todas as demais matérias-primas utilizadas pelo setor não chegaram a ultrapassar a marca de um ponto percentual. Entre as minoritárias, vale ressaltar que o óleo de palma apareceu nas estatísticas pelo segundo mês consecutivo com 0,5% do mercado – mesmo percentual do mês anterior.

A palma aparece no mix do Nordeste (3,1%) e do Sudeste (2%).

Esses números errados são oficiais e serão usados pelo Ministério de Minas e Energia e todo o setor de biodiesel durante 2015. Na maioria das vezes, sem fazer nenhuma ressalva quanto ao erro.

Atualização: Os dados de produção de biodiesel de março foram publicados e podem ser vistos aqui.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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