Embora as projeções sobre safra 2023/24 venham caindo, a nova estimativa é consideravelmente mais pessimista do que os números mais recentes do mercado
O governo federal parece estar mais pessimista do que o mercado em geral a respeito das perspectivas da atual safra de soja do Brasil. No começo da noite de ontem (27) o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) publicou uma nota na qual indica que a “expectativa de colheita é em torno de 140 milhões de toneladas”. O novo número foi divulgado é após uma reunião extraordinária da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Soja com representantes da Conab e do IBGE.
Esse não foi a primeira vez que MAPA ventilou números particularmente magros para a produção deste ano. Cerca de duas semanas atrás o secretário de Política Agrícola do MAPA, Neri Geller, participou de uma reunião promovida nos Estados Unidos pelo Departamento de Agricultura do governo norte-americano (USDA) na qual estimou que a safra deveria ficar em 145 milhões de toneladas.
Ao menos por hora, esses valores estão bem baixos das projeções mais recentes do mercado. Uma compilação feita pela reportagem a partir de nove relatórios divulgados este mês por órgãos governamentais – brasileiros e de outros países – e consultorias privadas colocam a produção brasileira nas imediações das 151,5 milhões de toneladas.
O governo federal parece estar mais pessimista do que o mercado em geral a respeito das perspectivas da atual safra de soja do Brasil. No começo da noite de ontem (27) o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) publicou uma nota na qual indica que a “expectativa de colheita é em torno de 140 milhões de toneladas”. O novo número foi divulgado é após uma reunião extraordinária da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva da Soja com representantes da Conab e do IBGE.
Esse não foi a primeira vez que MAPA ventilou números particularmente magros para a produção deste ano. Cerca de duas semanas atrás o secretário de Política Agrícola do MAPA, Neri Geller, participou de uma reunião promovida nos Estados Unidos pelo Departamento de Agricultura do governo norte-americano (USDA) na qual estimou que a safra deveria ficar em 145 milhões de toneladas.
Ao menos por hora, esses valores estão bem baixos das projeções mais recentes do mercado. Uma compilação feita pela reportagem a partir de nove relatórios divulgados este mês por órgãos governamentais – brasileiros e de outros países – e consultorias privadas colocam a produção brasileira nas imediações das 151,5 milhões de toneladas.
Até mesmo as projeções mais recentes da Conab e do IBGE – respectivamente 149,4 e 150,4 milhões de toneladas – estão distantes deste valor divulgado pelo ministério.
Também chama a atenção que os ajustes mais significativos nas expectativas do mercado para a produção nacional terem acontecido até janeiro. Entre o mês passado e o atual, as novas perdas foram de apenas 0,6%.
Até este momento a única projeção que coloca a produção nacional abaixo da marca divulgada pelo MAPA veio da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil). Em janeiro, a entidade divulgou que esperava a produção de 135 milhões de toneladas.
Safra mais fraca
Apesar dos números mais recentes serem um banho de água fria quando comparados com as primeiras projeções que apontavam para uma colheita acima dos 160 milhões de toneladas, o volume atual ainda faria da safra 2023/24 a segunda maior da história. Ela seria superada apenas para os 154,6 milhões de toneladas colhidos na temporada 2022/23.
A queda é atribuída aos efeitos negativos do El Niño sobre o clima das regiões produtoras do grão no Brasil.
Impacto no esmagamento
Apesar da menor disponibilidade de soja no mercado nacional, não é esperado um grande impacto na indústria de processamento.
Um relatório divulgado hoje mesmo pela Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) manteve estável sua estimativa para o esmagamento de soja no mercado doméstico apesar de ter feito um corte – o segundo esse mês – na produção de soja que foi de 156,1 para 153,8 milhões de toneladas.
Segundo a associação, a indústria nacional deve processar 54,5 milhões de toneladas do grão este ano fabricando 41,7 milhões de toneladas de farelo e 11 milhões de toneladas de óleo; dos quais 9,6 milhões de toneladas terão o mercado interno como destino final.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Com informações do MAPA e do Correio do Povo