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Setor de biodiesel argentino atingido por aumento de taxa

Os investimentos no incipiente setor de biodiesel argentino podem ser afetados pela alta na taxa de exportação introduzida pelo governo em março.
BiodieselBR.com 3 min de leitura
Os investimentos no incipiente setor de biodiesel argentino podem ser afetados pela alta na taxa de exportação introduzida pelo governo em março.

 Os investimentos no incipiente setor de biodiesel argentino podem ser afetados pela alta na taxa de exportação introduzida pelo governo em março.

A Argentina, maior fornecedor de óleo de soja do mundo, começou a exportar biodiesel em quantidades significativas pela primeira vez no ano passado, e analistas previam um forte aumento em 2008 devido à crescente demanda mundial pelos chamados combustíveis verdes.

No entanto, o governo de centro-esquerda elevou as taxas de exportação para o biodiesel de cinco para 20%, como parte de uma reformulação dos encargos de exportação do setor, que também elevou as taxas sobre a soja ao vinculá-las aos preços internacionais.

“O problema é com os novos projetos. Alguns investidores estrangeiros decidiram colocar o pé no freio em suas ações na Argentina”, diz Cláudio Molina, diretor-executivo da Associação Argentina de Biodiesel (AAB).

A quadruplicação da carga de impostos sobre o biodiesel diminuiu a lacuna entre as taxas de exportação do produto e as do óleo de soja, apesar do governo também ter aumentado a alíquota do óleo de soja.

Essa considerável lacuna havia convencido muitos investidores a ingressar no setor de biodiesel, mas a elevação da taxa em março reduziu esse incentivo.

“Nós vamos continuar com os projetos que já haviam sido lançados. Mas para os projetos a médio e longo prazo vamos esperar um pouco mais”, diz Julian Echazarreta, subdiretor da ACA (Associação de Cooperativas Argentinas), um dos principais exportadores de soja da Argentina.

FONTE DE ENERGIA
O biodiesel é feito a partir de óleos vegetais ou gorduras animais, e embora a polêmica sobre o uso de alimentos para substituir combustíveis fósseis como fonte de energia tenha aumentado recentemente, seus defensores colocam-no como alternativa ecológica à gasolina e ao diesel.

A Argentina tem sido mais lenta que o vizinho Brasil em estimular o desenvolvimento do setor, mas o regime tributário favorável incentivou, de fato, novos projetos.

O governo aumentou a taxa sobre o biodiesel no mesmo momento em que introduziu uma tabela variável de taxas de exportação sobre produtos como soja, óleo de soja, carne e grãos. A medida desencadeou uma greve de três semanas por parte de fazendeiros, que continuam querendo a sua reversão.

Um analista da Bolsa de Grãos de Rosário, principal porto agrícola da Argentina, diz que o investimento em biodiesel se tornará inviável se o governo continuar a reduzir a lacuna entre as taxas de exportação sobre o biodiesel e o óleo vegetal.

A elevação vem em um momento de crescentes críticas internacionais à destinação de alimentos para uso como combustível, devido aos elevados preços de artigos de primeira necessidade como óleo de cozinha, milho e farinha. Alguns países já estão revendo suas políticas de cotas de biodiesel.

De acordo com números da Secretaria de Agricultura argentina, a capacidade de produção de biodiesel do país era de 600 mil toneladas no início do ano e vai mais que dobrar, para cerca de 1,5 milhão de toneladas, até o fim de 2008.

Molina estimou que a capacidade pode chegar a 1,8 milhão de toneladas até o fim do ano, embora a preocupação dos investidores possa levar a uma desaceleração no longo prazo.

“Os investidores estão começando a desconfiar, e quando o investidor desconfia, pode acabar mudando de idéia quanto a investir no setor”, diz.

Maximilian Heath
Fonte: Reuters
Tradução e adaptação: Fausto Tiemann - BiodieselBR.com
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