Variedade 30% mais baixa permitirá aumentos na produtividade e redução nas perdas dos plantios
Um projeto de pesquisa liderado pelo governo da Malásia está desenvolvendo uma nova variedade de palma-de-óleo cerca de 30% mais baixa do que as cultivares atuais. Chamada Série de Palma Clone 2 (CPS2, na sigla em inglês), a novidade é mais do que uma merca curiosidade – ela poderá tem impacto decisivo ao reduzir a demanda por novas terras e mão de obra.
Um projeto de pesquisa liderado pelo governo da Malásia está desenvolvendo uma nova variedade de palma-de-óleo cerca de 30% mais baixa do que as cultivares atuais. Chamada Série de Palma Clone 2 (CPS2, na sigla em inglês), a novidade é mais do que uma merca curiosidade – ela poderá tem impacto decisivo ao reduzir a demanda por novas terras e mão de obra.
Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, a Malásia é responsável por cerca de 28,7% da oferta óleo de palma do mundo com uma produção de 20 milhões de toneladas na temporada agrícola atual. O país asiático conta com 5,8 milhões de hectares plantados.
O porte menor permite que os produtores plantem até 36% mais palmeiras por hectare sem que as plantas gerem sombras umas sobre as outras. Com plantas mais baixas a colheita dos frutos também reduz as perdas causadas quando os trabalhadores não conseguem alcançar os cachos – de acordo com as estimativas da indústria malaia, cerca de 10% da produção se perde por esse motivo.
Tudo somado, os plantios de CPS2 vêm se mostrando capazes de produzir até
35,7 toneladas de frutos por hectare. O valor é quase o dobro da média de produção Malásia.
“As plantações precisam de materiais compactos para otimizar o uso das terras”, explica a cientista botânica Meilina Ong Abdullah que lidera o esforço para a Associação da Palma-de-Óleo da Malásia explicando que as variedades mais baixas descendem de plantas trazidas da Nigéria mais de 40 anos atrás.
De quebra, a nova cultivar consegue se manter produtiva uma década a mais que os 25 anos das cultivares convencionais.
Sustentabilidade
Esse aumento de produtividade também ajuda a dar uma resposta a outra preocupação geralmente relacionada ao cultivo da palma-de-óleo no sudeste asiático: a sustentabilidade.
A demanda mundial crescente por óleos vegetais fez com que a cultura da palma se tornasse um dos principais vetores de desmatamento de florestas tropicais na Malásia e Indonésia avançando sobres habitats de espécies criticamente ameaçadas como tigres, elefantes e orangotangos.
Recentemente a Indonésia – maior produtor global da commodity – decretou uma moratória de três anos sobre novos plantios.
De acordo com um relatório publicado no final do mês passado pelo Rabobank – banco de origem holandesa especializado em agronegócios – a produção de óleo de palma no Sudeste Asiático deve começar a declinar a partir de 2022 em função da redução na disponibilidade de novas terras e ao envelhecimento das áreas plantadas.
“Desde maio, a comparação ano a ano da produtividade da palma-de-óleo na Malásia vem caindo devido ao envelhecimento das plantações”, diz o texto.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com