
O governo da França está tentando ampliar o limite imposto pelo Parlamento Europeu para a mistura de biocombustíveis convencionais.
Os produtores de biodiesel europeus ganharam uma importante aliada na batalha para ampliar pelo menos um pouco o limite que o Parlamento Europeu estabeleceu para o uso de biocombustíveis de 1ª geração no setor de transportes em 2020. Nem bem passaram duas semanas da votação e o governo da França quer rever o limite para cima.
O ministro da Agricultura da França, Stephane Le Foll, sinalizou que o país se empenhará para que o teor de participação dos biocombustíveis convencionais sele elevado para 7%. Na votação do último dia 11 o Parlamento Europeu aprovou 6%, mas a decisão não é definitiva, pois depende da aprovação do Conselho de Ministros.
E é a esses ministros que a França – a segunda maior fabricante de biocombustíveis na União Europeia depois da Alemanha – pretende convencer que qualquer patamar abaixo dos 7% teria um resultado catastrófico.
Com o consumo de biocombustíveis de 1ª geração já em torno de 5% do total da demanda de transporte da EU, muitos dos estados-membros do bloco europeu já fizeram os investimentos necessários para atender à meta de 10% prevista pela Diretiva Europeia de Energias Renováveis. Dentro desse contexto, um limite de 5% ou 6% afetaria seriamente a indústria de biocombustíveis.
Maior produtora de biodiesel da Europa, a Diester Industrie – subsidiária do grupo industrial francês Sofiproteol – informou em julho que iria fechar uma usina e reestruturar toda a operação de biodiesel para adequá-la ao nível de incorporação de 7% de biocombustíveis no país. E alertou que níveis mais baixos de mistura podem levar a novos encerramentos.
A proposta original levara ao Parlamento Europeu era ainda mais restritiva e previa limitar o consumo de biocombustíveis convencionais a 5%, o texto aprovado pelos eurodeputados já foi visto como uma concessão aos produtores. Contudo, esse embate ainda promete novos rounds.
Cátia Franco – BiodieselBR.com