O Grupo Bionor – Indústria de Biodiesel Nordeste S/A – planeja adotar um modelo integrado de produção,
com metas ambiciosas de plantio do pinhão-manso e de participação da
agricultura familiar.
Passado o grande desapontamento de produtores, usineiros e governo com a mamona, agora as atenções se convergem para o pinhão-manso. Quem está apostando todas as fichas nessa alternativa é o Grupo Bionor – Indústria de Biodiesel Nordeste S/A –, uma empresa de capital nacional que planeja adotar um modelo integrado de produção, com metas ambiciosas de plantio da oleaginosa e de participação da agricultura familiar. É previsto um investimento total de R$ 209 milhões, incluindo a construção de uma fábrica de biodiesel na cidade de Cajazeiras (PB), cinco esmagadoras de grãos, um laboratório e um berçário para mudas de pinhão-manso. Se o projeto se concretizar, o Estado da Paraíba ganhará sua primeira usina, com capacidade de produção de 150 milhões de litros ao ano, podendo estar entre as dez maiores unidades do país.
O grupo ainda está buscando financiamento para tirar o projeto do papel. “Um projeto de R$ 209 milhões, que atende o caráter social e econômico do programa de biodiesel, carece de apoio do governo federal por parte do BNDES”, disse a diretora administrativa da Bionor, Rita Medeiros, que esteve em novembro passado com o presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff para pedir apoio. O grupo possui apenas 20% desse recurso. Se o restante pleiteado junto ao BNDES for liberado, Rita acredita que a usina comece a operar no segundo semestre de 2010. No entanto, até lá não haverá matéria-prima em quantidade suficiente na região.
Suprimento
A empresa quer fugir do fantasma que inviabilizou a produção de mamona: a falta de variedades genéticas com maior produtividade. Para isso está negociando a importação de sementes selecionadas de pinhão-manso da China por intermédio da Argus, empresa com sede no Rio Grande do Sul. Para preparar o terreno para produção, a Bionor também vem buscando parcerias há três anos com os sindicatos rurais dos municípios e com as secretarias municipais e estadual de Agricultura para o cultivo da oleaginosa. “Vamos fornecer mudas produzidas em nosso berçário aos agricultores”, diz Rita. A empresa pretende envolver de 23 a 25 mil famílias, em um total de 90 municípios da região. “Se cada família plantar cinco hectares teremos 120 mil hectares plantados somente através da agricultura familiar e sem desmatamento ou desperdício de outras culturas”, calcula.
Em setembro do ano passado foram iniciadas as primeiras plantações em caráter experimental, em 11 municípios. A diretora conta que foi fácil introduzir o pinhão-manso como alternativa de renda para os agricultores, por meio da associação com outras culturas, como milho e feijão. O fato é que a colheita será modesta nos primeiros anos e Rita diz já estar preparada para isso. “A nossa matéria-prima será 100% pinhão-manso, mas no início também trabalharemos com a mamona”, diz a executiva, informando que inicialmente a unidade deverá produzir 80 milhões de litros/ano. Assim como outras usinas instaladas no Nordeste, a Bionor terá que buscar soja de outras regiões nesse período, já que a produção de mamona é pequena e não há viabilidade econômica para a produção de biodiesel a partir deste óleo.
A expectativa da empresa é que no terceiro ano após o plantio do pinhão-manso cada agricultor tenha de 2.500 a 3.000 quilos de grãos por hectare plantado. Baseado nisso haveria uma produção anual de 330 mil toneladas de grãos, com rendimento de 142 mil toneladas de óleo, já que, segundo a Argus, essa variedade de pinhão-masno importada renderia 43%. Esse volume será suficiente para atender toda capacidade instalada da usina, que será de 150 milhões de litros ao ano. “Hoje se espera pela produção de pinhão-manso como se espera pela chuva no sertão paraibano”, diz.
Com a matéria-prima produzida integralmente pela agricultura familiar, a Bionor espera obter os benefícios fiscais do Selo Combustível Social. Mas o envolvimento desses agricultores tem sido um grande desafio para os empresários do setor, que são obrigados a investir em assistência técnica. Como o dinheiro gasto na capacitação dos trabalhadores rurais é alto, as vantagens obtidas como selo podem até ser anuladas. A questão fica ainda mais complicada nos casos de culturas novas como o pinhão-manso, em que não há conhecimento técnico suficiente, definição do zoneamento agrícola, nem inserção no financiamento do Pronaf.
Logística
A localização de Cajazeiras, segundo a diretora, facilita o escoamento da produção da usina, que poderá ser feito por rodovias ou ferrovias. A cidade faz fronteira com os Estados do Ceará e Rio Grande do Norte e fica cerca de 460 quilômetros de Fortaleza e Natal, e 476 quilômetros da capital João Pessoa. “Temos linha férrea disponível para o porto de Fortaleza e o porto de Recife. Além disso, nenhum dos 90 municípios inclusos no processo de produção de sementes fica distante mais de 60 quilômetros das unidades de esmagamento”, diz. As unidades serão instaladas nos municípios de Cajazeiras, Souza, Pombal, Patos e Itaporanga. O laboratório, que irá funcionar junto com o berçário, será construído na cidade de São João do Rio do Peixe.
Co-produtos
A Bionor pretende comercializar a glicerina gerada na produção do biodiesel e já está negociando com uma empresa italiana que faz o beneficiamento do produto. A torta, um co-produto resultante do esmagamento dos grãos, será destinada à produção de ração animal e adubo. Para isso, o produto passará por um processo de desintoxicação no qual será extraída a ricina, que é o que torna tanto o pinhão-manso como a mamona nocivos para o consumo animal. “Esse será o grande diferencial da Bionor frente às outras empresas do Brasil. Vamos importar tecnologia da China através da Argus”, antecipa.
Alice Duarte - BiodieselBR.com
Passado o grande desapontamento de produtores, usineiros e governo com a mamona, agora as atenções se convergem para o pinhão-manso. Quem está apostando todas as fichas nessa alternativa é o Grupo Bionor – Indústria de Biodiesel Nordeste S/A –, uma empresa de capital nacional que planeja adotar um modelo integrado de produção, com metas ambiciosas de plantio da oleaginosa e de participação da agricultura familiar. É previsto um investimento total de R$ 209 milhões, incluindo a construção de uma fábrica de biodiesel na cidade de Cajazeiras (PB), cinco esmagadoras de grãos, um laboratório e um berçário para mudas de pinhão-manso. Se o projeto se concretizar, o Estado da Paraíba ganhará sua primeira usina, com capacidade de produção de 150 milhões de litros ao ano, podendo estar entre as dez maiores unidades do país.
O grupo ainda está buscando financiamento para tirar o projeto do papel. “Um projeto de R$ 209 milhões, que atende o caráter social e econômico do programa de biodiesel, carece de apoio do governo federal por parte do BNDES”, disse a diretora administrativa da Bionor, Rita Medeiros, que esteve em novembro passado com o presidente Lula e a ministra Dilma Rousseff para pedir apoio. O grupo possui apenas 20% desse recurso. Se o restante pleiteado junto ao BNDES for liberado, Rita acredita que a usina comece a operar no segundo semestre de 2010. No entanto, até lá não haverá matéria-prima em quantidade suficiente na região.
“Hoje se espera pela produção de pinhão-manso como se espera pela chuva no sertão paraibano” Rita Medeiros
Suprimento
A empresa quer fugir do fantasma que inviabilizou a produção de mamona: a falta de variedades genéticas com maior produtividade. Para isso está negociando a importação de sementes selecionadas de pinhão-manso da China por intermédio da Argus, empresa com sede no Rio Grande do Sul. Para preparar o terreno para produção, a Bionor também vem buscando parcerias há três anos com os sindicatos rurais dos municípios e com as secretarias municipais e estadual de Agricultura para o cultivo da oleaginosa. “Vamos fornecer mudas produzidas em nosso berçário aos agricultores”, diz Rita. A empresa pretende envolver de 23 a 25 mil famílias, em um total de 90 municípios da região. “Se cada família plantar cinco hectares teremos 120 mil hectares plantados somente através da agricultura familiar e sem desmatamento ou desperdício de outras culturas”, calcula.
Em setembro do ano passado foram iniciadas as primeiras plantações em caráter experimental, em 11 municípios. A diretora conta que foi fácil introduzir o pinhão-manso como alternativa de renda para os agricultores, por meio da associação com outras culturas, como milho e feijão. O fato é que a colheita será modesta nos primeiros anos e Rita diz já estar preparada para isso. “A nossa matéria-prima será 100% pinhão-manso, mas no início também trabalharemos com a mamona”, diz a executiva, informando que inicialmente a unidade deverá produzir 80 milhões de litros/ano. Assim como outras usinas instaladas no Nordeste, a Bionor terá que buscar soja de outras regiões nesse período, já que a produção de mamona é pequena e não há viabilidade econômica para a produção de biodiesel a partir deste óleo.
A expectativa da empresa é que no terceiro ano após o plantio do pinhão-manso cada agricultor tenha de 2.500 a 3.000 quilos de grãos por hectare plantado. Baseado nisso haveria uma produção anual de 330 mil toneladas de grãos, com rendimento de 142 mil toneladas de óleo, já que, segundo a Argus, essa variedade de pinhão-masno importada renderia 43%. Esse volume será suficiente para atender toda capacidade instalada da usina, que será de 150 milhões de litros ao ano. “Hoje se espera pela produção de pinhão-manso como se espera pela chuva no sertão paraibano”, diz.
Com a matéria-prima produzida integralmente pela agricultura familiar, a Bionor espera obter os benefícios fiscais do Selo Combustível Social. Mas o envolvimento desses agricultores tem sido um grande desafio para os empresários do setor, que são obrigados a investir em assistência técnica. Como o dinheiro gasto na capacitação dos trabalhadores rurais é alto, as vantagens obtidas como selo podem até ser anuladas. A questão fica ainda mais complicada nos casos de culturas novas como o pinhão-manso, em que não há conhecimento técnico suficiente, definição do zoneamento agrícola, nem inserção no financiamento do Pronaf.
Logística
A localização de Cajazeiras, segundo a diretora, facilita o escoamento da produção da usina, que poderá ser feito por rodovias ou ferrovias. A cidade faz fronteira com os Estados do Ceará e Rio Grande do Norte e fica cerca de 460 quilômetros de Fortaleza e Natal, e 476 quilômetros da capital João Pessoa. “Temos linha férrea disponível para o porto de Fortaleza e o porto de Recife. Além disso, nenhum dos 90 municípios inclusos no processo de produção de sementes fica distante mais de 60 quilômetros das unidades de esmagamento”, diz. As unidades serão instaladas nos municípios de Cajazeiras, Souza, Pombal, Patos e Itaporanga. O laboratório, que irá funcionar junto com o berçário, será construído na cidade de São João do Rio do Peixe.
Co-produtos
A Bionor pretende comercializar a glicerina gerada na produção do biodiesel e já está negociando com uma empresa italiana que faz o beneficiamento do produto. A torta, um co-produto resultante do esmagamento dos grãos, será destinada à produção de ração animal e adubo. Para isso, o produto passará por um processo de desintoxicação no qual será extraída a ricina, que é o que torna tanto o pinhão-manso como a mamona nocivos para o consumo animal. “Esse será o grande diferencial da Bionor frente às outras empresas do Brasil. Vamos importar tecnologia da China através da Argus”, antecipa.
Alice Duarte - BiodieselBR.com
Tags
Bionor