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Sinal vermelho para quem não negociou a matéria-prima

A entressafra da soja no Brasil está levando muito produtor de biodiesel a ter de encontrar uma solução difícil: onde arranjar matéria-prima para manter a usina funcionando?
BiodieselBR.com 5 min de leitura
A entressafra da soja no Brasil está levando muito produtor de biodiesel a ter de encontrar uma solução difícil: onde arranjar matéria-prima para manter a usina funcionando?

O ano está longe de acabar.  Mas a soja disponível no mercado para compra em 2009 pode estar bem perto do fim. O período de entressafra que se aproxima promete ser longo, já que a próxima colheita deve se dar apenas no início do ano que vem. E até lá os produtores de biodiesel, que em sua grande maioria ainda dependem integralmente da soja, responsável por 80% do biodiesel brasileiro, terão de buscar alternativas para manter a usina funcionando e para atender os compromissos previamente assumidos.

Para quem precisa comprar soja em grão ou óleo nos meses de outubro a dezembro desse ano, as notícias não são nada animadoras. A previsão é de que o mercado tenha pouco produto para ofertar. E parte dessa produção já está comprometida com contratos de compra e venda no mercado futuro.

“A maior quantidade de grão e óleo vai estar na mão de poucos traders. Quem negociou no mercado futuro está ótimo. Mas quem deixou para buscar (a matéria-prima) no fim do ano vai ter dificuldades”, prevê a corretora da Uniamérica Márcia Monteiro Lima. Até porque quem tiver o produto em estoque ou já terá um destino para lhe dar ou cobrará caro pela mercadoria rara que terá em mãos.

{sidebar id=92} A aproximação de um período de entressafra não é exatamente inesperada. Acontece todos os anos. Neste ano, porém, houve agravantes. Primeiro: a produção de biodiesel no país aumentou, devido à obrigatoriedade do B4. Segundo, a exportação de soja aumentou e os principais produtores de grãos do Mercosul, como a Argentina e o Paraguai, não tiveram boas safras.

Houve quem se prevenisse. Na Fiagril, por exemplo, a compra de matéria-prima já está garantida. “Já temos a quantidade comprada. Mas sabemos que tem alguns que deixam para negociar em cima da hora”, diz Francisco Flores, gerente da usina. ¨Este foi um ano atípico. Tivemos mais soja sendo exportada. O óleo desapareceu do mercado. Tem que se precaver”, comenta. Flores conta que a usina comprou o suficiente para todo o ano de 2009 e ainda acrescentou 15% à conta, para o caso de decidir aumentar a produção.

João Batista Cardoso, diretor da Binatural, é mais otimista. “Não vai faltar soja”, diz. Cardoso, que ainda precisa de matéria-prima para 2009, afirma que está atento à movimentação do mercado. “A preocupação é com o leilão de novembro (da ANP, para compra de biodiesel). Ainda não fizemos toda a nossa compra por estarmos aguardando o leilão”, explica.

Alternativas
A falta da soja certamente teria impacto significativo na produção de biodiesel do país. Mas, quais são as alternativas mais viáveis para substituí-la?

Segundo Márcia Monteiro Lima, da Uniamérica, o óleo de algodão, que junto com a soja e o sebo bovino tem se destacado entre as principais matérias-primas de biodiesel no país, também está escasso no mercado. “A safra de 2009 foi baixa”, alerta. O valor da tonelada de óleo de algodão está em torno de R$ 1,8 mil, próximo ao da soja, o que o torna financeiramente viável.

“O óleo de girassol está sendo negociado a R$ 2,15 mil a tonelada, um preço superior ao de soja, que está em R$ 1,815 mil”, informa. Mas como esses preços estarão no fim de ano? Isso é outra história. “Oscila muito. Não dá para prever. Mas adianto que entre outubro e dezembro não vai ter preço bom”, diz.

Já o óleo de palma da Malásia, que já é importado pela indústria alimentícia brasileira, tem dois empecilhos para se tornar uma alternativa viável. O primeiro é o custo do transporte, “Trazer o óleo para o Brasil é caro”, avisa. O segundo é o preço da matéria-prima em si. A tonelada desse óleo está sendo comercializada a R$ 2,4 mil. Ou seja: trata-se de uma matéria-prima aproximadamente 30% mais cara do que o óleo de soja. Como o mercado tem sido bastante competitivo e os leilões têm dado grandes margens de lucro para os produtores, essa diferença traria sérios problemas para as usinas.

Caso a solução escolhida seja a compra de soja, porém, a alternativa dos produtores de biodiesel deverá ser mesmo a compra dos vizinhos argentinos e paraguaios. Mesmo com problemas de safra, o que pode elevar um pouco os preços, os dois países oferecem aos compradores a isenção tributária decorrente da participação brasileira no Mercosul. Embora haja incidência de tributos (ver tabela), a compra fica isenta nesse caso de imposto de importação. Uma diferença de 10% que é bastante significativa para o importador.

A outra opção são os Estados Unidos. Nesse caso, não há isenção de impostos. Mas, na falta de soja na América do Sul, o vizinho do Hemisfério Norte passa a ser a saída, já que as datas de colheita por lá são intercaladas com as daqui.

Impostos sobre importação do óleo de soja bruto
  Mercosul Outros países
Imposto de importação não incide 10%
PIS 1,65% 1,65%
Cofins 7,6% 7,6%
IPI 0% 0%
Dados: Receita Federal

Rosiane Correia de Freitas - BiodieselBR.com
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