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Produtores vão à Brasília defender pinhão-manso

Lula com pinhao mansoProdutores de pinhão-manso estiveram ontem em Brasília para discutir o impasse em torno da planta, que não consta no Registro Nacional de Cultivares (RNC).
BiodieselBR.com 3 min de leitura
Os produtores de pinhão-manso saíram otimistas do encontro realizado ontem, em Brasília, na Coordenação de Agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, para discutir o impasse em torno da planta, que não consta no Registro Nacional de Cultivares (RNC).

Os produtores de pinhão-manso saíram otimistas do encontro realizado ontem, em Brasília, na Coordenação de Agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, para discutir o impasse em torno da planta, que não consta no Registro Nacional de Cultivares (RNC). A falta do registro impede que a oleaginosa seja explorada comercialmente, como foi noticiado pela BiodieselBR.com no início de setembro. “O ministério demonstrou muita boa vontade para solucionar o problema”, avalia Mike Lu, presidente da Associação Brasileira de Plantadores de Pinhão-Manso (ABPPM).

A entidade pressiona o governo a colocar em prática imediatamente o artigo 16 do decreto nº 5.153/2004 que autoriza a inscrição no RNC de cultivares de interesse público sem a necessidade de cumprir as exigências normais. “Seria a solução mais rápida”, insiste Lu. A pressa justifica-se. Os produtores temem perder a época da semeadura caso o Ministério demore mais um mês para liberar o cultivo. “Se o governo não autorizar rapidamente [o plantio comercial do pinhão-manso] o programa do biodiesel não vai decolar”, afirma Nagashi Tominaga, maior produtor de pinhão-manso do Brasil.

{sidebar id=7}Tominaga dedica-se à cultura do pinhão-manso desde 2004, quando plantou 10 hectares em Janaúba (MG). Em 2007, com 52 hectares plantados, vai produzir 1,5 tonelada por hectare, mas a meta é chegar a seis toneladas por hectare na safra 2007/2008. A plantação de Tominaga é hoje usada pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) para estudos com a oleaginosa.

A decisão, no entanto, pode levar mais algum tempo. Os técnicos do Ministério mantêm-se cautelosos e argumentam que faltam dados confiáveis sobre o cultivo da planta, como espaçamento, incidência de pragas e produtividade.  “O governo não pode induzir o agricultor a comprar matérias-primas que não sabemos de onde vêm e a que doenças estão suscetíveis”, justifica Álvaro Antônio Nunes Viana, diretor do Departamento de Fiscalização de Insumos Agrícolas do Ministério da Agricultura. “O Ministério precisa saber passar instruções mínimas de cultivo, do contrário poderá ser o indultor de um fracasso anunciado”, completa.  Para discutir o imbróglio, o Ministério planeja convocar um encontro com instituições de pesquisa ainda neste mês.

Uma das entidades convidadas será a Epamig, que pesquisa o pinhão-manso desde dezembro de 2005 e, em junho deste ano, entrou com pedido de registro da espécie no RNC. “Esperamos que o registro saia até o final do ano”, diz Marco Antônio Viana Leite, chefe da Epamig Norte de Minas. Segundo Leite, a empresa já trabalha para fazer o melhoramento genético da variedade a ser registrada, mas será preciso esperar mais cerca de um ano para as sementes chegarem ao mercado. O pedido para acelerar o registro da cultivar da Epamig também esteve na pauta do encontro entre os produtores e os representantes do Ministério da Agricultura.

Raquel Marçal
BiodieselBR.com
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