A resolução da ANP foi recebida com surpresa e uma certa decepção pelos
agricultores familiares do Norte de Minas, onde a usina de Montes
Claros está em fase de acabamento.
A resolução da ANP foi recebida com surpresa e uma certa decepção pelos agricultores familiares do Norte de Minas, onde a usina de Montes Claros está em fase de acabamento. “Até então, estimulamos os pequenos produtores a cultivarem a mamona como o carro-chefe do biodiesel. O plantio tem o incentivo da própria Petrobras. Teremos que avaliar essa questão com mais profundidade”, afirma o técnico Ernane Pereira da Silva, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) em Itacarambi.
De acordo com o pesquisador Nível Poubel, da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado de Minas Gerais (Epamig), há cerca de 4 mil hectares da semente na região. Em Nova Porteirinha, ele desenvolve pesquisas sobre insumos para o biodiesel, principalmente sobre a oleaginosa e o algodão. Antes da nova norma, ele sabia que não é recomendável produzir diesel vegetal usando somente mamona. “A Petrobras já sabia. Há também a questão da acidez, que pode danificar o pistão do motor”, acrescenta.
Por outro lado, mesmo com as restrições, Poubel acredita na promessa de compra feita pela empresa. “Cerca de 10% da matéria-prima da usina de Montes Claros deve ser óleo de mamona, o que absorve toda a produção local”, afirma. Ele lembra que estão em curso estudos sobre outras plantas capazes de se adaptar às condições de solo e clima. O foco dos estudos na região são o pinhão manso e o girassol. Tanto ele quanto Castro Neves confiam no potencial do dendê.
Segundo a Petrobras, na safra deste ano, estão envolvidos 5.687 núcleos familiares no Norte de Minas e, para 2009, 28.635 agricultores serão contratados. Para obter o selo Combustível Social, a empresa precisa comprar pelo menos 30% dos insumos da agricultura extensiva. A princípio, vão ser usados mamona, girassol, amendoim, soja, macaúba, óleos e gorduras residuais. E não só no estado, mas em várias outras unidades da federação a empresa incentiva a mamona. “A terra foi cedida pela União e o contrato é de oito anos, com preço bom”, diz o agricultor Vitório José da Silva, natural de Itabuna, na Bahia.
ETANOL Para produzir 4,75 bilhões de litros de álcool destinados à exportação até 2012, o presidente da Petrobras Biocombustível, Alan Kardec, espera novos investimentos na área. O planejamento estratégico da empresa será revisto em setembro e, para atingir a meta, 22 Complexos Bioenergáticos (Cbios) precisam sair do papel. Pelo menos 12 em 2009 e cinco até o fim deste ano. “Minas Gerais deve ser um dos estados contemplados, pelo fato de o alcoolduto já passar pelo Triângulo Mineiro”, adianta Kardec. (IZA/LR)
Izabela Ferreira Alves/em/D.A Press
Estado de Minas - MG
A resolução da ANP foi recebida com surpresa e uma certa decepção pelos agricultores familiares do Norte de Minas, onde a usina de Montes Claros está em fase de acabamento. “Até então, estimulamos os pequenos produtores a cultivarem a mamona como o carro-chefe do biodiesel. O plantio tem o incentivo da própria Petrobras. Teremos que avaliar essa questão com mais profundidade”, afirma o técnico Ernane Pereira da Silva, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) em Itacarambi.
De acordo com o pesquisador Nível Poubel, da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado de Minas Gerais (Epamig), há cerca de 4 mil hectares da semente na região. Em Nova Porteirinha, ele desenvolve pesquisas sobre insumos para o biodiesel, principalmente sobre a oleaginosa e o algodão. Antes da nova norma, ele sabia que não é recomendável produzir diesel vegetal usando somente mamona. “A Petrobras já sabia. Há também a questão da acidez, que pode danificar o pistão do motor”, acrescenta.
Por outro lado, mesmo com as restrições, Poubel acredita na promessa de compra feita pela empresa. “Cerca de 10% da matéria-prima da usina de Montes Claros deve ser óleo de mamona, o que absorve toda a produção local”, afirma. Ele lembra que estão em curso estudos sobre outras plantas capazes de se adaptar às condições de solo e clima. O foco dos estudos na região são o pinhão manso e o girassol. Tanto ele quanto Castro Neves confiam no potencial do dendê.
Segundo a Petrobras, na safra deste ano, estão envolvidos 5.687 núcleos familiares no Norte de Minas e, para 2009, 28.635 agricultores serão contratados. Para obter o selo Combustível Social, a empresa precisa comprar pelo menos 30% dos insumos da agricultura extensiva. A princípio, vão ser usados mamona, girassol, amendoim, soja, macaúba, óleos e gorduras residuais. E não só no estado, mas em várias outras unidades da federação a empresa incentiva a mamona. “A terra foi cedida pela União e o contrato é de oito anos, com preço bom”, diz o agricultor Vitório José da Silva, natural de Itabuna, na Bahia.
ETANOL Para produzir 4,75 bilhões de litros de álcool destinados à exportação até 2012, o presidente da Petrobras Biocombustível, Alan Kardec, espera novos investimentos na área. O planejamento estratégico da empresa será revisto em setembro e, para atingir a meta, 22 Complexos Bioenergáticos (Cbios) precisam sair do papel. Pelo menos 12 em 2009 e cinco até o fim deste ano. “Minas Gerais deve ser um dos estados contemplados, pelo fato de o alcoolduto já passar pelo Triângulo Mineiro”, adianta Kardec. (IZA/LR)
Izabela Ferreira Alves/em/D.A Press
Estado de Minas - MG
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