BiodieselBR
Publicidade

Os desafios do petróleo

Os Estados Unidos poderão amenizar o atual ciclo de alta do petróleo ao liberarem seu estoque estratégico, na esteira das reduções de produção e transporte...
Gazeta do Povo 4 min de leitura
Os Estados Unidos poderão amenizar o atual ciclo de alta do petróleo ao liberarem seu estoque estratégico, na esteira das reduções de produção e transporte decorrentes da passagem do furacão Ivan pela área petrolífera do Golfo do México. O alívio temporário deve ser utilizado pelos países consumidores, para acelerar a busca de soluções alternativas ao uso de combustíveis fósseis – inclusive a energia nuclear e outros processos atualmente em fase de desenvolvimento pelo Brasil, como o álcool e o biodiesel.

Já os países que juntam capacidade expressiva de produção ao consumo próprio, como o nosso, precisam superar hesitações e resistências para se lançarem em um programa prioritário de expansão da capacidade de extração do petróleo, porque as perspectivas são de consumo crescente enquanto a oferta mundial já ingressou num ciclo descendente. Segundo estudos confiáveis, desde o início do século 20, quando se generalizou o uso do petróleo como combustível para motores a explosão e aplicações industriais (transformação em plásticos, fertilizantes, medicamentos etc.), a humanidade já esgotou cerca de 900 bilhões de barris de óleo. O conjunto das reservas provadas e prováveis, doutro lado, soma outros 900 bilhões de barris – mas as dificuldades crescentes para sua extração tornam esse recurso natural cada vez mais valioso.

O atual ciclo de majoração das cotações, portanto, apenas foi potencializado por uma sucessão de fatores: ampliação da demanda chinesa (só neste ano subiu 37% ante igual período de 2003), interrupção dos fornecimentos iraquianos e crise na operação de empresas petroleiras russas, além de danos gerados pela temporada de furacões nos Estados Unidos. Configurado um mercado altista, fundos de investimentos e especuladores de escala mundial passaram a operar com essa “commodity”, acelerando a instabilidade que elevou a cotação do barril para os picos da semana passada – prenunciando breve superação da barreira de 50 dólares.

Os analistas do mercado de energia avaliam que não há possibilidade de retorno aos preços balizados pela Opep, entre 20 e 30 dólares; as novas bandas de flutuação deverão girar em torno de 35 dólares por barril, se condições favoráveis forem restabelecidas até o fim do ano. Tais observadores chamam atenção para a transferência de renda entre países consumidores e regiões produtoras, que já começou neste exercício. Num cenário mais ameno, a conseqüência direta para a economia mundial, Brasil incluso, será a redução da previsão de crescimento, acarretando uma interrupção similar à dos choques de petróleo registrados nas décadas de 70 e 80. Esse risco foi captado pelas bolsas de valores que tiveram efeito dominó semana passada, caindo em toda a região consumidora, da ásia, passando pela Europa até os Estados Unidos.

Para o Brasil, os problemas imediatos giram em torno da desaceleração do nível de atividade, que vinha ganhando fôlego após um ano de retração. Embora os preços de venda dos derivados ainda não tenham sido reajustados, as informações são de perdas diárias incorridas pela Petrobrás, que já anunciou estudos para repassar a majoração internacional para o produto que distribui no mercado interno. A empresa operadora está enfrentando importações crescentes, da ordem de 8% a 10% do volume consumido no país, em razão de aumento de 6% no consumo e queda na produção nacional média diária para 1,5 milhão de barris, por força de atraso na entrada em funcionamento de novas plataformas.

Felizmente, o Brasil dispõe de alternativas à mão: ampliação do volume de álcool destinado ao uso combustível, substituindo a gasolina nos carros leves e incremento da produção de biodiesel, a partir da combinação de óleo diesel com derivados vegetais (de soja, girassol, mamona, dendê, etc.). No meio tempo, cumpre adotar campanhas pelo transporte coletivo, aumento da eficiência dos motores, eletrificação de vias férreas e outros esforços para economizar o petróleo escasso e caro.
Compartilhar: