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Burocracia pode atrasar alternativas para o biodiesel

A demora das autoridades do Brasil em vencer questão burocrática pode fazer com que alternativas demorem para ser implantadas
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A demora das autoridades do Brasil em vencer questão burocrática pode fazer com que alternativas demorem para ser implantadas

 A intenção é que, em 2013, o diesel B5, que terá em sua composição 5% de biodiesel, seja utilizado em território nacional. Para isso, serão necessários a produção anual de 2,4 bilhões de litros. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), a meta do Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel (PNPB) será antecipada. Hoje, a demanda fixa do país é de 1,3 bilhão de litros. A intenção é que, antes de 2020, o país chegue a 4 bilhões de litros/ano, suficientes para a produção do B10, com 10% de adição de biodiesel. “No momento, o Brasil tem a terceira maior capacidade para a produção de biodiesel, mas a médio prazo poderá superar os Estados Unidos e até a Alemanha”, aposta Arnoldo de Campos, coordenador do Programa de Biodiesel do MDA.

Na contramão da pressa pelo combustível limpo, a Associação Brasileira de Produtores de Pinhão-Manso (ABPPM) considera lento o processo de zoneamento de espécies, que emperra a produção nacional. A medida é pré-requisito para o acesso ao crédito por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

Em documento oficial, a entidade chegou a alertar o governo federal sobre o rápido crescimento do interesse estrangeiro na exploração da cultura no Brasil, podendo levar o maior produtor mundial da espécie a, ironicamente, ficar sem o seu óleo. Pelo Pronaf, pequenos produtores podem cultivar até 32 hectares, com custeio máximo de R$ 26 mil. De acordo com o MDA, no caso do pinhão-manso, o zoneamento só sairá no início do ano que vem, quando o pacote tecnológico estiver concluído.

Como admite Arnoldo de Campos, a extensão da tecnologia da prateleira das empresas de pesquisa para o campo não é o único desafio para o desenvolvimento de culturas alternativas no país. O crédito ainda é considerado um risco. Em 2007, mais de 90% dos pedidos de custeio acionados pelo Pronaf foram negados pelo sistema financeiro.

CONSÓRCIO
O recurso que não é liberado por aqui chega do exterior. Em Barbacena, o projeto da Refinaria Nacional de Petróleo Vegetal foi a atividade escolhida para sustentar uma atividade social de sucesso, que ampara 430 crianças de baixa renda. O diretor-executivo da refinaria, Luciano Piovesan, explica o investimento. “Entre o projeto agrícola e a planta industrial, já foram investidos R$ 22,5 milhões.” Recursos públicos somaram R$ 3,1 milhões e outros R$ 19,4 milhões tiveram o apoio italiano. A plantação de pinhão-manso começou em 2005 e há o cultivo consorciado com amendoim e esmagamento do caroço de algodão. A intenção do projeto é atingir 4 mil produtores rurais.

A corrida mundial em busca da matéria-prima ainda não encontra demanda suficiente. O Instituto Volta ao Campo (IVC), que coordena no Triângulo o plantio de oleaginosas com financiamento suíço, ainda não tem como atender a demanda de um cliente americano. “Eles querem comprar 900 toneladas de óleo por ano, sendo 75 toneladas mensais. Acreditamos que em três anos teremos esta capacidade”, analisa o consultor do IVC, José Soares de Aquino.

Luciano Piovesan lembra que o mercado por crédito de carbono (energia limpa) impulsiona a corrida. “Na Europa é grande o incentivo pela substituição energética. Nos 10 primeiros anos, as empresas envolvidas na proposta recebem pelo crédito de carbono, três vezes mais que o valor do quilowatt comercializado.”

O Estado de Minas - MG
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