Apesar das incertezas sobre seu destino a partir de 2020, nem tudo são más notícias para os fabricantes de biodiesel da União Europeia (UE). Depois de patinar durante vários anos, o mercado parece estar pronto para engrenar novamente e retomar o crescimento. Essa é uma das conclusões que podem ser tiradas a partir dos dados e projeções que constam da edição deste ano do Relatório Anual de Biocombustíveis elaborado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Apesar das incertezas sobre seu destino a partir de 2020, nem tudo são más notícias para os fabricantes de biodiesel da União Europeia (UE). Depois de patinar durante vários anos, o mercado parece estar pronto para engrenar novamente e retomar o crescimento. Essa é uma das conclusões que podem ser tiradas a partir dos dados e projeções que constam da edição deste ano do Relatório Anual de Biocombustíveis elaborado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
O sinal mais encorajador vem de um reaquecimento na demanda dos 28 estados-membros do bloco europeu – o Reinou Unido ainda está incluído, apesar do recente resultado do plebiscito que autoriza o governo britânico a negociar seu desligamento da UE. Entre este ano e o final de 2017, o consumo por biodiesel e óleo vegetal hidrotratado (HVO) dos europeus deverá avançar 2,3% voltando a superar, pela primeira vez num período de seis anos a marca de 14 bilhões de litros consumidos.
O número exato será pouco inferior a 14,3 bilhões de litros. Se confirmado, ele representará um novo recorde para o mercado da UE – superando os quase 14,1 bilhões de litros de 2010. Para dar uma ideia da dimensão do mercado europeu, basta ter em mente que a segunda praça mais importante para o produto, os Estados Unidos, consumiu cerca de 4,7 bilhões no ano passado.
Esse avanço deverá vir principalmente do crescimento na adição de biodiesel ao diesel de petróleo. Segundo a USDA, o mercado de óleo diesel rodoviário deverá permanecer basicamente estável ao longo dos próximos anos – crescimento de magros 0,3%.
Geografia da retomada
O mercado europeu de biodiesel avançou de forma acelerada até 2010 – com índices de crescimento de dois dígitos ao ano – quanto parece ter batido de frente num muro de tijolos.
Entre 2010 e 2012, a demanda chegou a encolher perto de 6% e, apesar de ter retomado parte do terreno perdido em 2013, o crescimento tem se mantido praticamente em ponto morto desde então com índices inferiores a um ponto percentual ao ano.
O mercado será puxado principalmente pelo Reino Unido cujo consumo em 2017 deverá superar a marca de um bilhão de litros – um crescimento de mais de 12%, cerca de 110 milhões de litros sobre as projeções para o ano atual.
Portugal e o da Holanda também apresentação avanços robustos com 20,5% e 11,1%, respectivamente. Isso fará com que o mercado europeu acrescente 315 milhões de litros em demanda em apenas um ano.
Dos grandes centros consumidores de biodiesel na Europa, apenas o da Alemanha deve continuar recuando. A expectativa é de uma queda de 5% no consumo que deverá encerra 2017 abaixo dos 2,3 bilhões de litros.
A Alemanha -- que já foi o líder do biodiesel na Europa – hoje ocupa apenas a segunda colocação do ranking do continente bem atrás da França com seus 3,3 bilhões de litros anuais em consumo.
Produção
A demanda em elevação, deve puxar a produção europeia de biodiesel e HVO que, em 2017, deverá chegar a um total de 14,1 bilhões de litros no mercado o que representa um avanço de 3,5% em entre 2016 e 2017.
Os dados da USDA também mostram que a indústria se tornou um empreendimento essencialmente doméstico. As importações que, em 2012, chegaram a 3,3 bilhões de litros, atualmente estão abaixo dos 550 milhões de litros.
Isso depois da UE ter imposto barreiras à entrada de biodiesel fabricado nos Estados Unidos e na Argentina de seu mercado.
Apesar isso, as usinas biodiesel europeias não estão se saindo tão bem quanto se poderia supor. Embora a produção de biodiesel deva chegar perto dos 11,3 bilhões de litros em 2017 – nível recorde para os fabricantes europeus – o nível de utilização da indústria continua patinando. Este ano a produção deverá ser de 44,6% da capacidade instalada e essa relação deverá cair para 44,3% no ano que vem.
Dessa vez, a competição não vem de fora da Europa, mas das usinas de HVO cuja produção deverá crescer 12% no próximo ano, totalizando 2,8 bilhões de litros. De 2010 para cá foram instaladas 13 fábricas desse biocombustível com uma capacidade para 4,2 bilhões de litros anuais.
Matéria-prima
Do ponto de vista das matérias-primas, as usinas da Europa estão se tornando menos dependentes da colza. Que, em 2009 a fatia desse óleo era de 72,4% do mercado ficara com meros 46,5% em 2017.
O óleo de cozinha usado será a matéria-prima com maior crescimento no período, chegando a 18,4% do mercado em 2017 com 2,3 bilhões de litros. A gordura animal também vai dobrar sua participação, chegando a 8%. Cerca de um bilhão de litros de biocombustível serão produzidos a partir desse tipo de matéria-prima. Isso é consistente com a tendência de a indústria usar mais resíduos que já havia sido apontada num relatório da FAO e da OCDE e também sinaliza que a indústria não deve simpeslmente desaparecer caso a UE realmente descotinui o uso de biocombustíveis convencionais.
Entre os óleos vegetais, a palma terá o crescimento mais significativo. Ela vai chegar a 15,5% do mercado com um consumo próximo de 2 bilhões de litros.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Apesar das incertezas sobre seu destino a partir de 2020, nem tudo são más notícias para os fabricantes de biodiesel da União Europeia (UE). Depois de patinar durante vários anos, o mercado parece estar pronto para engrenar novamente e retomar o crescimento. Essa é uma das conclusões que podem ser tiradas a partir dos dados e projeções que constam da edição deste ano do Relatório Anual de Biocombustíveis elaborado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
O sinal mais encorajador vem de um reaquecimento na demanda dos 28 estados-membros do bloco europeu – o Reinou Unido ainda está incluído, apesar do recente resultado do plebiscito que autoriza o governo britânico a negociar seu desligamento da UE. Entre este ano e o final de 2017, o consumo por biodiesel e óleo vegetal hidrotratado (HVO) dos europeus deverá avançar 2,3% voltando a superar, pela primeira vez num período de seis anos a marca de 14 bilhões de litros consumidos.
O número exato será pouco inferior a 14,3 bilhões de litros. Se confirmado, ele representará um novo recorde para o mercado da UE – superando os quase 14,1 bilhões de litros de 2010. Para dar uma ideia da dimensão do mercado europeu, basta ter em mente que a segunda praça mais importante para o produto, os Estados Unidos, consumiu cerca de 4,7 bilhões no ano passado.
Esse avanço deverá vir principalmente do crescimento na adição de biodiesel ao diesel de petróleo. Segundo a USDA, o mercado de óleo diesel rodoviário deverá permanecer basicamente estável ao longo dos próximos anos – crescimento de magros 0,3%.
Geografia da retomada
O mercado europeu de biodiesel avançou de forma acelerada até 2010 – com índices de crescimento de dois dígitos ao ano – quanto parece ter batido de frente num muro de tijolos.
Entre 2010 e 2012, a demanda chegou a encolher perto de 6% e, apesar de ter retomado parte do terreno perdido em 2013, o crescimento tem se mantido praticamente em ponto morto desde então com índices inferiores a um ponto percentual ao ano.
O mercado será puxado principalmente pelo Reino Unido cujo consumo em 2017 deverá superar a marca de um bilhão de litros – um crescimento de mais de 12%, cerca de 110 milhões de litros sobre as projeções para o ano atual.
Portugal e o da Holanda também apresentação avanços robustos com 20,5% e 11,1%, respectivamente. Isso fará com que o mercado europeu acrescente 315 milhões de litros em demanda em apenas um ano.
Dos grandes centros consumidores de biodiesel na Europa, apenas o da Alemanha deve continuar recuando. A expectativa é de uma queda de 5% no consumo que deverá encerra 2017 abaixo dos 2,3 bilhões de litros.
A Alemanha -- que já foi o líder do biodiesel na Europa – hoje ocupa apenas a segunda colocação do ranking do continente bem atrás da França com seus 3,3 bilhões de litros anuais em consumo.
Produção
A demanda em elevação, deve puxar a produção europeia de biodiesel e HVO que, em 2017, deverá chegar a um total de 14,1 bilhões de litros no mercado o que representa um avanço de 3,5% em entre 2016 e 2017.
Os dados da USDA também mostram que a indústria se tornou um empreendimento essencialmente doméstico. As importações que, em 2012, chegaram a 3,3 bilhões de litros, atualmente estão abaixo dos 550 milhões de litros.
Isso depois da UE ter imposto barreiras à entrada de biodiesel fabricado nos Estados Unidos e na Argentina de seu mercado.
Apesar isso, as usinas biodiesel europeias não estão se saindo tão bem quanto se poderia supor. Embora a produção de biodiesel deva chegar perto dos 11,3 bilhões de litros em 2017 – nível recorde para os fabricantes europeus – o nível de utilização da indústria continua patinando. Este ano a produção deverá ser de 44,6% da capacidade instalada e essa relação deverá cair para 44,3% no ano que vem.
Dessa vez, a competição não vem de fora da Europa, mas das usinas de HVO cuja produção deverá crescer 12% no próximo ano, totalizando 2,8 bilhões de litros. De 2010 para cá foram instaladas 13 fábricas desse biocombustível com uma capacidade para 4,2 bilhões de litros anuais.
Matéria-prima
Do ponto de vista das matérias-primas, as usinas da Europa estão se tornando menos dependentes da colza. Que, em 2009 a fatia desse óleo era de 72,4% do mercado ficara com meros 46,5% em 2017.
O óleo de cozinha usado será a matéria-prima com maior crescimento no período, chegando a 18,4% do mercado em 2017 com 2,3 bilhões de litros. A gordura animal também vai dobrar sua participação, chegando a 8%. Cerca de um bilhão de litros de biocombustível serão produzidos a partir desse tipo de matéria-prima. Isso é consistente com a tendência de a indústria usar mais resíduos que já havia sido apontada num relatório da FAO e da OCDE e também sinaliza que a indústria não deve simpeslmente desaparecer caso a UE realmente descotinui o uso de biocombustíveis convencionais.
Entre os óleos vegetais, a palma terá o crescimento mais significativo. Ela vai chegar a 15,5% do mercado com um consumo próximo de 2 bilhões de litros.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com