O Paraná é o principal Estado produtor de grãos do país e o segundo maior na produção de soja, matéria-prima que é a base da indústria nacional de biodiesel, mas sempre manteve uma presença irrisória no mercado do combustível. Projetos em andamento, contudo, podem mudar a relevância do Paraná para o setor.
Ao menos uma dezena de projetos estão em análise no Estado, três deles de forma mais concreta. A estreante Companhia Brasileira de Energias Alternativas e Renováveis (CBEAR) apresentou ao governo paranaense o projeto de uma usina com capacidade de 600 milhões de litros anuais, que exigirá investimento de 250 milhões de euros a 300 milhões de euros.
Essa capacidade é idêntica à da usina da empresa espanhola Infinita Renovables, a maior do mundo. O volume equivale também a metade de toda a demanda do mercado brasileiro, que passou a cerca de 1,2 bilhão de litros anuais desde que a mistura obrigatória de biodiesel ao diesel convencional passou a ser de 3%, em julho.
A CBEAR foi criada há quase dois anos, mas um ano antes disso já estudava o investimento no mercado brasileiro, segundo a diretora-executiva da companhia, Christianne Fullin. Seu nascimento ocorreu a partir da união de cinco sócios, brasileiros e estrangeiros. O início da produção está previsto para fevereiro de 2010.
Quase todos os recursos necessários para o projeto já foram garantidos pelos cinco sócios da companhia e também por financiamentos acertados antes do estouro da crise, segundo a executiva. Com isso, afirma ela, o projeto está garantido mesmo em meio a um cenário de escassez de crédito.
Toda a produção da planta paranaense terá o mercado externo como destino. "Nosso foco não serão os leilões da ANP", diz a executiva. A exigência tem inviabilizado as atividades de muitas usinas, segundo crítica corrente no setor. Com capacidade sempre superior à venda acertada nos leilões, muitas das usinas acabam ficando meses fora de operações.
Uma das conseqüências da crise econômica atual tem sido a queda vertiginosa do preço do petróleo. Isso poderia desestimular a compra de biodiesel por clientes no exterior, já que o combustível acabaria perdendo na vantagem comparativa. Segundo a executiva, também o contrato com o comprador externo já foi fechado, o que garante a demanda pela produção da CBEAR no Paraná.
A companhia ainda mantém detalhes de sua composição sob sigilo. Nomes dos sócios, do comprador no exterior e também a cidade escolhida para a construção da planta serão apresentados na primeira quinzena de novembro.
A Petrobras também tem projeto de uma usina de biodiesel para o Paraná. A cidade escolhida foi Palmeira, na região de Ponta Grossa. O investimento será de R$ 120 milhões e a capacidade, de 113 milhões de litros por ano, o dobro da capacidade de cada uma das três usinas já inauguradas pela estatal, localizadas em Candeias (BA), Quixadá (CE) e Montes Claros (MG).
"A definição por Palmeira foi exclusivamente técnica e considerou principalmente aspectos de infraestrutura, logística de transporte, concentração e potencial produtivo da agricultura familiar e proximidade de centros distribuidores e consumidores", afirma Richardson de Souza, coordenador do programa de biodiesel da Secretaria de Agricultura do Paraná.
Segundo ele, o diagnóstico inicial e os estudos de viabilidade técnica já foram realizadas pelas equipes do governo e da Petrobras. O projeto está em fase final de estudos pela estatal.
A Companhia Paranaense de Energia (Copel) tem também projeto de uma mini-usina no sudoeste do Estado. O plano inicial é que a unidade tenha capacidade de 5 mil litros diários e atue em parceria com a agricultura familiar. O investimento ainda não foi definido.
Até agosto, segundo os dados mais recentes da ANP, o Paraná produziu 805 mil litros de biodiesel, ou meros 0,1% do total do país, o que coloca o Estado na 11ª colocação do ranking. Desse volume, 800 mil litros foram da Biopar, de Rolândia, produzidos todos no mês de julho.
Patrick Cruz
Ao menos uma dezena de projetos estão em análise no Estado, três deles de forma mais concreta. A estreante Companhia Brasileira de Energias Alternativas e Renováveis (CBEAR) apresentou ao governo paranaense o projeto de uma usina com capacidade de 600 milhões de litros anuais, que exigirá investimento de 250 milhões de euros a 300 milhões de euros.
Essa capacidade é idêntica à da usina da empresa espanhola Infinita Renovables, a maior do mundo. O volume equivale também a metade de toda a demanda do mercado brasileiro, que passou a cerca de 1,2 bilhão de litros anuais desde que a mistura obrigatória de biodiesel ao diesel convencional passou a ser de 3%, em julho.
A CBEAR foi criada há quase dois anos, mas um ano antes disso já estudava o investimento no mercado brasileiro, segundo a diretora-executiva da companhia, Christianne Fullin. Seu nascimento ocorreu a partir da união de cinco sócios, brasileiros e estrangeiros. O início da produção está previsto para fevereiro de 2010.
Quase todos os recursos necessários para o projeto já foram garantidos pelos cinco sócios da companhia e também por financiamentos acertados antes do estouro da crise, segundo a executiva. Com isso, afirma ela, o projeto está garantido mesmo em meio a um cenário de escassez de crédito.
Toda a produção da planta paranaense terá o mercado externo como destino. "Nosso foco não serão os leilões da ANP", diz a executiva. A exigência tem inviabilizado as atividades de muitas usinas, segundo crítica corrente no setor. Com capacidade sempre superior à venda acertada nos leilões, muitas das usinas acabam ficando meses fora de operações.
Uma das conseqüências da crise econômica atual tem sido a queda vertiginosa do preço do petróleo. Isso poderia desestimular a compra de biodiesel por clientes no exterior, já que o combustível acabaria perdendo na vantagem comparativa. Segundo a executiva, também o contrato com o comprador externo já foi fechado, o que garante a demanda pela produção da CBEAR no Paraná.
A companhia ainda mantém detalhes de sua composição sob sigilo. Nomes dos sócios, do comprador no exterior e também a cidade escolhida para a construção da planta serão apresentados na primeira quinzena de novembro.
A Petrobras também tem projeto de uma usina de biodiesel para o Paraná. A cidade escolhida foi Palmeira, na região de Ponta Grossa. O investimento será de R$ 120 milhões e a capacidade, de 113 milhões de litros por ano, o dobro da capacidade de cada uma das três usinas já inauguradas pela estatal, localizadas em Candeias (BA), Quixadá (CE) e Montes Claros (MG).
"A definição por Palmeira foi exclusivamente técnica e considerou principalmente aspectos de infraestrutura, logística de transporte, concentração e potencial produtivo da agricultura familiar e proximidade de centros distribuidores e consumidores", afirma Richardson de Souza, coordenador do programa de biodiesel da Secretaria de Agricultura do Paraná.
Segundo ele, o diagnóstico inicial e os estudos de viabilidade técnica já foram realizadas pelas equipes do governo e da Petrobras. O projeto está em fase final de estudos pela estatal.
A Companhia Paranaense de Energia (Copel) tem também projeto de uma mini-usina no sudoeste do Estado. O plano inicial é que a unidade tenha capacidade de 5 mil litros diários e atue em parceria com a agricultura familiar. O investimento ainda não foi definido.
Até agosto, segundo os dados mais recentes da ANP, o Paraná produziu 805 mil litros de biodiesel, ou meros 0,1% do total do país, o que coloca o Estado na 11ª colocação do ranking. Desse volume, 800 mil litros foram da Biopar, de Rolândia, produzidos todos no mês de julho.
Patrick Cruz
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