A palestra do gerente de da Raízen, Juliano Tamaso, ajudou a jogar um pouco mais de luz sobre a forma como as distribuidoras vem o sistema de comercialização de biodiesel.
Em geral, quando BiodieselBR.com fala sobre os Leilões de Biodiesel o faz sob o ponto de vista dos fabricantes deste biocombustível. Embora esse seja um recorte perfeitamente válido, ele tende a deixar de fora o lado das distribuidoras dentro desse processo – até porque as aquisições das distribuidoras acontecem são sigilosas para manter a concorrência do processo. A palestra do gerente de originação de biocombustíveis da Raízen, Juliano Tamaso, ajudou a jogar um pouco mais de luz sobre esse ponto cego do sistema de comercialização de biodiesel.
Em geral, quando BiodieselBR.com fala sobre os Leilões de Biodiesel o faz sob o ponto de vista dos fabricantes deste biocombustível. Embora esse seja um recorte perfeitamente válido, ele tende a deixar de fora o lado das distribuidoras dentro desse processo – até porque as aquisições das distribuidoras acontecem são sigilosas para manter a concorrência do processo. A palestra do gerente de originação de biocombustíveis da Raízen, Juliano Tamaso, ajudou a jogar um pouco mais de luz sobre esse ponto cego do sistema de comercialização de biodiesel.
Criada em 2011 a partir de uma joint venture entre a brasileira Cosan e a angloholandesa Shell. A empresa conta com uma rede 5,2 mil postos e distribui cerca de 23 bilhões de litros de combustíveis por ano sendo um dos raros players integrados do setor de combustíveis líquidos.
Tamaso confirma um velho adágio do setor ao dizer que nem tudo nos leilões de biodiesel é preço. “A gente tem que otimizar as compras de biodiesel para que sejamos competitivos. Para a gente de distribuição, a questão logística é fundamental e tem um peso importante nas decisões que a gente toma”, destaca.
Etanol
Sendo um player importante no mercado global de etanol, Tamaso lembra que o álcool tem um histórico bem mais longo que o do biodiesel tendo sido criado ainda em 1975 com o lançamento do Pró-Alcool tendo se beneficiado de quase 40 anos de evolução. “Já a história do biodiesel começa praticamente 30 anos depois do etanol”, lembra. “Os dois produtos [etanol e biodiesel] têm trajetórias bem diferentes. O fato do etanol ter mais tempo amadurece o mercado como tem que ser”, destaca.
De qualquer forma, os dois produtos – etanol e biodiesel – estão inseridos num mercado mais amplo e que deverá crescer ainda mais nos próximos anos a medida que em outros produtos forem incorporados como o biogás, os bioplásticos, bioQAV e o próprio etanol de 2ª geração. “Os dois produtos caminham juntos na evolução da maturidade do mercado”, ressalta.
Não significa que os dois produtos não tenham diferenças importantes entre si. O etanol, por exemplo, tem mercado completamente livre enquanto a compra e venda de biodiesel é mediada por um sistema de leilões públicos com preços referenciados pela ANP. “No etanol também tempos um grande balizador dos preços que é a Esalq [Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP]”, acrescenta.
Outro fator que diferencia bastante os dois produtos está na logística. Enquanto o biodiesel é dependente de uma matriz essencialmente rodoviária de transportes com alguma movimentação ferroviária ainda muito incipiente, no etanol você já tem um mix de modais muito mais sofisticado à disposição do mercado. “Temos agora o ‘etanolduto’ e estamos transportando etanol para o Nordeste via cabotagem”, explica. “Temos buscado modais mais eficiente para operar no etanol”, completa.
Esse é um nó fundamental não somente no setor do biodiesel, mas para o país como um todo que, hoje, ocupa a 65ª posição no mundo num ranking de eficiência logística elaborado pelo Banco Mundial. “A gente ainda transporta muita coisa de caminhão”, reclama. Dados da Confederação Nacional dos Transportes indicam que vamos precisar investir R$ 1 trilhão em eficiência logística até 2030 se quisermos atingir o mesmo grau de eficiência de outros países na indústria de transportes. “Tem muita coisa para ser feita para termos um país mais competitivo e isso vale para o transporte de B100”, garante.
Uma solução que o setor de etanol tem buscado é a criação de hubs logísticos nos quais é possível concentrar as compras em locais atendidos por ferrovias de forma a reduzir a distância que precisa ser percorrida por caminhões. Essa e outras soluções estão permitindo tirar caminhões da rua para melhorar tanto as emissões de CO2 do setor como reduzir o número de acidentes envolvendo caminhões-tanque. “A gente precisa evoluir esse cenário para que possamos usar modais mais eficientes de transportes”, destaca.
Custo associado
“O custo do B100 precisa estar associado ao preço de transporte”, aponta revelando que a Raízen mantém um ranking das usinas de biodiesel em função da eficiência de carregamento delas. “Temos olhado isso como uma variável na hora de decidirmos se vamos comprar da usina A ou B. Isso é um fator que está além do preço”, comenta.
Esse ranking já beneficia usinas que ofereçam modais de transporte diferenciados. “O preço é uma variável importante, evidentemente. Mas o que nos interessa mesmo é o preço colocado em nossas bases de distribuição”, revela destacando que, hoje, a Raízen também tem feito bastante esforço para otimizar a utilização dos caminhões fazendo frete casado. “O ativo caminhão é caro e a gente tenta buscar essa eficiência em qualquer operação”, destaca.
Uma novidade para o setor de distribuição vem do fato de que em algumas grandes cidades estarem crescendo as restrições à circulação de caminhões. Isso quer dizer que ter flexibilidade nos horários de carregamento dos caminhões facilita com que o produto chegue no menor tempo possível a seu destino final.
Claro que tudo isso vem acompanhado de um grau de entendimento da qualidade do biodiesel vendido e do relacionamento comercial entre a usina e a Raízen. “Tudo isso junto faz com que a gente tome a decisão de compra do leilão”, complementa.
Fator Petrobras
No que diz respeito ao papel da Petrobras como intermediador geral do setor de biodiesel. Tamaso considera que os pontos são majoritariamente positivos. “Temos garantia maior de qualidade e organização maior no modelo de faturamento porque tudo isso passa pela Petrobras e facilita o planejamento logístico”, elogia.
A centralização da comercialização do biodiesel através dos leilões também permite ter uma segurança maior de que não haja fraudes na mistura. “É uma segurança que a gente precisa. No etanol [anidro] você tem a segurança de haver um teste simples que pode ser feito no posto para verificar a quantidade de álcool, no biodiesel é mais complicado”, destaca.
Contudo, colocar a Petrobras no circuito aumenta um pouco a velocidade de resposta quando algum problema acontece. “É natural, você coloca um elo a mais na cadeia e isso demanda um pouco mais de tempo”, diz.
Outro problema diz respeito à instabilidade do Sistema Petronect que às vezes atrapalha as compras nos leilões. “O sistema deveria funcionar 24 horas, 7 dias por semana, mas, em alguns momentos, a gente fica cego”, reclama ressaltando, no entanto, que não é um problema que aconteça o tempo todo
“Mas dado o grau de maturidade do mercado a gente vê muito mais vantagens de ter a Petrobras como parceira, mas, é claro, que o mercado tem que seguir seu caminho com sua evolução natural”, finaliza.
Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com
Em geral, quando BiodieselBR.com fala sobre os Leilões de Biodiesel o faz sob o ponto de vista dos fabricantes deste biocombustível. Embora esse seja um recorte perfeitamente válido, ele tende a deixar de fora o lado das distribuidoras dentro desse processo – até porque as aquisições das distribuidoras acontecem são sigilosas para manter a concorrência do processo. A palestra do gerente de originação de biocombustíveis da Raízen, Juliano Tamaso, ajudou a jogar um pouco mais de luz sobre esse ponto cego do sistema de comercialização de biodiesel.Criada em 2011 a partir de uma joint venture entre a brasileira Cosan e a angloholandesa Shell. A empresa conta com uma rede 5,2 mil postos e distribui cerca de 23 bilhões de litros de combustíveis por ano sendo um dos raros players integrados do setor de combustíveis líquidos.
Tamaso confirma um velho adágio do setor ao dizer que nem tudo nos leilões de biodiesel é preço. “A gente tem que otimizar as compras de biodiesel para que sejamos competitivos. Para a gente de distribuição, a questão logística é fundamental e tem um peso importante nas decisões que a gente toma”, destaca.
Etanol
Sendo um player importante no mercado global de etanol, Tamaso lembra que o álcool tem um histórico bem mais longo que o do biodiesel tendo sido criado ainda em 1975 com o lançamento do Pró-Alcool tendo se beneficiado de quase 40 anos de evolução. “Já a história do biodiesel começa praticamente 30 anos depois do etanol”, lembra. “Os dois produtos [etanol e biodiesel] têm trajetórias bem diferentes. O fato do etanol ter mais tempo amadurece o mercado como tem que ser”, destaca.
De qualquer forma, os dois produtos – etanol e biodiesel – estão inseridos num mercado mais amplo e que deverá crescer ainda mais nos próximos anos a medida que em outros produtos forem incorporados como o biogás, os bioplásticos, bioQAV e o próprio etanol de 2ª geração. “Os dois produtos caminham juntos na evolução da maturidade do mercado”, ressalta.
Não significa que os dois produtos não tenham diferenças importantes entre si. O etanol, por exemplo, tem mercado completamente livre enquanto a compra e venda de biodiesel é mediada por um sistema de leilões públicos com preços referenciados pela ANP. “No etanol também tempos um grande balizador dos preços que é a Esalq [Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da USP]”, acrescenta.
Outro fator que diferencia bastante os dois produtos está na logística. Enquanto o biodiesel é dependente de uma matriz essencialmente rodoviária de transportes com alguma movimentação ferroviária ainda muito incipiente, no etanol você já tem um mix de modais muito mais sofisticado à disposição do mercado. “Temos agora o ‘etanolduto’ e estamos transportando etanol para o Nordeste via cabotagem”, explica. “Temos buscado modais mais eficiente para operar no etanol”, completa.
Esse é um nó fundamental não somente no setor do biodiesel, mas para o país como um todo que, hoje, ocupa a 65ª posição no mundo num ranking de eficiência logística elaborado pelo Banco Mundial. “A gente ainda transporta muita coisa de caminhão”, reclama. Dados da Confederação Nacional dos Transportes indicam que vamos precisar investir R$ 1 trilhão em eficiência logística até 2030 se quisermos atingir o mesmo grau de eficiência de outros países na indústria de transportes. “Tem muita coisa para ser feita para termos um país mais competitivo e isso vale para o transporte de B100”, garante.
Uma solução que o setor de etanol tem buscado é a criação de hubs logísticos nos quais é possível concentrar as compras em locais atendidos por ferrovias de forma a reduzir a distância que precisa ser percorrida por caminhões. Essa e outras soluções estão permitindo tirar caminhões da rua para melhorar tanto as emissões de CO2 do setor como reduzir o número de acidentes envolvendo caminhões-tanque. “A gente precisa evoluir esse cenário para que possamos usar modais mais eficientes de transportes”, destaca.
Custo associado
“O custo do B100 precisa estar associado ao preço de transporte”, aponta revelando que a Raízen mantém um ranking das usinas de biodiesel em função da eficiência de carregamento delas. “Temos olhado isso como uma variável na hora de decidirmos se vamos comprar da usina A ou B. Isso é um fator que está além do preço”, comenta.
Esse ranking já beneficia usinas que ofereçam modais de transporte diferenciados. “O preço é uma variável importante, evidentemente. Mas o que nos interessa mesmo é o preço colocado em nossas bases de distribuição”, revela destacando que, hoje, a Raízen também tem feito bastante esforço para otimizar a utilização dos caminhões fazendo frete casado. “O ativo caminhão é caro e a gente tenta buscar essa eficiência em qualquer operação”, destaca.
Uma novidade para o setor de distribuição vem do fato de que em algumas grandes cidades estarem crescendo as restrições à circulação de caminhões. Isso quer dizer que ter flexibilidade nos horários de carregamento dos caminhões facilita com que o produto chegue no menor tempo possível a seu destino final.
Claro que tudo isso vem acompanhado de um grau de entendimento da qualidade do biodiesel vendido e do relacionamento comercial entre a usina e a Raízen. “Tudo isso junto faz com que a gente tome a decisão de compra do leilão”, complementa.
Fator Petrobras
No que diz respeito ao papel da Petrobras como intermediador geral do setor de biodiesel. Tamaso considera que os pontos são majoritariamente positivos. “Temos garantia maior de qualidade e organização maior no modelo de faturamento porque tudo isso passa pela Petrobras e facilita o planejamento logístico”, elogia.
A centralização da comercialização do biodiesel através dos leilões também permite ter uma segurança maior de que não haja fraudes na mistura. “É uma segurança que a gente precisa. No etanol [anidro] você tem a segurança de haver um teste simples que pode ser feito no posto para verificar a quantidade de álcool, no biodiesel é mais complicado”, destaca.
Contudo, colocar a Petrobras no circuito aumenta um pouco a velocidade de resposta quando algum problema acontece. “É natural, você coloca um elo a mais na cadeia e isso demanda um pouco mais de tempo”, diz.
Outro problema diz respeito à instabilidade do Sistema Petronect que às vezes atrapalha as compras nos leilões. “O sistema deveria funcionar 24 horas, 7 dias por semana, mas, em alguns momentos, a gente fica cego”, reclama ressaltando, no entanto, que não é um problema que aconteça o tempo todo
“Mas dado o grau de maturidade do mercado a gente vê muito mais vantagens de ter a Petrobras como parceira, mas, é claro, que o mercado tem que seguir seu caminho com sua evolução natural”, finaliza.
Fábio Rodrigues - BiodieselBR.com