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Previsões da safra de soja do Brasil estão cada vez mais pessimistas

Clima pouco favorável em várias regiões produtoras está puxando produtividade da sojicultura brasileira para baixo

BiodieselBR.com 7 min de leitura

Os ventos não andam favoráveis para a sojicultura brasileira nessa temporada. Apesar da safra 2018/19 ter tido um começo dos mais promissores com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) chegando a arriscar que estávamos a caminho de assumir a liderança global na produção da oleaginosa, os resultados foram ficando aquém do esperado. Agora é a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) que está reduzindo suas projeções sobre a colheita deste ano.

Os ventos não andam favoráveis para a sojicultura brasileira nessa temporada. Apesar da safra 2018/19 ter tido um começo dos mais promissores com o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) chegando a arriscar que estávamos a caminho de assumir a liderança global na produção da oleaginosa, os resultados foram ficando aquém do esperado. Agora é a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) que está reduzindo suas projeções sobre a colheita deste ano.

Publicada ontem (12) a edição mais recente do Relatório de Acompanhamento da Safra Brasileira de Grãos indica que a produção deverá chegar a 115,3 milhões de toneladas. O volume é 3,46 milhões de toneladas – 2,9% – menor do que a projeção que havia sido publicada em janeiro.

Não é propriamente um mal resultado. Mesmo abaixo do recorde do ano passado – quando foram colhidas quase 119,3 milhões de toneladas – o número, se confirmado, ainda colocaria este ano num respeitável segundo lugar do ranking, batendo a safra 2016/17 por uma margem de 1,1%.

Segundo a Conab, o problema está na produtividade das lavouras que deverá ficar em 3.220 quilos por hectare (kg/ha) plantado. Este seria o rendimento mais baixo para sojicultura nacional nas últimas desde a safra 2015/16 quando o resultado médio foi de 2.870 kg/ha. O relatório informa que foram detectadas “adversidades climáticas severas” concentradas principalmente nos estados do Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul – respectivamente o segundo, quarto e quinto maiores estados produtores do país.

Queda anunciada

A Conab não foi a primeira a cantar a bola de que a safra de soja não ia tão bem quanto inicialmente se imaginava. Algumas consultorias e entidades ligadas ao complexo soja já vinham reportando que diversas áreas produtoras importantes vinham sofrendo perdas em função de condições climáticas pouco favoráveis.

No final do mês passado, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) cortou sua estimativa para a produção em 2,5% com uma projeção de 117,9 milhões de toneladas. O próprio USDA que, em dezembro, chegou a projetar que o Brasil colheria 122 milhões de toneladas reviu seus números para baixo. Seu relatório mais recente a sobre oleaginosas coloca a produção nacional na casa dos 117 milhões de toneladas.

Especializado em agronegócio, o banco de holandês Rabobank chegou a cravar, em dezembro, que a produção nacional de soja passaria dos 123 milhões de toneladas. No começo de janeiro, revisou para 119 milhões toneladas. No final do mês passado já falava em 117 milhões de toneladas. E, atualmente, segundo o analista de grãos, Victor Ikeda, disse à BiodieselBR.com “está trabalhando com uma projeção entre 114 e 115 milhões de toneladas”.

Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado, Luiz Fernando Gutierrez, a Conab tende mesmo a ser um pouco mais conservadora com suas projeções do que outros atores do mercado. “Embora a [projeção feita pela] Conab seja a mais importante e a que ecoa mais. Outros atores tendem a antecipar as tendências do mercado mais cedo com a Conab convergindo um pouco depois”, avalia.

Mais pessimistas

Já há números mais pessimistas circulando. Na segunda-feira (11), a consultoria AgRural reduziu sua estimativa para 112,5 milhões de toneladas contra 116,9 milhões de toneladas em janeiro. O corte coloca a projeção mais ou menos em linha com as 112,2 milhões de toneladas que a INTL FCStone havia divulgado no começo deste mês.

Com números um pouco mais favoráveis temos a Agroconsult, cuja aposta é de 117,6 milhões de toneladas, e a Safras & Mercado com 115,7 milhões de toneladas.

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O pior já passou

Para Luiz Fernando, embora as projeções ainda possam cair mais um pouco, o pior já passou. “A Safras deve publicar uma nova projeção até o final dessa semana e a tendência é que façamos mais um ajuste negativo embora relativamente pequeno. Algo em torno de 1% do que divulgamos em janeiro”, antecipa acrescentando que já estamos perto dos números finais sobre a safra 2018/19. “O que estamos fazendo agora são ajustes mais finos”, completa.

Segundo ele, o golpe mais severo para a safra atual veio de perdas ocorridas em plantações de variedades de soja precoce nos estados do Mato Grosso do Sul e do Paraná. Perdas estas que já foram devidamente contabilizadas. “Nos estados do Centro-Oeste, a colheita já está bem avançada e o clima tem sido favorável ajudando a evitar uma quebra mais forte ou, até, a compensar um pouco”, avalia.

“A redução atual no número da Conab consolida a quebra [da safra de soja] no Paraná que ainda não tinha entrado no relatório de janeiro. Outras revisões poderão vir, mas não serão tão significativas”, concorda Victor Ikeda do Rabobank.

As atenções agora estão voltadas para o Rio Grande do Sul e para os estados produtores das regiões Norte e Nordeste onde o clima ainda pode ter um impacto significativo. No entanto, nada aponta para o pior. “No Rio Grande do Sul, a safra está se desenvolvendo normalmente com problemas muito localizados. Já na região do matopiba, a Bahia teve algumas perdas por falta de chuva em janeiro, mas o problema não é amplo”, informa.

“Há algum risco [de perdas climáticas], mas as lavouras do Rio Grande do Sul e Matopiba já não estão 100% expostas”, tranquiliza Victor Ikeda. O entrevistado não crê que as perdas no Brasil terão um impacto pronunciado no mercado global. “A gente tem que levar em conta que a oferta de soja das Argentina está tendo uma recomposição. Uma coisa deverá compensar a outra”, lembra. A produção argentina foi de 55 milhões de toneladas na temporada 2016/17 para 37,8 milhões de toneladas no ano passado. A expectativa para safra 2018/19 é de retomada da normalidade.

Outro foco

De qualquer forma, segundo Ikeda, o mercado mundial está mais atendo à queda de braços comercial entre a China e os Estados Unidos do que ao Brasil. “Ainda temos mais duas semanas na trégua entre eles e outras reuniões para acontecer, mas esse, certamente, será o maior direcionador do mercado”, ressalta.

De acordo com o técnico do Rabobank, a tendência é que os preços da soja encontrem sustentação, aconteça o que acontecer. Em caso de acordo entre China e Estados Unidos, devemos ter preços mais altos na Bolsa de Chicago que acabarão influenciando as cotações do mercado brasileiro. Ou, caso a guerra comercial volte a se acirrar, o mais provável é uma repetição na alta dos prêmios pagos pela soja brasileira como que foi vista no ano passado.

A intensidade, no entanto, poderá ser um pouco menor em função de um surto de peste suína africana que atingiu o rebanho suíno do país asiático. “Tem incertezas sobre a quanta soja a China vai precisar importar esse ano. Com menos porcos, a demanda por farelo cairá”, encerra.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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