Impacto na inflação por conta do aumento de mistura seria mínimo
Estudos encomendados pelas associções do setor de biodiesel atestam que aumento da mistura obrigatória teria impacto inflacionário limitado.
BiodieselBR.com ··4 min de leitura
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Estudos encomendados pelas associções do setor de biodiesel atestam que aumento da mistura obrigatória teria impacto inflacionário limitado.
Há cerca de um mês, era grande a expectativa no setor de que o tão almejado novo marco regulatório do biodiesel finalmente desencantaria até porque o governo vinha dando sinais nesse sentido. Mas com o calendário correndo e o tradicional recesso de fim de ano se aproximando, a euforia inicial foi se esvaindo. Hoje, são poucos os que acreditam que o biodiesel terá seu teor de mistura ao diesel aumentado até o final de 2013.
O silêncio do governo nas últimas semanas tem alimentado rumores diversos, o mais recorrente dos quais é o de que o anúncio do novo marco estaria sendo represado pela equipe econômica que ainda não estaria 100% convencida de que a medida não traria reflexos significativos para a inflação. Se for essa mesmo a trava, fontes do setor ouvidas por BiodieselBR.com asseguram que o governo não tem o que temer.
O diretor superintendente da Associação dos Produtores de Biodiesel do Brasil (Aprobio), Júlio Minelli, descarta a ideia de que o aumento de mistura terá desdobramentos na inflação. Segundo ele, o biocombustível, inclusive, tem provocado um efeito reverso, contribuindo para a redução da inflação. “Comparando os preços do último trimestre de 2012 com os fechados no L34 para entregas no primeiro bimestre de 2014, houve uma retração de 23,5%”, argumenta.
Já o preço do diesel A (antes da mistura com biodiesel), nesse mesmo período, seguiu na direção oposta, registrando um aumento de 17,4%, segundo contas da Aprobio baseadas em preços oficiais do diesel, divulgados pelo Ministério de Minas e Energia (MME) e pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
De acordo com Minelli, foi justamento o fato de o preço médio do biodiesel negociado nos leilões ter caído quase 24% que permitiu que a alta do diesel nos postos ficasse um pouco abaixo da registrada pelo diesel fóssil puro – os incrementos foram, respectivamente, de 13,7% contra 17,4% no período entre os leilões 27º e 34º. “O B5 colaborou, com sua redução de preço nos últimos catorze meses, para um repasse menor ao consumidor”, conclui.
Ainda pelos cálculos do diretor da Aprobio, em cenários hipotéticos de aumento de mistura – B7 e B10 –, a alta teria sido ainda menor: de 12,3% e 10,3% respectivamente.
Aproximação O economista Leonardo Zilio, Associação Brasileira das Indústrias de Óleo Vegetal (Abiove), é outro a afirmar que preocupações dessa natureza não se justificam. “Não existem impactos inflacionários que mereçam preocupação por parte do Estado”, assegura. “Os preços reais do biodiesel são os menores desde o início de sua vigência compulsória, enquanto que os preços do diesel mantém tendência de alta, haja vista o reajuste de 8% nos preços nas refinarias feito recentemente”, sustenta.
Para evidenciar a aproximação entre os preços do biodiesel e diesel, Zilio toma por exemplo os valores praticados em outubro último, quando o preço do biodiesel na porta das usinas ficou em R$ 1,86 o litro e o do diesel S-10 na refinaria em aproximadamente R$ 1,68 o litro. A diferença entre os preços dos dois combustíveis é de apenas R$ 0,18. “Importante lembrar ainda que a Petrobras subsidia o diesel importado, entregue no porto a R$ 1,76 o litro”, pondera.
Mesmo com a alta de 7,7% no preço médio do biodiesel leiloado no último certame encerrado há pouco mais de uma semana, a relação não se modifica substancialmente. Especialmente se considerarmos os novos preços do diesel com o reajuste de 8% anunciado no fim de novembro. Tendo como parâmetro o preço médio da Região Sudeste, o litro do diesel na vendido para distribuidora estava próximo a R$ 1,86.
Insignificantes No ano passado, a pedido da Aprobio, a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE) analisou os impactos socioeconômicos do biodiesel, entre eles, o relativo à inflação.
De acordo com o estudo, em 2009, impacto inflacionário era de 0,056%. Esse índice caiu para 0,051% em 2010 e, finalmente, para 0,037% em 2011.
Outro estudo, desta vez realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e apresentado pelo economista da Abiove na última edição da Conferência BiodieselBR, realizada em outubro deste ano, sinaliza impactos inflacionários ainda mais sutis.
O estudo da FGV concluiu que, se o patamar da mistura saltasse de B5 para B7, o impacto seria inferior a um centavo de aumento na tarifa de ônibus (R$ 0,007) e de R$ 0,20 na cesta básica – isso se considerando valores médios históricos de 2005 a 2012. “Novas estimativas, realizadas em meados de 2013 e pautadas em preços de diesel e biodiesel atualizados, apontaram que tais impactos seriam 50% menores em relação aqueles originalmente apresentados pelo estudo”, salienta Zilio.