Atraso do B10 na Indonésia pode derrubar cotação do óleo de palma
Segundo analistas as dificuldades da Indonésia em implementar o B10 puxarão o preço internacional do óleo de palma para baixo.
BiodieselBR.com ··4 min de leitura
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Os preços do óleo de palma devem cair ao longo das próximas semanas. Essa foi a previsão do analista de mercado de óleos vegetais, Dorab Mistry, da companhia indiana Godrej International, durante um seminário de óleo de palma realizado ontem (26) em Mumbai, na Índia.
Se prognóstico se confirmar, ele representará uma queda de pelo menos 9% sobre as estimativas iniciais para o preço da commodity no período entre julho e outubro.
Os preços do óleo de palma devem cair ao longo das próximas semanas. Essa foi a previsão do analista de mercado de óleos vegetais, Dorab Mistry, da companhia indiana Godrej International, durante um seminário de óleo de palma realizado ontem (26) em Mumbai, na Índia. "Eu acredito que, pelo terceiro mês, os futuros da Bolsa de Derivativos da Malásia devem ser negociados nas próximas semanas entre 2.300 a 2.500 ringgit a tonelada (US$ 715 US$ 777,50)", estimou Mistry.
Se prognóstico se confirmar, ele representará uma queda de pelo menos 9% sobre as estimativas iniciais para o preço da commodity no período entre julho e outubro. A perspectiva era de que a média da cotação do óleo de palma ficasse em 2.750 ringgit — isto é, desde a cultura não fosse comprometida pelo El Niño o que poderia reverter o viés de quedas nos preços.
O fenômeno climático causado pelo aquecimento das águas do Pacífico provocou secas no Sudeste da Ásia que afetaram praticamente todos os maiores produtores de óleo de palma da Indonésia e na Malásia. Os receios em relação aos impactos na produção fizeram com o índice de referência para os contratos futuros de palma na Bolsa da Malásia subissem por mais de um ano, chegando, em março, a um pico de 2.916 ringgit. Desde então, os preços já recuaram mais de 15%, flutuando na casa dos 2.470 ringgit.
Indonésia Para o analista, a performance decepcionante das cotações do óleo de palma no mercado internacional nos últimos tempos está relacionada às dificuldades da Indonésia em implementar ao seu novo mandato de biodiesel. Em janeiro deste ano, o país asiático implantou oficialmente o B10 mas tem tido dificuldades em fazer a regra valer.
"Por que os preços do óleo de palma estão desapontando? Em poucas palavras: por conta do fracasso da Indonésia para cumprir com seu compromisso de usar biodiesel ", atribuiu Mistry.
Problemas de logística e infraestrutura são apontados como alguns dos principais entraves para que o governo indonésio consiga atingir suas ambiciosas metas de consumo de biodiesel este ano.
O país também enfrenta dificuldades para adquirir o volume de biodiesel necessário para abastecer o mercado mandatório do B10. A petroleira estatal Pertamina já realizou, pelo menos, três licitações e, ao que tudo indica, parece não ter conseguido comprar os 6,6 bilhões de litros de biodiesel inicialmente estipulados para atender à demanda de 2014 e 2015.
Produção A exigência por uma demanda mais robusta de óleo de palma na Indonésia, visando a atender o mercado de B10, deve refletir na elevação dos estoques do produto na Malásia, alcançando, segundo Mistry, um pico de 2,5 milhões de toneladas em novembro. Pelos cálculos do analista, esse volume se configuraria na maior quantidade de óleo armazenada pelo país desde janeiro de 2013.
Quanto à produção, o analista acredita que, se o impacto da passagem do El Niño for moderado este ano teremos uma produção robusta colocando ainda mais pressão sobre os preços. "Se o El Niño acabar por ser leve e tardio, como muitos meteorologistas estão prevendo, a produção de óleo de palma será melhor que as minhas estimativas anteriores", disse.
Pelas projeções do analista, a Malásia deve produzir em 2014 entre 19,7 e 19,9 milhões de toneladas de óleo de palma, e a Indonésia, algo em torno de 30,5 milhões de toneladas.
Cátia Franco – BiodieselBR.com Com informações Reuters