Biocombustíveis ficam fora de metas de emissão de carbono da Europa
Comissão Europeia enfureceu fabricantes de biocombustíveis ao não incluir metas de emissões para o setor de transportes posteriores a 2020.
BiodieselBR.com ··4 min de leitura
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A Comissão Europeia (CE) apresentou ontem uma comunicação na qual detalha os parâmetros para políticas de clima e energia a serem adotadas pela União Europeia (UE) a partir de 2020. O documento enfureceu os fabricantes de biocombustíveis por não incluir metas claras para o setor de transportes, o que aumentam as – já consideráveis – incertezas que vêm pairando sobre o futuro deste segmento.
O comunicado da CE estabelece como meta geral que os países-membros da UE reduzam suas emissões em 40% sobre os níveis de GEEs de 1990 e que passem a usar 27% de energias renováveis até 2030. O presidente da EC, José Manuel Barros qualificou essas metas como “ambiciosas”. “É do interesse da UE construir uma economia geradora de empregos que dependa menos de energia importada”, disse.
As empresas do setor de biocombustíveis, no entanto, parecem ter pouco com o que comemorar.
A Comissão Europeia (CE) apresentou ontem uma comunicação na qual detalha os parâmetros para políticas de clima e energia a serem adotadas pela União Europeia (UE) a partir de 2020. O documento enfureceu os fabricantes de biocombustíveis por não incluir metas claras para o setor de transportes, o que aumentam as – já consideráveis – incertezas que vêm pairando sobre o futuro deste segmento.
O comunicado da CE estabelece como meta geral que os países-membros da UE reduzam suas emissões em 40% sobre os níveis de GEEs de 1990 e que passem a usar 27% de energias renováveis até 2030. O presidente da EC, José Manuel Barros qualificou essas metas como “ambiciosas”. “É do interesse da UE construir uma economia geradora de empregos que dependa menos de energia importada”, disse.
As empresas do setor de biocombustíveis, no entanto, parecem ter pouco com o que comemorar. O documento apresentado afirma textualmente que a “Comissão [Europeia] não considera apropriado estabelecer novas metas para energia renovável ou para a intensidade de gases do efeito estufa em combustíveis usados pelo setor de transportes ou seus subsetores após 2020”. Além disso, o texto diz que biocombustíveis de 1ª geração “desempenham um papel limitado na descarbonizarão do setor de transportes” que apontou para a retirada de todo o apoio para esse tipo de combustível a partir de 2020.
Reação O secretário geral da European Biodiesel Board (EBB), Raffaello Garofalo, afirmou que o texto da EC está “simplesmente errado e mal orientado”. “Apesar das incertezas, os investidores do ramo de biodiesel querem continuar contribuindo para a mobilidade sustentável”, comentou.
Segundo um comunicado divulgado pela EBB, o setor de transportes já é responsável por um quarto das emissões europeias e, até 2020, será a maior fonte de emissões nos países da UE – ultrapassando os segmentos de geração de energia e calefação. Os transportes também são grandes consumidores óleo diesel importado. “O transporte está no coração da economia europeia, mas, mesmo assim, a comunicação não parece levar em conta os desafios que a elevada conta de energia que pagamos terá para o crescimento futuro”, criticou Garofalo.
Rob Vierhout, secretário geral da ePure – associação dos fabricantes de etanol –, também criticou a decisão de deixar a área de transportes de fora. “Essa proposta é míope (...) ela ignora o elefante na sala que é o crescimento constante nas emissões de GEEs dos transportes europeus”, disse.
Estranhamento A CE e a indústria de biocombustíveis já vinham se estranhando desde que o órgão começou a discutir propostas para limitar o uso de biocombustíveis de 1ª geração. A ideia seria aumentar os incentivos aos biocombustíveis avançados – fabricados biomassas residuais e/ou de culturas energéticas que não disputam recursos com a produção de alimentos –, mas o texto publicado ontem parece ir numa outra direção. Segundo Garofalo, sem metas para depois de 2020, novos investimentos – em biocombustível de 1ª e de 2ª gerações – tendem a ser paralisados colocando em dúvida o futuro de toda a indústria.
O comunicado da CE não tem força de lei, mas estabelece os pilares sobre os quais vai se dar debate das políticas europeias de redução de gases do efeito estufa (GEEs) entre 2020 e 2030. O processo decisório ainda deverá se arrastar durante vários meses e envolverá o Parlamento Europeu e o Conselho Europeu.
A comunicação da EC “A policy framework for climate and energy in the period from 2020 to 2030” pode ser baixada na íntegra clicando aqui (em inglês).