Segundo o presidente o grande erro foi a Brasil Ecodiesel apostar todas as suas fichas na agricultura familiar com base na produção de mamona.
O presidente da Brasil Ecodiesel, Mauro Cerchiari, afirmou que os advogados da empresa estão estudando a melhor maneira de recorrer da suspensão do Selo Combustível Social. A suspensão acontece em um momento em que a empresa obteve o maior lucro de sua história e, no último leilão, realizado no início da semana, foi a segunda maior vendedora, com 69 milhões de litros de biodiesel, 12,2% do total.
O diretor de relações com investidores da Brasil Ecodiesel, Charles Mann Toledo, explica que, na época, a Brasil Ecodiesel investiu pesadamente na produção de mamona para atender aos requisitos do Selo Combustível Social. "A empresa distribuiu sementes e deu assistência técnica para os produtores e fez acordos de compra da mamona", disse. Porém, no momento da colheita, a cotação da mamona estava bem mais elevada e os produtores não quiseram entregar o produto nos preços acordados.
Toledo ressalta que, naquele momento, os preços da mamona estavam bem mais elevados que o do próprio biodiesel inviabilizando a compra do produto aos preços pedidos pelos produtores. "Desta forma, a Brasil Ecodiesel deixou de entregar o porcentual de produto da agricultura familiar requerido pela lei", afirma.
Para Toledo, o grande erro foi a Brasil Ecodiesel apostar todas as suas fichas na agricultura familiar com base na produção de mamona. "Ela deveria ter diversificado sua produção e apostado em outras oleaginosas também para não ficar refém da mamona", disse. Deste junho de 2009, a nova administração da empresa, comandada por Cerchiari, conseguiu levar a empresa de volta ao lucro tendo como base a maior utilização da soja como matéria-prima.
No terceiro trimestre fiscal de 2009, a empresa obteve seu maior lucro histórico, de R$ 5,247 milhões. Atualmente, a empresa utiliza apenas soja como matéria-prima para a produção de biodiesel, abandonando os projetos de oleaginosas alternativas. A empresa mantém apenas uma plantação experimental de pinhão manso.
O executivo ressalta que, em 2009, o governo utilizou o evento que impediu a Brasil Ecodiesel a entregar todo o produto de agricultura familiar em 2007 para reduzir o porcentual obrigatório na lei. "Desde 2009, a lei foi mudada e o porcentual pedido caiu dos 50% para 30%. Mas o Ministério do Desenvolvimento Agrário não levou isso em conta no momento de suspender o selo da empresa", afirma.
Toledo lembra que, no pior cenário, com a Brasil Ecodiesel sendo inviabilizada de participar do leilão de 80% da demanda, ela ainda terá acesso aos outros 20% que, no último leilão, foram 113 milhões de litros, quase o dobro do volume vendido pela Brasil Ecodiesel no evento. "Mesmo sem o selo, a Brasil Ecodiesel tem chances de obter uma boa performance", afirma.
Jornal do Comércio / Agência Estado
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