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Pólo prepara 1º projeto em Piracicaba

O professor Weber Amaral, da Esalq, disse que este ano será desenvolvido o primeiro projeto do organismo para Piracicaba.
Jornal de Piracicaba 4 min de leitura

Em entrevista ao JP, o coordenador do Pólo Nacional de Biocombustíveis, o professor Weber Amaral, da Esalq (Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz), disse que este ano será desenvolvido o primeiro projeto do organismo para Piracicaba. Em parceria com a Afocapi (Associação dos Fornecedores de Cana de Piracicaba) e alemães da Inwent (Hamburg Institute for Economic Research e Universidade de Berlim), o pólo inicia em março estudos sobre a viabilidade de plantas integradas de etanol e biodiesel para pequenos e médios produtores.
Esse tipo de projeto tem um papel importante, especialmente por conta de números que preocupam o especialista. O Brasil produz hoje de 5 a 7% das suas necessidades de biodiesel. Para o mercado doméstico será necessário produzir 1,8 milhão de litros de biodiesel para atender à adição de 5% do biocombustível ao diesel. Por lei, a obrigatoriedade da mistura ao diesel de petróleo tem em 2008 sua data-limite.
“Se a lei não for postergada, o Brasil terá que importar biodiesel, o que vai configurar no pior cenário para toda a cadeia do biocombustível”, diz. Acompanhe na entrevista:

JP - Fale um pouco mais do projeto que será desenvolvido em Piracicaba.
Amaral - O objetivo é mudar o perfil acerca da viabilidade de produção de biocombustíveis, feita hoje somente em larga escala. Desta forma, o projeto muda e questiona o paradigma da viabilidade de pequenos e médios produtores engajado na cadeia.

JP - Existem verbas para os estudos e instalação dessa planta em Piracicaba?
Amaral - Nós não temos financiamento para construir a planta, que deve custar de R$ 30 a R$ 60 milhões, com estrutura de pequena escala. O dinheiro que virá da Alemanha contempla somente o plano de negócios, orçado em 200 mil euros. O valor não é muito, mas é importantíssimo. Se ele o projeto não vai nem para o papel. Por isso, a aprovação da proposta foi emblemática já que, em uma concorrência internacional, fomos o único projeto do Brasil a ser selecionado.

JP - Há outros projetos para este ano?
Amaral - Também para março o pólo estará envolvido na discussão de alternativas para comércio de biocombustíveis voltados ao mercado externo. Esses estudos terão parcerias com os holandeses da Universidade de Wageningen e a Embaixada da Holanda. Para o mesmo mês está marcada uma reunião entre os envolvidos para analisar as oportunidades e limitações da produção e comercialização de biocombustíveis da pesquisa aos mercados. A Holanda é um importante ator internacional na área de comércio e logística e o pólo vai estar contribuindo com estas análises de viabilidade. A Holanda é um local estratégico para disseminar e distribuir biocombustíveis na Europa.

JP - Como foi e está a agenda do pólo com o setor público?
Amaral - O pólo foi consolidado em janeiro de 2005, quando chegou a verba do governo federal. Então, neste primeiro ano, a instituição participou da elaboração do Programa Nacional de Agricultura Energética, que é um documento super importante do Ministério da Agricultura. Neste programa, a instituição analisou custos e benefícios das principais matérias-primas para uso na produção de biodiesel. No Brasil, o pólo passou a ter uma atuação mais efetiva neste ano na discussão de políticas públicas relacionadas ao biodiesel como membro da recém-criada da Câmara Setorial de Biodiesel, tendo na representação o reconhecimento de sua importância. No ano passado, a instituição atuou nas comissões e ajudou na elaboração do Programa Nacional do Biodiesel e nos estudos para viabilizar o empréstimo do governo japonês. O investimento do JBIC (Japan Bank for Internacional Cooperation) ainda não veio, mas pode chegar no próximo ano trazendo até R$ 60 milhões.

JP - Na área de biocombustíveis o que foi melhorado?
Amaral - O organismo garantiu duas colaborações. Uma foi o estudo que apurou as melhores matérias-primas conforme a região. A outra desmistificou a produção de biodiesel como um negócio simples e atividade rentável economicamente. Provamos o inverso. Para ser viável, o biodiesel ainda precisa de muita competência, tanto no que diz respeito a inovações tecnológicas, quanto aos rearranjos políticos para viabilizar essa produção. O órgão quebrou o romantismo que o Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel apregoava. As informações permitiram conhecer, inclusive, a questão dos preços reais de produção, o que é uma contribuição única. Agora sabemos que o biodiesel é mais caro do que o diesel. Imaginava-se que o combustível era fácil de se produzir e muito barato. No último leilão do governo, o litro do combustível atingiu o preço de R$ 1,904.

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