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Setor de biodiesel de algas não vê problemas em crescimento lento

Apesar do cenário sombrio no curto prazo, pesquisadores e investidores do setor de algas acreditam que um ritmo de negócios mais lento possa ser favorável.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
Apesar do cenário sombrio no curto prazo, pesquisadores e investidores do setor de algas acreditam que um ritmo de negócios mais lento possa ser favorável.

 A súbita queda do preço do petróleo nos últimos seis meses eliminou a necessidade premente de se desenvolver novos biocombustíveis, assim como a crise econômica reduziu drasticamente a disponibilidade de recursos para financiamento. Mas apesar do cenário sombrio no curto prazo, pesquisadores e investidores do setor de algas, mais nova matéria-prima para fabricação de biodiesel, acreditam que um ritmo de negócios mais lento possa ser favorável.

“A maioria das companhias de alga ainda está em fase inicial e não será muito afetada pela recessão, já que não há preocupação com lucros e clientes”, afirma Dennis Costello, diretor-gerente do escritório em Boston da Braemar Energy Ventures, empresa de capital de risco de Nova York que no ano passado investiu na californiana Solazyme, desenvolvedora de tecnologia de algas. “Com isso as empresas ganharam tempo”, diz.

As companhias de algas mais conhecidas da região são a GreenFuel Technologies, de Cambridge, e a Bodega Algae, também de Boston. A GreenFuel demitiu 19 funcionários no mês passado – quase metade de seu quadro –, mas o CEO da empresa, Simon Upfil-Brown, explicou que a medida vai de encontro ao projeto de construção de um biorreator de US$ 92 milhões na Espanha, cujos trabalhos de engenharia serão em grande parte terceirizados. Apesar das demissões, segundo ele, a empresa e o projeto seguem firmes.

“As algas ainda são a melhor opção [de matéria-prima para biodiesel] em termos de viabilidade”, diz Upfil-Brown. “Os diretores da empresa sempre acreditaram que o tempo necessário para aperfeiçoar um sistema como este é medido em anos, e não em meses”, acrescenta.

A Bodega Algae, de menor porte (seis funcionários), também vem mantendo o seu cronograma. A empresa pesquisa novos tipos de fonte de luz para acelerar o crescimento de algas em biorreatores. De acordo com seu CEO, Joe Dahmen, a Bodega Algae possui quatro protótipos do sistema que criou em fase de testes – dois no Centro de Pesquisas Ames da Nasa, na Califórnia, e dois em um centro de pesquisas na Universidade de Washington – e está também desenvolvendo um produto de nova geração, que deve ser menor e mais eficiente.

Dahmen acredita que o menor interesse por substitutos para o petróleo e a gasolina é temporário, e que o quadro está incentivando os pesquisadores do setor a olharem para outras áreas em busca de aplicações mais genéricas para as algas. “Bioplásticos, biocêuticos (alimentos funcionais) e aplicações industriais estão sendo considerados mercados de curto prazo”, diz.

O mais recente uso encontrado para as algas é na fabricação de combustível para aviões: a Continental Airlines divulgou no mês passado a realização bem-sucedida de um vôo de teste com um 737 utilizando biodiesel de algas.

Pelo menos 15 outras companhias americanas estão trabalhando exclusivamente em produtos baseados em algas, enquanto inúmeras empresas de outras áreas pretendem ingressar no setor, incluindo a start-up biotecnológica Codon Devices, de Cambridge, que firmou uma parceria plurianual com a Algenol Biofuels, da Flórida, para o desenvolvimento de biocombustíveis de alga.

Há ainda vários pesquisadores universitários trabalhando com a tecnologia. Em Connecticut, a Universidade de New Haven recebeu US$ 135 mil do Centro de Tecnologia Avançada de Connecticut para estudar o uso de algas na produção de combustível em Long Island. Na Universidade de New Hampshire, o professor Ihab Farag e seu grupo de alunos do Laboratório de Biodiesel vêm desenvolvendo técnicas eficazes de cultivo de algas a partir de esgoto e água do mar.

{sidebar id=16}Os recursos para financiamento diminuíram nos últimos quatro meses, mas não secaram totalmente. Costello, da Braemar Energy, afirma que sua empresa está trabalhando com pelo menos dois outros grupos, cujos nomes preferiu não revelar. Já o Allied Minds, grupo de investimento que busca aplicar os resultados de pesquisas acadêmicas em empresas, investiu na construção de uma subsidiária na Universidade de Washington, a AXI, que vem criando variedades de alga economicamente vantajosas para a produção de biodiesel.

Além disso, o Departamento de Energia dos EUA anunciou recentemente a alocação de US$ 200 milhões para financiar uma usina piloto de biodiesel que deve utilizar biorreatores de alga. Ao mesmo tempo, o presidente americano Barack Obama vem constantemente ressaltando a importância dos biocombustíveis, o que tem levado empresários e pesquisadores do setor a olharem para o novo governo com grande otimismo.

Efrain Viscarolasaga
Mass High Tech

Tradução e adaptação BiodieselBR.com
Tags Algas
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