Agência prevê crescimento irrisório do mercado neste ano e congela uso do biodiesel em 2021
A indústria de biocombustíveis dos Estados Unidos praticamente não vai sair do lugar em que se encontra no próximo ano. A Agência de Proteção Ambiental (EPA) do governo dos Estados Unidos divulgou nessa sexta-feira (05) as metas preliminares do Renewable Fuel Standard (RFS) para 2020 e para o biodiesel em 2021. Para o setor de biodiesel, a perspectiva aponta para um congelamento na demanda em 9,2 bilhões de litros.
A indústria de biocombustíveis dos Estados Unidos praticamente não vai sair do lugar em que se encontra no próximo ano. A Agência de Proteção Ambiental (EPA) do governo dos Estados Unidos divulgou nessa sexta-feira (05) as metas preliminares do Renewable Fuel Standard (RFS) para 2020 e para o biodiesel em 2021. Para o setor de biodiesel, a perspectiva aponta para um congelamento na demanda em 9,2 bilhões de litros.
A publicação desta sexta-feira confirma os números que haviam sido antecipados pela Reuters quando a proposta havia sido encaminhada pela EPA, ainda em caráter privado, à Casa Branca.
Os números divulgados mostram que a expectativa da agência é que as petroleiras atuantes no mercado norte-americano adicionem um total de 75,8 bilhões de litros de biocombustíveis a seus produtos no ano que vem. Destes, o etanol responderá por 56,8 bilhões de litros e os “biocombustíveis avançados” – categoria que inclui o biodiesel – responderão por 19 bilhões de litros.
Entre todos os biocombustíveis comercialmente fabricados nos EUA, o setor de biodiesel é o único que ainda pode contar com um crescimento robusto no ano que vem. A meta fixada em 2018 – o biodiesel é o único biocombustível cujos valores são definidos com um ano de antecedência – é 15,7% maior que a atual indo de 7,9 para 9,2 bilhões de litros.
O problema é, como esse aumento não será acompanhado pelo restante da categoria avançados, o biodiesel simplesmente ocupará um espaço maior do mercado, limitando indiretamente o potencial de crescimento. Este ano, as usinas norte-americanas poderiam – além de sua meta – comercializar outros um pouco mais de 4 bilhões de litros no mercado de avançados, em 2020 essa margem cairá para 3,1 bilhões de litros.
Além disso, as usinas já estão de olho em 2021 quando o crescimento para o setor de biodiesel será zero. Para o setor de etanol, o congelamento das metas já dura quatro anos seguidos. A meta de 56,8 bilhões de litros entrou em vigor em 2017 e não é revisada desde então. “A proposta manda um sinal preocupante para os fabricantes de biodiesel e diesel renovável dos Estados Unidos de que a EPA pretende limitar o crescimento do mercado dos combustíveis limpos”, reclamou Kurt Kovarik, vice-presidente da Associação Nacional do Biodiesel (NBB), principal associação do setor.
Insatisfação
A proposta do governo Trump foi mal recebida pelo setor de biocombustíveis para quem o aumento pouco expressivo oculta uma redução de fato nas metas. Isso porque, nos últimos anos, a EPA aumentou consideravelmente o número de refinarias de petróleo isentas da política de uso de biocombustíveis.
Pelos cálculos da principal associação de fabricante de biodiesel dos EUA, entre 2015 e 2017 as isenções reduziram a demanda em 1,13 bilhão de litros.
A insatisfação também é forte no setor de etanol. “A EPA optou por continuar sua campanha pela destruição da demanda [de biocombustíveis] que vem afetando tanto os produtores de etanol quanto os agricultores que abastecem nossa indústria”, reclamou Geoff Cooper, presidente da Associação de Combustíveis Renováveis.
O diretor executivo da Associação do Biodiesel de Iowa – um dos principais estados produtores dos EUA –, Grant Kimberley, foi ainda mais duro. “A EPA mostrou sua intenção de fazer o suprimento de biocombustíveis dos EUA caminhar para trás, se curvando aos interesses da indústria de petróleo”, afirmou.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com
Com informações Bloomberg