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Expansão da indústria da soja deve ser a âncora do B20

Expansão da sojicultura brasileira e da capacidade de processamento será fundamental para garantir o plano de expansão da produção de biodiesel.
BiodieselBR.com 5 min de leitura
Se for mesmo para chegar em 2030 fabricando os 18 bilhões de litros de biodiesel ao ano que as três principais associações do setor de biodiesel pretendem, será preciso mais do que algumas dezenas de bilhões de reais em investimentos industriais. Vamos precisar de muita soja para conseguir sustentar esse plano.

Se for mesmo para chegar em 2030 fabricando os 18 bilhões de litros de biodiesel ao ano que as três principais associações do setor de biodiesel pretendem, será preciso mais do que algumas dezenas de bilhões de reais em investimentos industriais. Vamos precisar de muita soja para conseguir sustentar esse plano.

Pelas contas das três associações, se o óleo se soja mantiver sua atual fatia de 77% mais ou menos inalterada na matriz de matérias-primas da indústria, dentro de mais quinze anos a produção do biocombustível demandaria o esmagamento de 66 milhões de toneladas da oleaginosa. Para colocar esse número em contexto, basta informar que ele representa aproximadamente um quinto da produção mundial de soja. Na temporada 2015/16 ela foi, segundo o Departamento de Agricultura do governo dos Estados Unidos (USDA), de 313 milhões de toneladas.

Soja não deve faltar. Com a produção que tivemos esse ano – 95,4 milhões de toneladas – já seria possível dar conta dessa demanda sem ter que recorrer à importações. E as projeções para a sojicultura nacional para os próximos anos são bastante otimistas. Segundo o relatório “Brasil Projeções do Agronegócio” que foi publicado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) a produção brasileira deve crescer, no mínimo, 35,1% nas próximas 10 temporadas. Na safra 2025/26 a colheita deverá ficar entre 129,2 e 155,3 milhões de toneladas.



Esses são os números oficiais. As associações do setor esperam que a produção continue crescendo e já anteveem uma safra 2029/30 que renderá 164,9 milhões de toneladas de soja.

Esmagamento

Temos o grão. Acontece que o maior gargalo hoje não está necessariamente na etapa agrícola do processo, mas em suas etapas posteriores. É nesse ponto que vamos precisar engatar uma segunda marcha.

Segundo a Abiove, no ano passado, 40,5 milhões de toneladas de soja foram processadas no país. Só o atendimento da demanda das indústrias de biodiesel esperada para 2030 exigiria um avanço de quase 63% nesse volume. Somando aí o atendimento a outros mercados, a quanto de soja processada chegaria a 107,2 milhões de toneladas anuais.



Isso deverá reverter a atual tendência de contração no percentual da safra brasileira de soja que é processada internamente. Se tudo sair como deve, em 2030 aproximadamente 65% do total da oleaginosa colhida por agricultores brasileiros deverá ser processada internamente.

A última vez que a relação foi tão favorável foi antes da virada do milênio.



Para tanto as entidades já antecipam a necessidade de novos investimentos em capacidade de processamento da ordem de R$ 16,8 bilhões até 2030. Seriam construídas 48 plantas novas plantas com capacidade média de processar 4 mil toneladas de soja por dia. Isso puxaria a capacidade brasileira dos atuais 65 milhões de toneladas ao ano para 134 milhões de toneladas ao no.

+ Derivados

Essa deve ser uma mudança tectônica que pode rearranjar boa parte do mapa global do mercado de soja e derivados. Hoje, o Brasil é o maior exportador de soja in natura do mundo. Segundo o USDA, o país embarcou 54,4 milhões de toneladas no ano passado ou pouco mais de 41% do mercado global.

Já a Argentina ficou com o ouro nas exportações tanto de farelo (30,6 milhões de toneladas) quanto de óleo (5,9 milhões de toneladas). Nossos vizinhos têm 46,6% e 49,1% em ambos os mercados, respectivamente.

Esse balanço teria que ser profundamente modificado num cenário no qual o Brasil processasse internamente a maior parte de sua produção. Especialmente no segmento de farelo. As exportações brasileiras do insumo mais do que dobrariam indo dos atuais 15,4 milhões de toneladas para mais de 43 milhões de toneladas concentradas principalmente no mercado chinês que, hoje, compra soja em grão do Brasil para esmagar internamente.

Também haveria um aumento substancial no volume de farelo disponível no mercado interno o que se refletiria num aumentando na oferta de rações para a criação de animais. Consequentemente, seriam criados novos estímulos para a expansão das indústrias frigoríficas no pais.

Como um bônus, essa expansão aumentaria a oferta de gordura animal que vem a ser a segunda matéria-prima mais importante – atrás apenas do próprio óleo de soja – para o biodiesel brasileiro.

Chamado “Biodiesel: oportunidades e desafios no longo prazo”, o documento foi entregue na quinta-feira (06) a representantes do Ministério de Minas e Energia (MME) e é resultado do Seminário de Alinhamento das Instituições do Setor de Biocombustíveis ocorrido no último dia 19 de setembro. Nos próximos dias BiodieselBR.com vai destrinchar alguns dos tópicos mais importantes desse documento. O resultado poder ser conferido aqui.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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