Com a produção de soja em expansão e oferta de gordura animal, Brasil está bem colocado para expandir a produção de biodiesel
O setor de biodiesel é uma indústria de números grandes. No ano passado – que foi um ano fraco – a produção nacional passou dos 6,25 milhões de m³. Cerca de 65% disso tudo foi feito com óleo de soja o que deu mais de 4,22 milhões de m³. Outros 778,3 mil m³ – 12,1% do dotal – foram derivados de gorduras animais. Assegurar que a indústria tenha acesso aos volumes de matéria-prima de que precisa é absolutamente fundamental para que o setor opere com segurança.
Destrinchar as perspectivas da oferta de matérias-primas para a produção de biodiesel foi o tema do 5º painel da Conferência BiodieselBR 2023 cujo título foi “A Queda de Preço das Matérias-Primas do Biodiesel” que teve como palestrantes a analista sénior do Rabobank, Marcela Fernandez Marini; e o presidente executivo da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra), Décio Coutinho.
Recorde no campo
Segundo Marcela Marino capitalizados por três anos consecutivos de preços muito bons, os sojicultores brasileiros têm feito investimentos importantes. “Os produtores investiram muito em maquinário, tivemos vendas recordes de máquinas agrícolas”, diz acrescentando, que, como resultado, a produtividade no campo vem crescendo. Esse impulso, no entanto, não se transferiu para os elos seguintes da cadeia. “Faltam investimentos para absorver essa oferta maior de soja. Faltam armazenamento e portos para o escoamento da safra; esmagamento até tem avançado, mas de um maneiro um pouco mais lenta do que o campo”, complementa.
O setor de biodiesel é uma indústria de números grandes. No ano passado – que foi um ano fraco – a produção nacional passou dos 6,25 milhões de m³. Cerca de 65% disso tudo foi feito com óleo de soja o que deu mais de 4,22 milhões de m³. Outros 778,3 mil m³ – 12,1% do dotal – foram derivados de gorduras animais. Assegurar que a indústria tenha acesso aos volumes de matéria-prima de que precisa é absolutamente fundamental para que o setor opere com segurança.
Destrinchar as perspectivas da oferta de matérias-primas para a produção de biodiesel foi o tema do 5º painel da Conferência BiodieselBR 2023 cujo título foi “A Queda de Preço das Matérias-Primas do Biodiesel” que teve como palestrantes a analista sénior do Rabobank, Marcela Fernandez Marini; e o presidente executivo da Associação Brasileira de Reciclagem Animal (Abra), Décio Coutinho.
Recorde no campo
Segundo Marcela Marino capitalizados por três anos consecutivos de preços muito bons, os sojicultores brasileiros têm feito investimentos importantes. “Os produtores investiram muito em maquinário, tivemos vendas recordes de máquinas agrícolas”, diz acrescentando, que, como resultado, a produtividade no campo vem crescendo. Esse impulso, no entanto, não se transferiu para os elos seguintes da cadeia. “Faltam investimentos para absorver essa oferta maior de soja. Faltam armazenamento e portos para o escoamento da safra; esmagamento até tem avançado, mas de um maneiro um pouco mais lenta do que o campo”, complementa.
Esse descompasso fez com que os grãos da maior safra brasileira de soja da história – com 156 milhões de toneladas – começassem a chegar aos portos justamente num momento em que a demanda global não estava tão aquecida. O resultado foi que as exportações não engrenaram tão rápido quanto os sojicultores estavam acostumados. “Isso pressionou os preços no mercado interno”, resume.
Há também uma questão de fundo. Segundo a analista do Rabobank, a China vem aumentando o fator de conversão animal de suas criações. Ou seja, eles conseguem elevar a produção de carnes sem que o consumo de farelo de soja avance na mesma proporção o que tem afetado as margens dos esmagadores chineses. A consequência, é que o apetite do país asiático por soja não tem sido tão elevado.
Apesar da colheita recorde, as exportações brasileiras de soja para seu maior cliente ainda não vêm atingindo os volumes que chegaram a apresentar na safra 2019/20 – anterior à pandemia do novo coronavírus.
O gargalo na exportação empurrou os prêmios pagos pela soja brasileira para o campo negativo com uma intensidade que não era vista há quase 10 anos. “Os prêmios foram do céu ao inferno, não víamos prêmios tão negativos assim desde 2013 e 2014 quando tivemos problemas de logística sérios”, ressalta.
Esse problema foi potencializado ainda mais com a colheita do milho da safra de inverno. “O milho está incomodando a soja. Está disputando espaço em armazéns, portos e caminhões”, avalia.
Para a analista não há uma solução rápida à vista. Segundo ela, os fatores que levaram à atual baixa nos preços internos devem continuar em 2024 quando se espera um novo recorde de produção. “Vamos precisar de investimentos para absorver a safra 2023/24”, diz. “Teremos duas safras recordes seguira com uma estrutura que é a mesma de cinco anos atrás”, complementa.
Comercialização lenta
E apesar da sobreposição de fatores baixistas, os produtores têm se mostrado mais avessos a comercializar antecipadamente. Segundo Marcela, a safra 2023/24 está só 28% vendida; bem abaixo da média histórica de 34%. Num contexto em que os preços tendem a cair, isso aumenta o risco para os produtores. “A comercialização está atrasada e devemos ter preços ainda mais pressionados no futuro”, comenta.
Mesmo enfrentando margens menos atraentes que as dos últimos anos, a produção nacional de soja tende a continuar crescendo embora em ritmo mais lento. “Quem investiu na compra de terras vai aumentar a área plantada”, diz. E, apesar de ser quase certo que teremos um novo El Niño nesta temporada, as perspectivas para a produção brasileira seguem favoráveis.
Com isso, Marcela destaca que o mundo – mas especialmente o Brasil – deverá acumular estoques de soja. “Com mais estoques, o Brasil fica mais barato que o resto do mundo (...) o que pode gerar um estresse de preços. (...) Para o biodiesel isso tende a ser favorável porque vamos ter disponibilidade de soja a um preço menor no mercado interno”, conclui.
Gordura animal
Outro fornecedor de matérias-primas importante para as usinas de biodiesel é o setor de reciclagem animal que, hoje, conta com 305 empresas registradas no Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA). Dessas, 244 são filiadas à Abra. Segundo o presidente executivo da entidade, Décio Coutinho, setor processa 13 milhões de toneladas de resíduos animais gerando 5,7 milhões de toneladas de farinhas proteicas e 2 milhões de toneladas de gorduras.
É uma oferta pouco elástica. “Diferente do óleo a gente não tem a possiblidade de aumentar nossa produção porque dependemos do resultado a pecuária”, reconhece Décio. “Em compensação, nossa produção é mais estável porque os abates acontecem ao longo de todo o ano”, complementa.
Um limitador para o aumento da oferta de gorduras para a produção de biodiesel vem do fato que isso vai na contramão do que a indústria de proteínas tem buscado. “Hoje os trabalhos realizados em genética e alimentação visam a produção de uma carcaça com menos gordura e mais carne”, ponta dizendo que o mesmo movimento acontece com bovinos, suínos e aves.
Isso tem aparece na redução relativa do peso das gorduras animais na oferta global de óleos e gorduras. Apesar de ter avançado de 18,3 milhões de toneladas no começo dos anos 1960 para 26,1 milhões de toneladas em 2019; percentualmente a fatia que o material de origem animal representava na oferta recuou de 49,4% para 11,1%.
Valorização
Segundo Décio, o lançamento do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB) foi um ponto de virada. “Até o biodiesel, a gordura era o que sobrava. A gente fazia farinhas com até 15% de gordura, agora tem de 8% a 9% porque passamos a ter um mercado competitivo e demanda”, relata destacando que o biodiesel consegue usar gorduras de baixo grau de qualidade e alto nível de ácidos graxos.
Um novo impulso está sendo sentido em função dos programas de descarbonização. Por ser considerado um resíduo, o uso de gorduras animais em biocombustíveis tende a ser incentivada por regulações de sustentabilidade e esquemas de geração de créditos de carbono.
Fábio Rodrigues – BiodieselBR.com