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Problema com o biodiesel de sebo continua

Problemas com a solidificação do combustível a baixas temperaturas deixam empresas e a ANP apreensivas
BiodieselBR.com 4 min de leitura
Problemas com a solidificação do combustível a baixas temperaturas deixam empresas e a ANP apreensivas

Quando a temperatura baixa, o nível de preocupação de distribuidores de combustível e da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) sobe. É que o biodiesel feito de sebo animal tem se mostrado propenso a solidificar mesmo quando os termômetros registram um frio ameno. “O relatos que temos recebido é que aos 15o o combustível já apresenta pontos de solidificação”, conta Walber Tuler Silva, da Potencial Petróleo. Os casos não estariam limitados ao B100 de sebo, mas também a misturas com teor de gordura animal superior a 50%.

Para se ter uma idéia da dimensão do problema, em Curitiba, capital do Paraná, este ano a temperatura mínima média deve ficar entre 8o e 15o em dez dos doze meses do ano. Em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, onde as temperaturas são mais amenas, a mínima média deve ficar entre 11o e 15o de maio a outubro.

 “No Sul não compramos biodiesel de sebo”, afirma Sebastião do Carmo Lara, diretor executivo da Brasilcom, Sindicato das Distribuidoras de Petróleo. “A implantação do biodiesel no país é um processo em evolução. É com a experiência que estamos tendo que vamos descobrir o que é melhor”, releva. No entanto, para evitar que as empresas tenham prejuízos com a solidificação do combustível, as distribuidoras resolveram evitar a aquisição do biodiesel de sebo nos estados do sul. “Se o combustível solidifica dentro dos tanques ou dentro dos caminhões, temos que ficar com tudo isso parado até que a temperatura volte a subir”, avalia.

O problema do ponto de entupimento do biodiesel de sebo foi o tema de uma reunião promovida pela ANP com produtores e distribuidores. Mas ainda não houve nenhuma determinação oficial sobre como lidar com essa dificuldade. Procurada pela BiodieselBR para comentar o conteúdo da reunião e o assunto, a ANP não confirmou nem a realização do evento. No entanto, pessoas que participaram do encontro informaram à reportagem que a Agência reforça a orientação de vender biodiesel de sebo só em regiões quentes do país.

A falta de consenso é fruto de outra questão fundamental no Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB): o custo. Os distribuidores de combustível defendem que os produtores incorporem ao combustível um aditivo que impeça a solidificação. “Eles (os produtores) não querem arcar com o ônus de solucionar o problema”, critica um profissional da área que não quis se identificar.

Do lado das distribuidoras, o problema da solidificação pode ser contornado com a simples instalação de um sistema de traço elétrico nas tubulações e tanques. “Custa em torno de R$ 50 a R$ 90 o metro instalado”, explica Will Manoel, da PowerSystems. O problema é que, para as distribuidoras que já estão pagando caro pelo biodiesel, a perspectiva de ter que fazer investimentos é incômoda.

Segundo Manoel, o mercado de biodiesel ainda é novo para a empresa. “Nossos clientes em geral estão na indústria petroquímica”, conta. Mas a empresa já está tentando se aproximar de usinas e outros clientes em potencial no setor. O sistema mantém toda a tubulação aquecida a, no mínimo, 60o, o que impede a solidificação. “O preço varia de acordo com a temperatura, mas no caso do biodiesel não acredito que seja necessário uma temperatura superior a essa”, avalia.

Para Sebastião do Carmo Lara, da Brasilcom, as dificuldades das distribuidoras com o biodiesel de sebo são reflexo de outro problema enfrentado pelo setor. “O que precisamos é de certificados de qualidade que tenham um lastro de idoneidade para que eles sejam um retrato fiel do combustível”, avalia. Walber Tuler Silva, da Potencial, relata a mesma preocupação. “Já recebemos boletim técnico indicando a temperatura do ponto de entupimento como 9o e depois descobrimos fazendo a análise do combustível que a temperatura real era outra, bem superior a informada”, conta.

Rosiane Correia de Freitas - BiodieselBR.com
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