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Motor a diesel: mais econômico do que nunca

O óleo diesel que hoje abastece os veículos pesados da frota brasileira tem mais biodiesel e menos substâncias tóxicas como o enxofre. Mas não foi somente o combustível que evoluiu para melhor.
BiodieselBR.com 5 min de leitura
O óleo diesel que hoje abastece os veículos pesados da frota brasileira tem mais biodiesel e menos substâncias tóxicas como o enxofre. Mas não foi somente o combustível que evoluiu para melhor.

O óleo diesel que hoje abastece os veículos pesados da frota brasileira tem mais biodiesel e menos substâncias tóxicas como o enxofre. Mas não foi somente o combustível que evoluiu para melhor. Os motores a diesel tiveram um grande avanço tecnológico nas últimas três décadas. Eles estão mais econômicos, potentes, silenciosos e apresentam uma redução de 25% nas emissões de poluentes na comparação com os motores a gasolina. No entanto, continuam proibidos no Brasil. “Essa proibição, do ponto de vista tecnológico, não faz mais nenhum sentido”, disse Rubens Avanzini, gerente de Desenvolvimento da Bosch e coordenador da Comissão Técnica de Tecnologia Diesel da Sociedade Engenheiros de Mobilidade (SAE Brasil), durante o 6º Fórum SAE Brasil de tecnologias de motores diesel 2009, realizado ontem (6) em Curitiba.

A liberação das vendas internas ainda não aconteceu, segundo Avanzini, porque a percepção do público em geral sobre os motores a diesel é negativa. “Hoje temos uma tecnologia completamente diferente, mas as pessoas percebem o carro a diesel como há 33 anos”, diz. Segundo o engenheiro, em 1976 um motor a diesel fazia 15 quilômetros com um litro de combustível, com potência de 50 hp e um torque de 8 Nm. Já os motores fabricados em 2008 têm um rendimento de 20 quilômetros por litro, potência de 140 hp e torque de 320 Nm. “Comparado com os veículos a gasolina, os carros a diesel são 30% mais econômicos, 25% mais limpos (com menos emissões de CO2, NOx e particulados) e são 50% mais fortes”, diz.
 

Motor a diesel comparado ao motor a gasolina
- 30% mais econômico
- 25% menos emissões de CO2, NOx e particulados
- 50% mais forte


Economia é a palavra chave. “Se aumentarmos em 1% os veículos a diesel na frota da Alemanha, por exemplo, haveria uma redução de 90 milhões de litros de combustível ao ano, o suficiente para ir e voltar da Lua 2.700 vezes”, calcula. Outro ponto que pesa a favor é o custo do litro do diesel, que em média é 60 centavos mais barato que a gasolina.

Segundo dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o país produziu 26 mil veículos de passeio a diesel em 2008. São oito montadoras e vários modelos de carros, mas eles são destinados exclusivamente à exportação. “Com a liberação das vendas internas teríamos a oportunidade de criar um mercado local, com mais empregos, arrecadação de impostos, atração de novos investimentos, além de alavancar o uso e a pesquisa de combustíveis renováveis, como o biodiesel, o H-bio, o diesel de cana e outros combustíveis de segunda geração”, diz Avanzini. 

Mas nem tudo é vantagem. Os veículos a diesel são mais caros em relação aos carros a gasolina. Para quem roda muito, como frotistas e taxistas, sem dúvida a opção é vantajosa, já que o motor tem alto torque e é econômico. Neste caso, o tempo de retorno do investimento é menor se comparado ao usuário comum.

Origem
A proibição do uso de motores a diesel em carros de passeio se deu em novembro de 1976, durante a crise do petróleo. “O Brasil precisava diminuir o consumo de combustíveis e reduzir os custos de importação. Foi o único país a adotar essa proibição”, lembra Avanzini. Nessa época o Brasil importava 78% de todo petróleo consumido. Em 1973, quando houve o embargo na distribuição mundial do petróleo, gastava-se US$ 600 milhões com importação. Já no ano seguinte, o número saltou para US$ 2,6 bilhões e chegou a atingir US$ 10,6 bilhões em 1981.

Mas o panorama econômico é completamente diferente nos dias de hoje. O Brasil é auto-suficiente na produção de petróleo e a Petrobras está modernizando seu parque de refino para aumentar a produção interna de óleo diesel já a partir de 2012. Além disso, há uma política concreta de redução dos níveis de enxofre no diesel nas grandes cidades. De acordo com a nova regulamentação em vigor, o diesel metropolitano deve ter apenas 50 partes por milhão de enxofre (S-50) e não mais 500 ppm (S-500). Capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Recife, Fortaleza, Belém e Curitiba já se beneficiam de um diesel mais limpo. Em janeiro de 2010, conforme cronograma aprovado pelo Ministério Público Federal (MPF), o S-50 deverá chegar em Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador e municípios da Região Metropolitana de São Paulo.

A medida tem grande impacto para a saúde pública e garante margem de segurança para um uso maior de diesel. Outra medida que poderá beneficiar ainda mais os habitantes das grandes metrópoles é a adição de 20% de biodiesel no diesel (B20), em vez dos atuais 4% - proposta levada ao governo pelos produtores de biodiesel. 

Liberação
Já está em tramitação no Senado um projeto de lei para liberar a comercialização de veículos de passeio movidos a diesel. Na última quarta-feira (5), o PLS 656/07, de autoria do senador Gerson Camata (PMDB-ES), foi aprovado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). De acordo com o texto, caberá à Agência Nacional de Petróleo (ANP) regulamentar a utilização do diesel nesses carros. O projeto segue agora para avaliação na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE). “Nós temos a expectativa de que a liberação vai acontecer. Queremos ter a opção de escolher qual carro comprar”, disse Avanzini.

Alice Duarte - BiodieselBR.com
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