Produtor quer regra de biodiesel para álcool
Proposta, defendida ontem na Esalq com a presença do ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, é de que o produto também integre a matriz energética do país
Produtores de Piracicaba propõem que o álcool combustível seja inserido na matriz energética do país junto com o biodiesel. O objetivo dos fornecedores de cana-de-açúcar é que o governo federal aplique as mesmas políticas de regulamentação do biodiesel ao álcool para minimizar a volatilidade dos preços do mercado. De acordo com José Coral, presidente da Coplacana (Cooperativa dos Plantadores de Cana), a medida poderá trazer mais segurança para o setor.
O diretor da Afocapi (Associação dos Fornecedores de Cana de Piracicaba), Arnaldo Bortoletto, disse que a medida trará fortalecimento para o setor sucroalcooleiro. "Os produtores vivem hoje insegurança sem controle de estoque. Há exagero de preços altos quando há falta de combustível e de valores muito baixos quando há excesso", afirma Coral.
A Afocapi é a entidade que possui o maior número de associados do país. São 4.500 produtores, sendo que 80% são médios e pequenos que cultivam em áreas de 25 hectares em média. A macrorregião de Piracicaba produz 8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar.
O assunto foi discutido ontem com o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, no seu gabinete instalado na Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), em homenagem à 47ª Semana Luiz de Queiroz.
Bortoletto esteve acompanhado do vereador Gustavo Herrmann (PPS) e do engenheiro agrônomo Marcelo Correa. Eles falaram sobre as emendas apresentadas pelo deputado federal João Herrmann Neto (PPS), na MP (Medida Provisória) 214, de 13 de setembro deste ano, editada pelo governo federal sobre o biodiesel que está em trâmite no Congresso. José Coral deve ir a Brasília na próxima semana para conversar com deputados sobre o assunto.
Uma das emendas trata da mudança da denominação da ANP (Agência Nacional do Petróleo) para ANC (Agência Nacional de Petróleo e Combustíveis Renováveis), para que ela possa também definir regulamentações para o álcool. "O objetivo não é o controle dos preços, mas criação de uma diretriz política para o álcool que sempre foi tratado como subproduto", disse Gustavo Herrmann. O deputado federal Antonio Carlos Mendes Thame (PSDB) também apresentou sete emendas à MP.
O ministro disse que o álcool é estratégico para o país e que uma agência pública que tenha participação na definição de estoques, desenvolva programas de prêmios e financiamentos para a estocagem, além de enxugamento de mercado, pode ajudar a estabilizar o preço do combustível. "Pelo menos a medida poderá contribuir para reduzir a volatilidade dos preços", disse.
O tema será encaminhado pelos produtores e pelo próprio ministro para a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Açúcar e do Álcool do Ministério da Agricultura, que segundo o ministro vai analisar a proposta e poder fornecer informações sobre como ele deve proceder com relação a esse assunto que já está em discussão também no Congresso.
O secretário estadual de Agricultura, Antonio Duarte Nogueira, disse que o setor vai necessitar de políticas públicas para dar diretrizes para o desenvolvimento do setor, que segundo ele poderá gerar 1 milhão de empregos até 2010. "Em seis anos a demanda interna será de 10 bilhões de litros de álcool e já temos de nos preparar para atender essa necessidade", afirmou ontem na Esalq.
Duarte Nogueira visitou os laboratórios do CTC (Centro de Tecnologia Canavieira). No local ele conheceu os produtos que são desenvolvidos para melhorar a produção de açúcar e do álcool.


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