BiodieselBR
Publicidade

Processo extrai óleo a partir de algas vivas

O desafio de realizar a extração em algas ainda vivas é colher o óleo sem causar dano permanente à parede da célula.
BiodieselBR.com 3 min de leitura
O desafio de realizar a extração em algas ainda vivas é colher o óleo sem causar dano permanente à parede da célula.

A americana OriginOil desenvolveu uma tecnologia que promete aumentar a eficiência da produção de óleo a partir de microalgas, considerada por muitos uma das fontes mais promissoras para a fabricação de combustíveis renováveis. A companhia anunciou que teve sucesso na extração de óleo sem a necessidade de sacrificar os microorganismos. A chamada extração viva é feita estimulando as algas por modulações elétricas específicas sem destruir suas células. Esse processo será combinado a um ciclo de produção contínuo desenvolvido pela empresa, com colheitas diárias e sem a necessidade de incubação das algas.

Esses microorganismos, geralmente unicelulares, protegem seu óleo por meio de uma membrana celular resistente. O desafio de realizar a extração em algas ainda vivas é colher o óleo sem causar dano permanente à parede da célula. Segundo a empresa, esse objetivo foi alcançado em escala de laboratório e agora o método está sendo testado em um tanque com capacidade para 200 galões.

"Nós estamos contentes com os resultados obtidos até agora", disse o diretor de tecnologia da OriginOil, Vikram Pattarkine, por meio da assessoria de imprensa. A companhia entrou recentemente com um pedido de patente desse processo, intitulado "Procedimento para extração de lipídios de algas sem sacrifício de células". Esse é o nono pedido de patente da OriginOil. "Nós esperamos que o novo processo de extração possa coexistir com nosso processo diário de extração 'destrutiva' para criar até mesmo um ciclo combinado mais eficiente", analisa o diretor. 

À parte de qualquer ganho de produção, a empresa acredita que é necessário juntar os dois processos porque a cultura de algas deve ser renovada regularmente para remover toxinas. O processo de produção contínua apoiaria a extração viva removendo uma porcentagem da cultura diariamente, enquanto renova o ambiente e dá espaço para as algas crescerem.

Pesquisas
Apesar das microalgas representarem um enorme potencial de crescimento e rendimento de óleo, o grande gargalo – que tem demandado milhões de dólares em pesquisas– sempre foi o desenvolvimento de maneiras eficientes (e baratas) de separar as microalgas da água e posteriormente extrair o óleo. Utilizar solvente para isso não tem sido uma boa solução, já que as células das algas possuem uma dura membrana de celulose, dificultando a penetração dos produtos químicos, bem como a extração mecânica.

Quem agora está somando esforços para resolver esse gargalo é a petroleira Exxon Mobil e a empresa de biotecnologia Synthetic Genomics (SG), que recentemente anunciaram um investimento de US$ 600 milhões para pesquisas na área. Uma das apostas é o melhoramento genético das algas para que elas possam excretar o óleo naturalmente, ter uma taxa de crescimento mais rápida ou rendimentos de óleo mais elevados. “Integrando a extração viva com melhorias genéticas, estamos provendo uma nova plataforma de tecnologia", disse Paul Reep, do corpo técnico da SG e um dos inventores da companhia.

O processo da OriginOil tem a vantagem de não ficar limitado apenas ao desenvolvimento de espécies geneticamente modificadas, além de não empregar produtos caros como membranas de osmose inversa.

Diagrama da extração

Alice Duarte - BiodieselBR.com
Tags Algas
Compartilhar:

Artigos relacionados