Se os cenários que os peritos desenharam estiverem correctos, significa que Portugal terá, este ano, a factura energética mais elevada de sempre, mais de seis mil milhões de euros ou 4% do PIB.
E o mais inquietante não é tanto o valor da conta do gás e do petróleo, mas o facto do grau de dependência energética nacional ultrapassar largamente os 80%. Ora, isto numa economia altamente endividada e que não cresce a sério há vários anos torna-se, no mínimo, letal.
Quem conhece o mercado afirma que no curto prazo não há soluções, sejam fáceis, sejam difíceis. No curto prazo, o melhor é confiar na sorte e esperar apenas que corra tudo bem no ‘dossier’ nuclear do Irão, que a situação dos reféns se resolva na Nigéria, que o Iraque entre, enfim, num tempo de paz... Mas esperar que lá fora os problemas se resolvam é não só irresponsável perigoso para o futuro da economia. Esta instabilidade global, que serve de combustível à escalada dos preços das matérias primas, é o inimigo da economia a prazo.
A resposta, dizem os especialistas ouvidos, passa por trabalhar desde já nas várias soluções disponíveis e encará-las numa perspectiva incremental e de longo prazo. Mais energia eólica, mais biodiesel, mais capacidade de refinação, mais energia das marés, mais eficiência nas máquinas e nos edifícios, mas trabalhando todas estas opções em conjunto, sem que o desenvolvimento de uma se traduza no prejuízo de outra.
A diversificação do portofólio de energias é a única resposta possível num mercado refém de uma oferta extremamente rígida e onde a procura não cessa de aumentar.
NOVO MERCADO DE DÍVIDA
O novo presidente da Euronext Lisboa tem visão de futuro. Apostou na dinamização do mercado dívida, não perdeu tempo e aí está a lançar um mercado não regulamentado que permitirá negociar dívida privada que hoje em dia vai para outras bolsas.
Miguel Athayde Marques quer atrair estas emissões obrigacionistas e por isso compromete-se a admitir à negociação em apenas cinco dias e a passar para os emitentes custos mais competitivos. Lá para meados de Fevereiro ou Março este mercado já será uma realidade.
Mas o dinamismo da bolsa não fica por aqui. No início do ano passado, a Euronext Lisboa começou a oscultar o mercado para tentar atrair mais empresas. Athayde Marques não tem a vida facilitada neste campo, mas quer conhecer as razões de muitas PME não se sentirem atraídas pelo financiamento através do mercado de capitais. Em 2006, o ano pode estar safo com a admissão da Ren e da Galp.
CASINOS SEM MILHÕES
Apesar de estar prestes a ser inaugurado o Casino de Lisboa, em pleno Parque das Nações, os resultados financeiros do casinos portugueses continuam em estagnação. Em 2005, praticamente não aumentaram as suas receitas, que foram absorvidas com a inflação. Muitos perguntam se o ‘glamour’ dos casinos estará fora de moda ou se o conceito estará ultrapassado.
O sector queixa-se da concorrência aguerrida do novíssimo Euromilhões e das apostas na Internet, mas a verdade é que a crise ajuda. O comum dos mortais já não vai aos casinos, nem em épocas festivas e a denominada classe alta vira-se para outras actividades com maior projecção mediática. Os vários agentes secretos 007 ajudaram, ao longo de várias décadas, a perdurar a imagem do ‘glamour’ do jogo. Esse ainda se mantém, mas noutras paragens que não Portugal. Las Vegas ou Macau são exemplo disso. Nestas regiões, os casinos tornaram-se mega parques de diversões, em que o jogo é apenas um componente.