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'O biocombustível é nosso', diz Lula, retomando slogan getulista

Retomando o slogan utilizado pelo governo de Getúlio Vargas na década de 50, ele afirmou que agora "o biocombustível é nosso".
Folha OnLine 3 min de leitura

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou mão hoje de um slogan da campanha de nacionalização do petróleo, da Era Vargas, para falar do potencial brasileiro para a produção de biocombustívei. "O biocombustível é nosso!", afirmou em cerimônia no Palácio do Planalto.

Durante solenidade de assinatura dos primeiros contratos de compra de biodiesel, Lula disse que hoje o Brasil se apresenta ao mundo como uma nação que não fica 'chorando o preço do petróleo', mas que foi buscar a sua auto-suficiência.

Depois da cerimônia, Lula recebeu em seu gabinete o governador da Paraná, Roberto Requião, a quem apresentou o kit de oleaginosas. Desavisado, o governador provou as amostras de mamona, quando foi alertado por Lula de que elas são tóxicas. O episódio ocorreu no início da reunião, no momento em que a imprensa fazia as imagens do encontro.
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Segundo ele, o país não ficou esperando o fim do petróleo para buscar alternativas para o seu abastecimento e desenvolveu tecnologias para transformar produtos renováveis em biocombustíveis, como é o caso do álcool e do biodiesel, produzido a partir de oleaginosas como a mamona, a soja, girassol, dendê, entre outras.

'Nós não teremos medo porque o dia que alguém disser ´não tem mais petróleo´, nós estaremos dizendo ´pois bem, nós temos alternativa, pode começar a comprar que é nosso´. É tão nosso quanto foi o petróleo brasileiro com a famosa campanha 'O Petróleo é Nosso'. Nós hoje poderíamos dizer ´o biocombustível é nosso'", afirmou o presidente.

Esse novo combustível, comemorado hoje pelo presidente, foi patenteado na década de 80 pelo pesquisador da Universidade do Ceará, Expedito Parente, citado hoje em vários discursos durante a solenidade no Planalto. Entretanto, a sua aplicação no mercado brasileiro foi viabilizada por meio de lei que vai obrigar a mistura ao diesel na proporção de 2% a partir de 2008 e de 5% a partir de 2013.

Ao citar o cientista responsável pelo biodiesel, o presidente reconheceu que essas tecnologias que podem levar o Brasil a uma situação mais confortável diante do petróleo dependem de investimentos em pesquisa.

Segundo ele, a pesquisa é "condição sine qua non para o Brasil consolidar a sua posição de país que apresenta no século 21 ao mundo a mais sólida alternativa para o trânsito dos nossos carros e ônibus e tantas outras coisas".

Ele citou ainda a oportunidade que o país tem de vender esses combustíveis no mundo, diante dos prazos do Protocolo de Quioto. 'Todos os países signatários começaram a se apressar, a procurar uma nova matriz energética, sobretudo menos poluente. E aí outra vez entra o Brasil na história. Quem pode competir com o Brasil na oferta de combustível renovável e não poluente? Quem? A verdade é que tem alguns países com um território maior do que o Brasil, a verdade é que tem países com mais conhecimento tecnológico do que o Brasil em várias áreas mas, humildemente, a verdade é que nenhum país do planeta Terra tem as condições que tem o Brasil para competir no combustível alternativo como nós temos".

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