Petróleo cai ao menor nível de preços desde início da guerra no Irã
O aumento no tráfego pelo Estreito de Ormuz e a ausência de ruídos nas negociações entre EUA e Irã levaram os preços do petróleo a atingirem ontem o menor valor de fechamento desde o início da guerra, no dia 27 de fevereiro. E, embora o sentimento no mercado de energia seja de otimismo, analistas do setor ponderam se o alívio nos valores poderá ser sustentado daqui em diante ou se o movimento já pode ser considerado exagerado.
O Brent, referência global, com entrega para agosto encerrou em queda de 4,33%, negociado a US$ 73,74 por barril, na Intercontinental Exchange (ICE). O WTI, referência americana, com vencimento para o mesmo mês cedeu 3,92%, a US$ 70,34 por barril, na New York Mercantile Exchange (Nymex).
A queda do petróleo foi direcionada pelo aumento no tráfego pelo Estreito de Ormuz e pelas projeções de avanço na produção por países no Golfo Pérsico. Os Emirados Árabes Unidos restabeleceram a maior parte dos níveis de produção anteriores ao conflito, enquanto o Kuwait e o Iraque também estão ampliando as exportações.
Ambas as referências já mostram descontos relevantes nos preços neste mês, com recuos acima de 17% no período, provocados, sobretudo, pelo avanço nas tratativas entre EUA e Irã. O forte grau de alívio nos valores do barril, porém, leva analistas a discutirem se o movimento já chegou ao seu limite e se há riscos de uma reversão da dinâmica, considerando a volatilidade do cenário geopolítico.
Na avaliação de Soojin Kim, analista de pesquisa do MUFG, embora as negociações continuem complexas, o mercado está incorporando cada vez mais a perspectiva de uma normalização gradual dos fluxos de energia. “A recuperação contínua das exportações do Golfo e a redução do prêmio de risco geopolítico devem manter a pressão de baixa sobre os preços do petróleo.”
Há, no entanto, quem mostre uma visão mais cética sobre os preços. Os estrategistas de commodities do ING, Ewa Manthey e Warren Patterson, acreditam que a onda de vendas de petróleo foi exagerada, visto que o mercado continua apresentando um quadro de aperto na oferta.
O recuo do petróleo foi ampliado após o presidente dos EUA, Donald Trump, descartar a cobrança de taxas pelo Irã para o tráfego em Ormuz e afirmar que 19 milhões de barris transitaram pelo estreito em um único dia. Esse volume seria superior aos níveis pré-guerra, que variavam entre 16 milhões e 18 milhões de barris, e acima das estimativas de participantes do mercado, de um trânsito diário de 6 a 7 milhões de barris nos últimos dias.
O analista-chefe de commodities do SEB, Bjarne Schieldrop, argumenta que, diante das incertezas quanto à situação de Ormuz, é provável que exista uma assimetria no tráfego, com navios retidos há meses muito mais ansiosos para sair do que novas embarcações para entrar.
Schieldrop alerta, ainda, para uma eventual correção de preços nos próximos dias. “Uma combinação possível poderia envolver o esgotamento da massa de petróleo retida no Estreito em uma ou duas semanas, caso as saídas continuem no ritmo atual enquanto novas embarcações que entram adotam maior cautela, somado a mais bombardeios israelenses no Líbano.”
Artur Scaff – Valor Econômico


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