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O impacto do B7 na cadeia da soja

soja recorde chicago 040912A demanda adicional criada pela adoção do B6 e do B7 deverá movimentar toda a cadeia da soja.
BiodieselBR.com 6 min de leitura
É como atirar uma pedra no meio de uma lagoa, as ondas se espalham em todas as direções. Da mesma forma, o aumento da mistura obrigatória anunciado pelo governo federal no último dia 29 deverá movimentar toda a cadeia da soja no Brasil. Também pudera, com o aumento para B6 em julho e para B7 em novembro a demanda de biodiesel deve crescer pelo menos 17% só este ano.

É como atirar uma pedra no meio de uma lagoa, as ondas se espalham em todas as direções. Da mesma forma, o aumento da mistura obrigatória anunciado pelo governo federal no último dia 29 deverá movimentar toda a cadeia da soja no Brasil. Também pudera, com o aumento para B6 em julho e para B7 em novembro a demanda de biodiesel deve crescer pelo menos 17% só este ano.

Traduzido em litros, isso representa pouco mais de 480 milhões de litros de óleo a mais. Considerando que a estimativa mais recente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) é que a produção de brasileira de óleo de soja de 2014 deve ficar em 7,88 bilhões de litros; estamos falando de uma fatia de 6,1% que precisará ser atendida quase do dia para a noite.

E vai mesmo ser a soja que vai ter que matar esse impacto no peito como alerta Thadeu Silva, diretor de inteligência de mercado da consultoria INTL FCStone do Brasil. “O aumento do biodiesel deve ir todo para o óleo de soja porque ele é o único insumo que consegue aumentar a elasticidade de oferta no curto prazo”, pontua. Todas as matérias-primas alternativas – até as mais consolidadas como o sebo bovino e o óleo de algodão – não têm cadeias de fornecimento robustas o bastante para dar conta do recado.

Grão
O país acabou de encerrar a colheita da maior safra de soja de sua história. Segundo a versão de maio do Relatório de Acompanhamento da Safra de Grãos da Conab, na temporada 2013/14 os sojicultores brasileiros dedicaram mais de 30 milhões de hectares ao cultivo da oleaginosa com obtendo uma produção total de 86,5 milhões de toneladas – crescimento de 6,2% sobre as 81,5 milhões de toneladas da safra anterior.

A possibilidade de faltar soja para o mercado interno, portanto, parece uma preocupação distante. Mesmo que o mercado de exportação se mantenha aquecido. “Temos uma safra recorde, então a tendência é termos matéria-prima para o mercado”, garante Leonardo Zilio, o economista da Abiove.

Mesmo no ano que vem as chances de faltar soja são diminutas. Com exceção de duas pequenas escorregadas nas safras 2008/09 e 2011/12 – ambas marcadas por problemas climáticos – a produção de soja brasileira cresceu sem parar ao longo da última década. A ponto de que Leonardo Zilio já considerar certo que o Brasil vai superar os Estados Unidos como maior produtor mundial “nas próximas safras”.

Para Thadeu Silva o único risco da disponibilidade de soja se tornar um problema seria se houvessem quebras de safra que elevassem muito o preço do insumo. “Mas teria que ser uma quebra muito séria”, ameniza.

Esmagamento
Nada indica também que possa haver dificuldades no degrau seguinte da cadeia: o esmagamento. BiodieselBR.com apurou junto a fontes do mercado que, embora alguma turbulência seja esperada, ninguém realmente está preocupado com a capacidade dos processadores manterem o mercado brasileiro de óleo devidamente abastecido. O consenso geral é que, no curtíssimo prazo, o Brasil vai exportar menos óleo de soja e que, no médio, a demanda adicional vai dar um empurrão a mais na combalida indústria nacional de processamento da oleaginosa.

No ano passado, a plataforma AliceWeb do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), aponta que o Brasil enviou para fora do país um total de 1,3 milhão de toneladas de óleo de soja. “Para atender ao aumento do biodiesel de forma imediata, pode acontecer uma realocação de parte do volume exportado. Isso no curto prazo”, avalia a analista de mercado da INTL FCStone, Natália Borlovicin.

Em comunicado divulgado na terça-feira (03), a Abiove estimou que aproximadamente metade desse volume adicional de biodiesel de um redirecionamento da exportação. A outra metade virá de um bem-vindo aumento do processamento de soja. Se essa projeção se confirmar, teremos 1,3 milhão de toneladas a mais de soja processadas internamente. “Se acompanharmos os dados do histórico de processamento de soja e cruzarmos com os últimos aumentos na mistura de biodiesel acontecidos entre 2008 e 2010, poderemos perceber que o processamento de soja responde muito bem ao consumo de biodiesel”, comemora o economista da Abiove, Leonardo Zilio.

Capacidade
Dados da própria Abiove mostram que os níveis de atividade da indústria vêm recuando. Em 2011, a ocupação do setor era de 66,8% enquanto, no ano passado, foi de 61,7%. O aumento na demanda por óleo poderia trazer um crescimento na ocupação do setor. Fato comemorado pelo pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Esalq/USP, Lucílio Alves. “Isso [o aumento da mistura] vem dentro de um contexto importante considerando que o esmagamento de soja vinha caindo. Esse é um movimento preocupante porque sinaliza que está mais vantajoso exportar soja em grão do que esmagar dentro do país e exportar farelo e óleo”, considera.

O analista de mercado de soja da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Leonardo Amazonas, opina que essa elevação do nível de atividade da indústria seria “ótimo para a indústria”. “O parque industrial está muito ocioso e temos uma perspectiva de usarmos essa capacidade que se encontra parada”, afirma. Isso também permitiria que o aumento do biodiesel não tivesse que acontecer às custas de outros mercados. “No fim você, não vai precisar usar o óleo que está indo para os mercados de alimentação ou para a exportação. Eles [a indústria] conseguem aumentar o processamento sem comprometer o abastecimento”, pondera

Farelo
As fontes dessa reportagem também parecem estar tranquilas quanto à capacidade do mercado absorver a oferta adicional de farelo. “Estamos com demanda crescente de farelo no Brasil e no mundo, é justamente o farelo que vem segurando as cotações da soja. Esse aumento [de oferta] poderia ser direcionado, não vejo como isso poderia levar a um acumulo de produto ou a uma queda de preços”, opina Lucílio do Cepea.

Thadeu Silva, acredita que a melhora das margens dos esmagadores com o óleo pode ate melhorar um pouco a competitividade do farelo. “Quando você aumenta a margem dos esmagadores no óleo, eles podem dividir melhor o fardo dos custos sem ter que jogar tanto no farelo”, analisa.

“Vamos ter mais valor agregado à soja e isso nunca é problema. Esse é o caminho que sempre defendemos”, finaliza Leonardo Zilio.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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