O quinto leilão de biodiesel que a Agência Nacional do Petróleo (ANP) realiza amanhã é o primeiro teste da disposição do mercado em produzir os 2,4 bilhões de litros necessários para a adoção da mistura de 5% do biocombustível ao diesel. No último sábado, o presidente Lula afirmou na inauguração de uma fábrica da Brasil Ecodiesel em Iraquara (BA) que a porcentagem, antes programada para ser obrigatória a partir de 2013, será antecipada para 2010.
Catarina Pezzo, coordenadora de projetos do Pólo Nacional de Biocombustíveis, explica que os quatro primeiro leilões comercializaram 840 milhões de litros de biodiesel, o suficiente para garantir o suprimento da mistura de 2% que começa a valer em 2008. “O quinto leilão tem a expectativa de avaliar o mercado, de forma a orientar as políticas do governo”, diz a especialista do pólo, ligado à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba (SP).
No leilão de amanhã, a Petrobras vai adquirir 50 milhões de litros de biodiesel, para entrega até dezembro deste ano. Por isso, a possibilidade de venda fica restrita às fábricas já existentes, o que torna grande a expectativa sobre a tendência de preços de agora em diante. “Presenciamos agressividade exagerada de alguns concorrentes nos leilões anteriores”, diz a diretora financeira da Granol, Paula Regina Ferreira. A empresa terá uma capacidade de produção anual de 320 milhões de litros até o fim do ano.
Paula prevê que o preço médio do biodiesel no leilão de amanhã ficará acima do R$ 1,747 registrado no último leilão, já que apenas fábricas prontas poderão participar. No último leilão, realizado em julho de 2006, a Brasil Ecodiesel vendeu 428 milhões de litros a R$ 1,73, enquanto a Granol forneceu apenas 1,8 milhão de litros, pelo preço mais alto entre as ofertas vencedoras: R$ 1,90.
“Os preços deverão se situar num patamar mais realista e menos especulativo do que nos leilões anteriores, onde puderam entrar também empresas com projetos de biodiesel e sem know-how dos riscos ou dos custos efetivos de operação”, acredita a executiva. A Granol, uma esmagadora de soja com mais de 40 anos, iniciou a atuação no biodiesel com o arrendamento de uma planta em Campinas, de 60 milhões de litros por ano, que está em manutenção. Já está operando uma fábrica de 120 milhões de litros em Anápolis (GO) e inaugura ainda este ano uma unidade de 140 milhões de litros em Cachoeira do Sul (RS).
Paula diz que a Granol só oferta volumes de biodiesel para os quais a empresa tem condições de fazer hedge (proteção contra alta ou baixa nos preços) da matéria-prima, no caso a soja. Mas Catarina, do Pólo Nacional de Biocombustíveis, avalia que a saída para a produção viável de biodiesel é justamente as empresas se desligarem do mercado de commodities agrícolas, disputadas com a produção de alimentos.
A expectativa de Catarina é que os preços médios do biodiesel continuem caindo, à medida que novas tecnologias e matérias-primas são acrescentadas à produção. Para ela, a recente alta nos preços da soja é um desafio à produção lucrativa, mas deve forçar os produtores a buscar fontes de óleo mais baratas, como o sebo bovino.
A coordenadora do Pólo Nacional de Biocombustíveis avalia que os leilões só deverão ser suspensos quando da inclusão obrigatória dos 5%. Na opinião dela, esse será o momento no qual o mercado terá oferta e demanda que poderão se regular sozinhas.
“A tendência é que o mercado de biodiesel se iguale ao do álcool quando os leilões acabarem”, diz Catarina. As usinas vão comercializar o biodiesel diretamente com as distribuidoras de combustíveis, que por sua vez venderão o diesel já com 5% de biodiesel aos postos, como ocorre com o álcool anidro misturado à gasolina.
A Brasil Ecodiesel, maior produtora do País, tem sua base de produção na mamona e utiliza a soja apenas para complementar a produção, o que segundo a empresa garante os baixos custos. A planta de Iraquara será responsável pela entrega de 80 milhões de litros de biodiesel até o fim do ano.
Na inauguração da unidade, Lula afirmou ainda que o governo está “trabalhando para que um dia a indústria brasileira possa produzir um motor a biodiesel, para não ter de fazer mistura”.
Luiz Silveira
Catarina Pezzo, coordenadora de projetos do Pólo Nacional de Biocombustíveis, explica que os quatro primeiro leilões comercializaram 840 milhões de litros de biodiesel, o suficiente para garantir o suprimento da mistura de 2% que começa a valer em 2008. “O quinto leilão tem a expectativa de avaliar o mercado, de forma a orientar as políticas do governo”, diz a especialista do pólo, ligado à Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba (SP).
No leilão de amanhã, a Petrobras vai adquirir 50 milhões de litros de biodiesel, para entrega até dezembro deste ano. Por isso, a possibilidade de venda fica restrita às fábricas já existentes, o que torna grande a expectativa sobre a tendência de preços de agora em diante. “Presenciamos agressividade exagerada de alguns concorrentes nos leilões anteriores”, diz a diretora financeira da Granol, Paula Regina Ferreira. A empresa terá uma capacidade de produção anual de 320 milhões de litros até o fim do ano.
Paula prevê que o preço médio do biodiesel no leilão de amanhã ficará acima do R$ 1,747 registrado no último leilão, já que apenas fábricas prontas poderão participar. No último leilão, realizado em julho de 2006, a Brasil Ecodiesel vendeu 428 milhões de litros a R$ 1,73, enquanto a Granol forneceu apenas 1,8 milhão de litros, pelo preço mais alto entre as ofertas vencedoras: R$ 1,90.
“Os preços deverão se situar num patamar mais realista e menos especulativo do que nos leilões anteriores, onde puderam entrar também empresas com projetos de biodiesel e sem know-how dos riscos ou dos custos efetivos de operação”, acredita a executiva. A Granol, uma esmagadora de soja com mais de 40 anos, iniciou a atuação no biodiesel com o arrendamento de uma planta em Campinas, de 60 milhões de litros por ano, que está em manutenção. Já está operando uma fábrica de 120 milhões de litros em Anápolis (GO) e inaugura ainda este ano uma unidade de 140 milhões de litros em Cachoeira do Sul (RS).
Paula diz que a Granol só oferta volumes de biodiesel para os quais a empresa tem condições de fazer hedge (proteção contra alta ou baixa nos preços) da matéria-prima, no caso a soja. Mas Catarina, do Pólo Nacional de Biocombustíveis, avalia que a saída para a produção viável de biodiesel é justamente as empresas se desligarem do mercado de commodities agrícolas, disputadas com a produção de alimentos.
A expectativa de Catarina é que os preços médios do biodiesel continuem caindo, à medida que novas tecnologias e matérias-primas são acrescentadas à produção. Para ela, a recente alta nos preços da soja é um desafio à produção lucrativa, mas deve forçar os produtores a buscar fontes de óleo mais baratas, como o sebo bovino.
A coordenadora do Pólo Nacional de Biocombustíveis avalia que os leilões só deverão ser suspensos quando da inclusão obrigatória dos 5%. Na opinião dela, esse será o momento no qual o mercado terá oferta e demanda que poderão se regular sozinhas.
“A tendência é que o mercado de biodiesel se iguale ao do álcool quando os leilões acabarem”, diz Catarina. As usinas vão comercializar o biodiesel diretamente com as distribuidoras de combustíveis, que por sua vez venderão o diesel já com 5% de biodiesel aos postos, como ocorre com o álcool anidro misturado à gasolina.
A Brasil Ecodiesel, maior produtora do País, tem sua base de produção na mamona e utiliza a soja apenas para complementar a produção, o que segundo a empresa garante os baixos custos. A planta de Iraquara será responsável pela entrega de 80 milhões de litros de biodiesel até o fim do ano.
Na inauguração da unidade, Lula afirmou ainda que o governo está “trabalhando para que um dia a indústria brasileira possa produzir um motor a biodiesel, para não ter de fazer mistura”.
Luiz Silveira
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