O Brasil é hoje líder na tecnologia de produção e no uso do álcool combustível. O pioneirismo brasileiro na área de biocombustíveis vem de longa data. Em 1912, o país já havia testado, em caráter experimental, veículos movidos a etanol. Duas décadas depois, em 1931, o governo autorizava misturar entre 2% e 5% de álcool na gasolina. Hoje, é o único país do mundo com uma frota de veículos bicombustíveis capaz de rodar com 100% de álcool ou de gasolina. Nos Estados Unidos, os motores flex fuel aceitam no máximo 85% de álcool.
Na produção de etanol, o Brasil também é líder disparado. Dos 40 bilhões de litros álcool produzidos no mundo (25 bilhões são usados para obter energia), 15 bilhões saem de usinas brasileiras. Nos EUA, o segundo maior produtor mundial, a produção a partir do milho precisa ser subsidiada.
Na área de biodiesel também estamos na dianteira. A Petrobras assinou nesta sexta-feira os primeiros contratos para a aquisição do combustível, que passará a ser misturado no diesel comum numa proporção de 2% até 2008.
O próprio presidente George Bush, no discurso deste ano do Estado da União, afirmou que os Estados Unidos são viciados em petróleo e precisam encontrar uma alternativa para diminuir a sua dependência. O mercado para biocombustíveis é promissor. Para se ter uma idéia, se o Japão de fato misturar a gasolina com 10% de álcool, conforme autoriza lei que entra em vigor em 2008, haveria uma demanda adicional de 6,5 bilhões de litros, um crescimento de quase 25% sobre a demanda mundial atual.
Bush, o Japão e as principais economias mundiais não vão, no entanto, optar pelo álcool enquanto não houver a garantia de um fornecimento mundial adequado. O coordenador-geral de Açúcar e Álcool do Ministério da Agricultura, Alexandre Strapasson, argumenta que o governo e a iniciativa privada trabalham para amadurecer este mercado. O Itamaraty e os ministérios da Ciência e Tecnologia e da Agricultura assinaram com parceiros diversos memorandos de entendimento para fomentar a produção de álcool em outros países. Ninguém vai optar por um produto para um setor estratégico cuja oferta depende de um único fornecedor, e o governo sabe disso.
Se o Brasil pretende criar o mercado internacional do biocombustível, hoje ainda incipiente, e liderá-lo, terá de começar a provar que é um produtor confiável. No início do ano, a escalada de preços do álcool e as conversas sobre a possibilidade de desabastecimento certamente não ajudaram a convencer parceiros, como o Japão, a acelerar o uso do álcool como alternativa verde à queima de combustíveis fósseis. Foi o carro flex fuel se tornar popular – hoje 70% dos automóveis novos são biocombustíveis – para que houvesse ameaças de disparada de preços.
Os potenciais consumidores internacionais, no mínimo, adiam a decisão de adotar do álcool, quando o Brasil não consegue dar conta de atender adequadamente o crescimento da sua própria demanda. Não bastasse a insegurança quanto à produção, o país também terá de criar uma infra-estrutura para escoar com rapidez e eficiência a produção. O Japão certamente não se esquece de que os portos brasileiros enfrentam filas de caminhão de até 100 quilômetros na época do escoamento da safra agrícola.
O presidente Lula afirmou nesta sexta-feira, durante a assinatura dos contratos da Petrobras para a compra de biodiesel, que, quando o petróleo deixar de ser uma opção viável de combustível, o Brasil terá uma alternativa para oferecer ao mundo, os biocombustíveis. “Pode começar a comprar que é nosso”, comemorou Lula. Ninguém, no entanto, vai optar pela alternativa brasileira, enquanto a resposta para um eventual pedido de compra puder ser: “Está em falta”. A matriz energética de um país é uma questão estratégica para se depender de um fornecedor que tem dificuldades para atender o próprio mercado interno.
Na produção de etanol, o Brasil também é líder disparado. Dos 40 bilhões de litros álcool produzidos no mundo (25 bilhões são usados para obter energia), 15 bilhões saem de usinas brasileiras. Nos EUA, o segundo maior produtor mundial, a produção a partir do milho precisa ser subsidiada.
Na área de biodiesel também estamos na dianteira. A Petrobras assinou nesta sexta-feira os primeiros contratos para a aquisição do combustível, que passará a ser misturado no diesel comum numa proporção de 2% até 2008.
O próprio presidente George Bush, no discurso deste ano do Estado da União, afirmou que os Estados Unidos são viciados em petróleo e precisam encontrar uma alternativa para diminuir a sua dependência. O mercado para biocombustíveis é promissor. Para se ter uma idéia, se o Japão de fato misturar a gasolina com 10% de álcool, conforme autoriza lei que entra em vigor em 2008, haveria uma demanda adicional de 6,5 bilhões de litros, um crescimento de quase 25% sobre a demanda mundial atual.
Bush, o Japão e as principais economias mundiais não vão, no entanto, optar pelo álcool enquanto não houver a garantia de um fornecimento mundial adequado. O coordenador-geral de Açúcar e Álcool do Ministério da Agricultura, Alexandre Strapasson, argumenta que o governo e a iniciativa privada trabalham para amadurecer este mercado. O Itamaraty e os ministérios da Ciência e Tecnologia e da Agricultura assinaram com parceiros diversos memorandos de entendimento para fomentar a produção de álcool em outros países. Ninguém vai optar por um produto para um setor estratégico cuja oferta depende de um único fornecedor, e o governo sabe disso.
Se o Brasil pretende criar o mercado internacional do biocombustível, hoje ainda incipiente, e liderá-lo, terá de começar a provar que é um produtor confiável. No início do ano, a escalada de preços do álcool e as conversas sobre a possibilidade de desabastecimento certamente não ajudaram a convencer parceiros, como o Japão, a acelerar o uso do álcool como alternativa verde à queima de combustíveis fósseis. Foi o carro flex fuel se tornar popular – hoje 70% dos automóveis novos são biocombustíveis – para que houvesse ameaças de disparada de preços.
Os potenciais consumidores internacionais, no mínimo, adiam a decisão de adotar do álcool, quando o Brasil não consegue dar conta de atender adequadamente o crescimento da sua própria demanda. Não bastasse a insegurança quanto à produção, o país também terá de criar uma infra-estrutura para escoar com rapidez e eficiência a produção. O Japão certamente não se esquece de que os portos brasileiros enfrentam filas de caminhão de até 100 quilômetros na época do escoamento da safra agrícola.
O presidente Lula afirmou nesta sexta-feira, durante a assinatura dos contratos da Petrobras para a compra de biodiesel, que, quando o petróleo deixar de ser uma opção viável de combustível, o Brasil terá uma alternativa para oferecer ao mundo, os biocombustíveis. “Pode começar a comprar que é nosso”, comemorou Lula. Ninguém, no entanto, vai optar pela alternativa brasileira, enquanto a resposta para um eventual pedido de compra puder ser: “Está em falta”. A matriz energética de um país é uma questão estratégica para se depender de um fornecedor que tem dificuldades para atender o próprio mercado interno.