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Abiove articula formação de fundo para preservar o cerrado

Fundo remuneraria produtores rurais que optarem para manter áreas de vegetação nativa maiores do que o exigido em lei

BiodieselBR.com 3 min de leitura

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) está trabalhando junto com uma coalizão de grandes compradores de soja da Europa para articular a criação de um fundo voltado à preservação do cerrado. O plano é compensar financeiramente os produtores rurais que mantiverem intactas áreas de vegetação nativa superiores ao que a lei determina.

A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) está trabalhando junto com uma coalizão de grandes compradores de soja da Europa para articular a criação de um fundo voltado à preservação do cerrado. O plano é compensar financeiramente os produtores rurais que mantiverem intactas áreas de vegetação nativa superiores ao que a lei determina.

Embora a iniciativa ainda não tenha sido oficialmente lançada, ela foi antecipada pela direção da Abiove durante uma reunião com um grupo de jornalistas realizada na tarde dessa última quinta-feira (13) em São Paulo. “Estamos trabalhando a todo vapor para viabilizar [o fundo]”, informou o gerente de sustentabilidade da entidade, Bernardo Pires. “Seria algo totalmente inédito no mundo”, completa.

O resultado esperado pela entidade é zerar o desmatamento provocado pela sojicultura no cerrado sem ter que apelar para uma proibição como a que se encontra em vigor na Amazônia Legal há cerca de 12 anos. Pelas regras da Moratória da Soja, as associadas à Abiove e à Associação Brasileira dos Exportadores de Cereais (Anec) estão proibidas de comercializar soja plantada em áreas das Amazônia que tenham sido abertas depois de julho de 2006.

Excedente

Pelas contas da Abiove as propriedades que se dedicam à sojicultura dentro do bioma do cerrado contam – coletivamente – com um excedente entre 1 e 1,5 milhão de hectares sobre suas reservas legais. São terras que poderiam ser legalmente desmatadas e convertidas para a produção agrícola.

O Código Florestal Brasileiro de 2012 determina que propriedades rurais localizadas em áreas do cerrado precisam manter pelo menos 35% de vegetação nativa preservada. As áreas elegíveis estão acima deste mínimo. Segundo a Abiove, o bioma concentra cerca de 17 dos mais de 35 milhões de hectares que o país dedica ao cultivo da soja.

Os agricultores que abrirem de explorarem essas áreas receberiam US$ 150 por cada hectare preservado. “Os produtores com quem conversamos acharam esse valor atrativo. Acreditamos que, se a iniciativa for lançada, ela teria uma grande adesão”, comenta Pires.

Para se manter durante um período de cinco anos, o fundo precisaria de algo entre US$ 300 e US$ 400 milhões.

Esses recursos seriam custeados pelas signatárias do “Manifesto do Cerrado”. Lançado durante o Fórum Econômico Mundial de 2017, o documento reúne pesos pesados de porte global como os grupos Carrefour, Casino, Danone, Kellogg, McDonald’s e Nestlé.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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