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UE pode deixar de exigir combustíveis renováveis nos transportes

Na revisão da Diretiva de Energias Renováveis, a União Europeia pode abrir mão da meta específica de energia limpa para o setor de transportes.
BiodieselBR.com 3 min de leitura
O mercado de biocombustíveis da União Europeia (UE) pode estar a caminho de uma reviravolta completa. Desde junho de 2009 – quando o Europarlamento aprovou a Diretiva de Energia Renovável (RED, na sigla em inglês) – a indústria europeia passou a operar com sob a perspectiva de que a partir de 2020 todos os 28 estados-membros do bloco estariam obrigados a usar 10% de energia renovável no setor de transportes. Essa obrigatoriedade pode não se materializar mais.

O mercado de biocombustíveis da União Europeia (UE) pode estar a caminho de uma reviravolta completa. Desde junho de 2009 – quando o Europarlamento aprovou a Diretiva de Energia Renovável (RED, na sigla em inglês) – a indústria europeia passou a operar com sob a perspectiva de que a partir de 2020 todos os 28 estados-membros do bloco estariam obrigados a usar 10% de energia renovável no setor de transportes. Essa obrigatoriedade pode não se materializar mais.

Até o final do ano, a Comissão Europeia deve realizar uma revisão da RED que pode simplesmente acabar com qualquer meta específica de consumo de renováveis no segmento de transportes para o período posterior a 2020.

Essa mudança foi confirma na semana passada pela diretora de renováveis da Comissão Europeia, Marie Donnelly. “A continuidade de submetas para o setor de transportes é algo que não foi aceita e não será mantida na proposta”, disse ela confirmando que a nova RED se resumirá a uma meta única não obrigatória de consumo de energias renováveis que valerá para todos os países do bloco europeu.

Uma proposta preliminar apresentada em outubro de 2014 já apontava nessa direção.

Controvérsia

Vistos como uma solução para reduzir a dependência da economia da Europa em relação ao petróleo, os biocombustíveis são vistos com crescente desconfiança pelo público europeu. Os biocombustíveis de primeira geração são acusados de terem efeitos adversos como a competição por recursos agrícolas escassos e o desmatamento de florestas para o plantio de culturas energéticas.

Para reduzir a controvérsia, a UE havia limitado a quantidade de biocombustíveis da primeira geração a 7% da meta do RED para a indústria dos transportes. Os outros 3% teriam que vir de outras fontes de energia sendo que os chamados biocombustíveis de segunda geração – feitos com biomassa residual e/ou matérias-primas alternativas – receberiam um multiplicador que faria cada litro conta como dois.

Possível meta

Para não abandonar a indústria de biocombustíveis totalmente à própria sorte, uma alternativa que está sendo ponderada pela Comissão Europeia. A ideia seria passar das atuais metas fixadas como parte da política de combate às mudanças climáticas para a inclusão da mistura de um percentual de biocombustíveis diretamente nas especificações de qualidade dos combustíveis.

“Uma mistura mandatória seria um elemento importante”, comentou Pekka Koponen, diretor da com companhia energética de finlandesa Kaidi que tem na bioenergia de segunda geração fabricada a partir de biomassa florestal uma de suas principais apostas. Os biocombustíveis devem continuar um elemento importante nos esforços de descarbonização em diversos segmentos como o de aviação ou o de transportes de carga.

Ainda não há posição formada a esse respeito. “No momento estamos conversando. Vamos continuar a desenvolver modelos sobre os custos e implicações [de acabar com a meta de 10%]”, diz Donnelly.

Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
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