Aumento da competição pelo insumo vem afetando o negócio dos esmagadores nacionais
O apetite da China pela soja brasileira vem deixando a indústria nacional de processamento da oleaginosa em maus lençóis. Segundo informações da agência de notícias Bloomberg, as esmagadoras brasileiras vêm tendo dificuldades para garantir o suprimento de matéria-prima que precisa para manter suas operações pelo restante da temporada agrícola 2017/18.
O apetite da China pela soja brasileira vem deixando a indústria nacional de processamento da oleaginosa em maus lençóis. Segundo informações da agência de notícias Bloomberg, as esmagadoras brasileiras vêm tendo dificuldades para garantir o suprimento de matéria-prima que precisa para manter suas operações pelo restante da temporada agrícola 2017/18.
A alta persistente nas cotações do grão vem comprimindo as – normalmente magras – margens do setor. Do começo do ano até agora, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) aponta uma alta de praticamente 30% no preço da saca de 60 kg de soja no Porto de Paranaguá (PR).
Segundo a Bloomberg, alguns processadores vêm reduzindo – ou até paralisando – suas atividades à espera de uma melhoria nas condições a partir final do primeiro trimestre do próximo ano quando a soja da próxima safra 2018/19 começar a chegar ao mercado.
Os estoques nacionais deverão encerrar o ano agrícola em cerca de 1,5 milhão de toneladas. Esse será seu menor nível desde 1999, ano em que a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) começou a compilar os dados do segmento.
Guerra comercial
As dificuldades do setor são resultado direto das crescentes tensões comerciais entre China e Estados Unidos. Com a soja norte-americana mais cara e a baixa disponibilidade de grãos na Argentina, os compradores chineses se voltaram principalmente para o Brasil.
Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) até setembro, os embarques de soja em grão já haviam somado 69,2 milhões de toneladas – cerca de 13,1% maior que no mesmo periodo do ano anterior.
Desse montante, quase 80% – 55 milhões de toneladas – tiveram a china como destino.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Com informações Bloomberg