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Pacote tecnológico para macaúba deve ser lançado em breve

Resultado de 10 anos de pesquisa e desenvolvimento, o novo pacote promete viabilizar o cultivo comercial da palmeira nativa

BiodieselBR.com 6 min de leitura

“A primeira vez que ouvi falar em macaúba foi em 2009. Eu nem sabia do que se tratava. Mas fui estudar o assunto e descobri que ela produz óleo e outras biomassas de forma muito eficiente. Entendi o potencial dessa cultura”, recapitula Felipe Morbi. Foi um verdadeiro chamado. Passados dez anos desde esse primeiro encontro, ele continua completamente mergulhada no estudo desta palmeira nativa do Brasil e construiu duas empresas – a Acrotech e a Soleá – que se dedicam para viabilizar seu plantio em larga escala.

“A primeira vez que ouvi falar em macaúba foi em 2009. Eu nem sabia do que se tratava. Mas fui estudar o assunto e descobri que ela produz óleo e outras biomassas de forma muito eficiente. Entendi o potencial dessa cultura”, recapitula Felipe Morbi. Foi um verdadeiro chamado. Passados dez anos desde esse primeiro encontro, ele continua completamente mergulhada no estudo desta palmeira nativa do Brasil e, com apoio e financiamento do Grupo Pastori, construiu duas empresas – a Acrotech e a Soleá – que trabalham para viabilizar seu plantio em larga escala.

O interesse pessoal na macaúba começou a ganhar corpo a partir de 2010 quando Felipe levou a idéia ao Grupo Pastori, holding paulista com investimentos em setores diversificados, que topou a empreitada. Em 2011, ambos se tornaram sócios na Soleá, empresa que tem um perfil mais operacional. Ela planta, processa e comercializa produtos à base de óleo e de biomassa da macaúba.

Não demorou muito, no entanto, para que ficasse claro que seria preciso dar um passo atrás e desenvolver por conta própria todo o pacote tecnológico necessário ao cultivo da palmeira. Foi então que, em 2012, os sócios articularm a compra da Acrotech, empresa que havia sido fundada em 2007 justante com esse propósito em vista. “Ela está focada nesse processo de domesticação [da macaúba] incluindo a seleção de materiais genéticos, clonagem, produção de mudas, protocolos de manejo... tudo o que está por trás do cultivo em si”, resume.

Tanto empenho tem uma explicação bem simples: a macaúba pode ser incrivelmente produtiva. “Quando eu comecei a trabalhar com essa espécie, a literatura científica falava que ela poderia produzir 10 vezes mais óleo por hectare do que a soja. Hoje eu já falo em 18 vezes mais”, resume. Além disso, ela ocorre naturalmente desde o Paraná até a Amazônia o que permitiria plantá-la em praticamente todo o território nacional. Ou seja, embora o desafio de colocar uma nova oleaginosa no mercado seja grande, o prêmio à espera de quem conseguir chegar ao fim desse arco-íris também é.

Versatilidade

E não é só óleo o que essa planta produz; as cascas, o endocarpo, as sementes e a biomassa dos cachos e das folhas também têm aplicações comerciais possíveis. “Ela tem uma a versatilidade grande de aplicações e produtos que podem gerar uma receita por hectare plantado muito interessante. Fizemos comparações com a soja, eucalipto, gado e outras produções e sempre se mostrou uma opção economicamente boa”, conta. De quebra, a macaúba é menos exigente que outras culturas podendo ser implantada em terras degradadas que têm menor valor comercial. “Podemos pegar áreas que já foram desmatadas há muitos anos e recuperá-las”, complementa Felipe.

Embora não veja a recuperação de terras como um fim em si; o empresário a considera um efeito colateral muito bem-vindo. “A exigência por produtos mais sustentáveis é uma tendência no mercado internacional. Enquanto outras oleaginosas como a palma-de-óleo têm sua imagem desgastada por provocarem desmatamento, a macaúba vai recuperar áreas. Esse é um detalhe que atrai todo mundo com quem converso”, anima-se.

Promessa

O começo do projeto foi complicado. Uma década atrás se sabia relativamente pouco a respeito dessa palmeira. “A gente mapeou os riscos e vimos que tinha uma série de variáveis sem resposta: como produzir uma muda, o tempo que leva essa muda para ir ao campo, qual a melhor época para fazer o plantio”, diz. Conforme as respostas foram sendo encontradas, a macaúba foi se mostrando ainda mais promissora do que Felipe supunha.

Quando a Soleá e a Acrotech começaram seus trabalhos, as pesquisas apontavam que a macaúba poderia produzir entre 25 e 36 toneladas de frutos por hectare. Essas estimativas tinham como base a produção em áreas nativas. As plantas, no entanto, responderam ao manejo melhor do que a encomenda. “É uma espécie muito responsiva quando se adota boas práticas. Hoje nosso cenário base é de uma produtividade de 48 toneladas de frutos por hectare plantado o que daria cerca de 9,5 toneladas de óleo por hectare”, diz acrescentando que esse número foi obtido sem qualquer melhoramento na genético adicional. “Apenas selecionando sementes dos maciços naturais mais produtivos e aplicando o pacote tecnológico em desenvolvimento”, comenta.

As primeiras cultivares especialmente desenvolvidas ainda devem demorar mais 3 anos antes de começarem a ser testadas.

O número surpreende quando se considera que a palma-de-óleo – fonte número um de óleos vegetais do mundo – produz cerca de 4 toneladas de óleo por hectare plantado. E isso depois de algumas décadas de trabalho intensivo na otimização do desempenho da espécie. O segredo, segundo Felipe, está no porte menor da macaúba. “A palma é uma planta muito robusta. Você consegue plantar cerca de 146 árvores por hectare. Como a macaúba é menorzinha você consegue adensar e colocar 460 plantas na mesma área. Individualmente a palma até é mais produtiva, mas, com o plantio, levamos vantagem”, informa

Início em menor escala

Ainda vai levar alguns anos para que esse potencial se concretize. Atualmente a Soleá tem 700 hectares de macaúba cultivada no município de João Pinheiro (MG). Até o ano que vem serão 1.000 hectares o que não chega a ser uma área grande em termos de produção de óleo. “É onde estamos validando os resultados que tivemos em pequena escala”, diz

A ideia do grupo é começar por mercados de menor volume e maior valor agregado especialmente no ramo de alimentos e cosméticos. “Mercados de especialidades onde poderíamos escalonar a produção mantendo o valor agregado”, explica. O alvo, no entanto, é chegar aos mercados de grandes volumes, como o de biodiesel. “Para isso precisamos crescer”, conclui.

Embora diga que sinta um interesse crescente por parte de investidores, Felipe diz que ainda há trabalho por ser feito antes da Acrotech e da Soleá colocarem sua macaúba na rua. “Não queremos colocar o carro na frente dos bois para não criar uma onda de euforia como já aconteceu com outras culturas”, explica. Qualquer avanço mais substancial depende da finalização do protótipo do sistema produtivo o que ainda deve levar alguns meses.

“Mas já estamos nos preparando para dar o próximo passo”, confirma Felipe. Um desses passos seria justamente a implantação do primeiro cultivo comercial num módulo de 5.000 hectares próprios da Soleá. “Também será em Minas Gerais, mas não necessariamente em João Pinheiro”, finaliza.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com

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