De Bill Gates a George Bush, passando pelos fundadores do Google, algumas das personalidades e empresas mais influentes do globo estão voltando as atenções para um produto em que o Brasil é pioneiro: o biocombustível. Neste domingo e nesta segunda-feira, Zero Hora avalia os motivos desse interesse e as perspectivas do Brasil e do Rio Grande do Sul num mundo cada vez mais preocupado em depender menos do petróleo.
A alta do barril do petróleo, de US$ 33,87 para US$ 61,85 em dois anos, é o principal argumento que convenceu algumas das mentes mais influentes do mundo a incluir palavras como etanol (o nosso álcool) e biodiesel nos seus discursos. Governantes como Bush, afinal, também parecem preocupados em tomar medidas que ajudem a reduzir a emissão de poluentes dos derivados de petróleo, depois do surgimento de indícios de que o aquecimento global está provocando mudanças sensíveis no clima, como os furacões que atingiram os Estados Unidos ano passado.
Além disso, o álcool e o biodiesel ganham espaço na agenda mundial à medida que pesquisadores se convencem do fim das reservas de petróleo nas próximas décadas. O diretor do Centro de Estudo do Petróleo (Cepetro) da Unicamp, Saul Suslick, afirma que a disponibilidade do produto deve durar somente mais 50 anos.
O conjunto de argumentos contra o petróleo levou Bush a lançar a meta de reduzir o "vício" dos Estados Unidos, como definiu, cortando as importações do Oriente Médio em mais de 75% até 2025. Menos de 20% do petróleo utilizado pelos EUA vem desta região. Pode parecer pouco, mas é um número relevante para uma nação que consome 1,2 trilhão de litros de petróleo por ano. No Brasil, o consumo é de 98,7 bilhões de litros.
A medida também revela a preocupação do governo americano em tirar o Oriente Médio do foco da atenção do mundo. Com menos dinheiro circulando nos países islâmicos proveniente dos abundantes poços de petróleo, Bush estaria apostando na redução da atividade terrorista na região - e da suposta necessidade de intervenções militares.
Gates e os fundadores do Google avaliam negócios
O presidente americano não está sozinho. Na quarta-feira, a União Européia apresentou medidas para impulsionar o uso do biocombustível e citou o Brasil como país que desenvolveu um setor forte na obtenção do etanol da cana-de-açúcar. O álcool brasileiro é o caso mais citado porque é o mais bem-sucedido exemplo de combustível alternativo no mundo.
- Num primeiro estágio, somente o álcool pode reduzir o consumo de gasolina - afirma Rafael Schechtman, diretor do Centro Brasileiro de Infra-Estrutura (CBIE) e professor de planejamento energético da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Um dos motivos que também leva os americanos a jogar os holofotes sobre o etanol é a determinação da Casa Branca em dobrar o consumo de álcool até 2012, medida aprovada no Congresso do país.
Investidores como Bill Gates, fundador da Microsoft, estão vendo a possibilidade de ganhar dinheiro nesse cenário. Larry Page e Sergey Brin, os criadores do Google, estiveram no Brasil conhecendo as instalações da refinaria Cosan, em Barra Bonita (SP). Detalhes do encontro não foram revelados, mas é provável que a dupla esteja interessada em saber por que as ações da Pacific Ethanol, empresa americana que produz álcool a partir de milho, subiram de US$ 6 em fevereiro do ano passado para US$ 19 em janeiro último. O maior acionista da Pacific Ethanol é Gates.