O mercado da UE de alternativas renováveis ao diesel está mudando: o HVO vem aumentando a produção e tomando parte do mercado de do biodiesel.
Embora continue avançado, o mercado da União Europeia de alternativas renováveis ao óleo diesel está, aos poucos, mudando suas feições: o reinado do biodiesel já não parece mais tão absoluto à medida em que a produção do óleo vegetal hidrotratado (HVO) começa a ganhar mais musculatura. É isso o que mostram os números mais recentes do Relatório Anual de Biocombustíveis da UE publicada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Embora continue avançado, o mercado da União Europeia de alternativas renováveis ao óleo diesel está, aos poucos, mudando suas feições: o reinado do biodiesel já não parece mais tão absoluto à medida em que a produção do óleo vegetal hidrotratado (HVO) começa a ganhar mais musculatura. É isso o que mostram os números mais recentes do Relatório Anual de Biocombustíveis da UE publicada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
O documento traz projeções para o mercado até o ano de 2018. Os números compilados pelo governo norte-americano indicam que a produção total nos 28 países-membros do bloco europeu deverá somar 16,1 bilhões de litros – 12,6 bilhões de litros de biodiesel e 3,47 bilhões de litros de HVO.
Se o número realmente se confirmar, ele representará um crescimento de 5,4% em relação ao volume esperado para este ano – 15,3 bilhões de litros –, esse seria o maior crescimento anual desde 2015.
Mudança
Só que, enquanto o biodiesel vem se mantendo relativamente estável, os fabricantes de HVO pisaram na tábua.
No período entre 2011 e 2018, acompanhado no relatório do USDA, a produção de biodiesel avançou a uma taxa anualizada de meros 1,7%. Inclusive com alguns períodos negativos. Enquanto isso o HVO avançou a um ritmo de 37,1% anuais. A maior parte desse crescimento, no entanto, parece concentrada apenas nos quatro primeiros anos da série. De 2015 em diante, a produção do HVO tem avançado a níveis bem mais moderados – de apenas um digito por ano. Este ano, por exemplo, a expansão será de 5,2% para o HVO contra 3,6% do biodiesel.
Em 2018, no entanto, a USDA espera que o HVO experimente mais um estirão de crescimento com um salto de aproximadamente 35%. Já o biodiesel terá mais um ano negativo com -0,6% de queda no volume produzido.
Consolidação
Com a produção de biodiesel estabilizada, o mercado vem passando por um processo de consolidação. Das 265 usinas que estavam ativas na UE em 2011, praticamente um quarto saiu do mercado – 64 plantas já fecharam as portas até este ano.
Com isso capacidade instalada que já foi de 24,9 bilhões de litros no começo do período recuou para pouco mais de 21,1 bilhões de litros este ano. Um movimento que foi parcialmente compensado pelo aumento da capacidade média das unidades produtivas – uma usina europeia típica podia fabricar até 93,9 milhões de litros em 2011 contra 105,2 milhões de litros agora.
Em compensação, as plantas têm visto seu nível médio de ocupação se recuperar. De meros 44,4% em 2011 para 60,1% este ano.
Enquanto isso, o setor de HVO avançou. O número de usinas triplicou – de 4 para 12 – enquanto a capacidade instalada dobrou atingindo a marca de 3,4 bilhões de litros anuais. Em média, cada unidade produtiva europeia pode fabricar até 287,5 milhões de litros de biocombustível ao ano.
O nível de utilização da capacidade também está bem melhor do que no setor de biodiesel com 74,5%.
Países
O mercado de biodiesel na UE continua dominado pela Alemanha que, este ano, deverá responder 3,5 bilhões de litros – cerca de um quarto da produção total do bloco.
A participação das usinas de biodiesel alemãs, no entanto, vem recuando. Até 2014, elas respondiam por mais de 30% da produção. De lá para cá, a fatia delas só tem feito recuar e deve fechar 2017 com 27,7% -- o menor patamar desde 2011.
Já a Espanha vem conquistando espaço. Entre 2012 e este ano, as usinas de biodiesel espanholas avançaram de 4,9% do mercado para 11,7%.
Na produção de HVO a liderança cabe à Holanda. Serão 1,2 bilhão de litros em 2017.
Matérias-Primas
A composição das matérias-primas das alternativas ao diesel na UE também vem mudando. O óleo de colza que representava 67,3% da produção em 2011 vem recuando continuamente e ficará com 45,6% neste ano.
O segundo lugar deve ficar com o óleo de palma com 19,2%, mas eles parecem ter atingido seu teto e tem ficado basicamente estável ao longo dos últimos anos.
Já os óleos e gorduras reaproveitados (OGRs) vem avançando no mercado europeu indo de 6,8% para 18,5% este ano. A expectativa do USDA é que as matérias-primas reaproveitadas ultrapassem a barreira de 20% do mercado a partir do ano que vem.
A íntegra do relatório do USDA (em inglês) pode ser baixada clicando aqui.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Embora continue avançado, o mercado da União Europeia de alternativas renováveis ao óleo diesel está, aos poucos, mudando suas feições: o reinado do biodiesel já não parece mais tão absoluto à medida em que a produção do óleo vegetal hidrotratado (HVO) começa a ganhar mais musculatura. É isso o que mostram os números mais recentes do Relatório Anual de Biocombustíveis da UE publicada pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
O documento traz projeções para o mercado até o ano de 2018. Os números compilados pelo governo norte-americano indicam que a produção total nos 28 países-membros do bloco europeu deverá somar 16,1 bilhões de litros – 12,6 bilhões de litros de biodiesel e 3,47 bilhões de litros de HVO.
Se o número realmente se confirmar, ele representará um crescimento de 5,4% em relação ao volume esperado para este ano – 15,3 bilhões de litros –, esse seria o maior crescimento anual desde 2015.
Mudança
Só que, enquanto o biodiesel vem se mantendo relativamente estável, os fabricantes de HVO pisaram na tábua.
No período entre 2011 e 2018, acompanhado no relatório do USDA, a produção de biodiesel avançou a uma taxa anualizada de meros 1,7%. Inclusive com alguns períodos negativos. Enquanto isso o HVO avançou a um ritmo de 37,1% anuais. A maior parte desse crescimento, no entanto, parece concentrada apenas nos quatro primeiros anos da série. De 2015 em diante, a produção do HVO tem avançado a níveis bem mais moderados – de apenas um digito por ano. Este ano, por exemplo, a expansão será de 5,2% para o HVO contra 3,6% do biodiesel.
Em 2018, no entanto, a USDA espera que o HVO experimente mais um estirão de crescimento com um salto de aproximadamente 35%. Já o biodiesel terá mais um ano negativo com -0,6% de queda no volume produzido.
Consolidação
Com a produção de biodiesel estabilizada, o mercado vem passando por um processo de consolidação. Das 265 usinas que estavam ativas na UE em 2011, praticamente um quarto saiu do mercado – 64 plantas já fecharam as portas até este ano.
Com isso capacidade instalada que já foi de 24,9 bilhões de litros no começo do período recuou para pouco mais de 21,1 bilhões de litros este ano. Um movimento que foi parcialmente compensado pelo aumento da capacidade média das unidades produtivas – uma usina europeia típica podia fabricar até 93,9 milhões de litros em 2011 contra 105,2 milhões de litros agora.
Em compensação, as plantas têm visto seu nível médio de ocupação se recuperar. De meros 44,4% em 2011 para 60,1% este ano.
Enquanto isso, o setor de HVO avançou. O número de usinas triplicou – de 4 para 12 – enquanto a capacidade instalada dobrou atingindo a marca de 3,4 bilhões de litros anuais. Em média, cada unidade produtiva europeia pode fabricar até 287,5 milhões de litros de biocombustível ao ano.
O nível de utilização da capacidade também está bem melhor do que no setor de biodiesel com 74,5%.
Países
O mercado de biodiesel na UE continua dominado pela Alemanha que, este ano, deverá responder 3,5 bilhões de litros – cerca de um quarto da produção total do bloco.
A participação das usinas de biodiesel alemãs, no entanto, vem recuando. Até 2014, elas respondiam por mais de 30% da produção. De lá para cá, a fatia delas só tem feito recuar e deve fechar 2017 com 27,7% -- o menor patamar desde 2011.
Já a Espanha vem conquistando espaço. Entre 2012 e este ano, as usinas de biodiesel espanholas avançaram de 4,9% do mercado para 11,7%.
Na produção de HVO a liderança cabe à Holanda. Serão 1,2 bilhão de litros em 2017.
Matérias-Primas
A composição das matérias-primas das alternativas ao diesel na UE também vem mudando. O óleo de colza que representava 67,3% da produção em 2011 vem recuando continuamente e ficará com 45,6% neste ano.
O segundo lugar deve ficar com o óleo de palma com 19,2%, mas eles parecem ter atingido seu teto e tem ficado basicamente estável ao longo dos últimos anos.
Já os óleos e gorduras reaproveitados (OGRs) vem avançando no mercado europeu indo de 6,8% para 18,5% este ano. A expectativa do USDA é que as matérias-primas reaproveitadas ultrapassem a barreira de 20% do mercado a partir do ano que vem.
A íntegra do relatório do USDA (em inglês) pode ser baixada clicando aqui.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com