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Biodiesel

Dedini fecha acordo com a ECOMAT


O Estado de S. Paulo - 03 jan 2005 - 16:59 - Última atualização em: 09 nov 2011 - 19:22

A Dedini S/A Indústrias de Base, empresa que deverá faturar este ano R$ 550 milhões, tem à mão um acordo comercial com a italiana Balestra exatamente para quando a demanda por biodiesel chegar a casa da centena de milhões de litros. O negócio prevê o uso da tecnologia de produção de biodiesel continuada com uma alteração tecnológica para a rota etílica (uso do etanol) e não metílica (uso do metanol), como na Europa.

As unidades em operação atualmente produzem biodiesel por batelada e são dimensionadas para volumes anuais de 8 milhões de litros de biodiesel. "Um programa para valer demandará unidades de biodiesel capazes de produzir 50 a 100 milhões de litros por ano. E para isso estamos falando de seis ou sete encomendas", diz o otimista Tarcísio Ângelo Mascarim, presidente corporativo da Dedini.

A empresa fechou um acordo estratégico com a Ecomat, uma empresa que controla oito usinas de açúcar e álcool no estado do Mato Grosso. Lá, o objetivo é promover a atualização tecnológica da unidade, que opera há quatro anos. "O objetivo é melhorar a qualidade do combustível e aprimorar o processo industrial", diz Sílvio Rangel, diretor administrativo-financeiro da Ecomat.

ÓLEO VEGETAL
A produção de biodiesel a partir de óleos vegetais deve antes resolver um problema. Qual óleo vegetal será escolhido? Soja? Girassol? Mamona? Segundo a Ecomat, este tem sido um problema para a unidade industrial que utiliza a soja como matéria-prima - exatamente a cultura que em passado recente bateu recordes de preço. Hoje, 80% do custo de produção do biodiesel retirado na unidade da Ecomat, mensura Rangel, é decorrente da matéria-prima.

Não é uma questão insolúvel. A Ecomat aposta num projeto em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e assentados matogrossenses para a produção de oleaginosas alternativas, como girassol e nabo forrageiro. Esta é, aliás, uma característica do programa: incluir o pequeno produtor como fornecedor da matéria-prima. Pode funcionar, mas estes terão de ter condições técnicas e de financiamento para suportar a escala que se avizinha. Caso contrário, sobrará mesmo para grandes produtores capitalizados.

A perspectiva da Ecomat, por ora, é que o acordo com o pessoal de assentamentos poderá facilitar a conversão de óleos vegetais mais baratos em biocombustível. O valor pode cair dos atuais R$ 1,6 mil a tonelada de óleo de soja para R$ 900 a tonelada do óleo bruto de outras fontes. "Com isso, acho que já será possível equiparar o preço do biodiesel com o do diesel, o que hoje é impossível", diz Rangel.

O problema está ainda na área plantada. Para atender à demanda de óleo para a produção anual de 8,5 milhões de litros de biodiesel, a empresa precisará de uma área de 15 mil hectares de cobertura vegetal. Mas não terá isso imediatamente.