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Petrobras procura oleaginosa ideal

A estatal encomendou um estudo com o objetivo de descobrir qual é a planta com maior potencial para fornecer óleo.
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A estatal encomendou um estudo com o objetivo de descobrir qual é a planta com maior potencial para fornecer óleo.

A Petrobras encomendou um estudo de R$ 200 mil para identificar quais espécies de oleaginosas possuem maior potencial de produção de biocombustível e que melhor se adaptarão às condições de cultivo de Pernambuco. Vão ser analisadas desde as exigências climáticas até a necessidade de assistência técnica, definição de calendário de plantio e tecnologia para o pequeno produtor. O interesse da estatal está em encontrar a espécie ideal para fornecer o óleo.

Em seu primeiro relatório, o grupo – formado por pesquisadores e técnicos da Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária (IPA), Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Embrapa – ratificou a mamona e apontou o algodão como as duas espécies mais viáveis economicamente para serem cultivadas em Pernambuco. A primeira já foi alardeada como a salvação do agricultor familiar pernambucano, na época do lançamento do Programa Nacional de Biodiesel. No entanto, sua produção ainda caminha a passos lentos no Estado.

“Se criou muito otimismo em torno da mamona, mas esqueceram que a monocultura não é viável para o agricultor familiar. Daí o motivo para o modelo não ter andado na velocidade esperada”, comenta o presidente do IPA, Júlio Zoé de Brito. O coordenador do estudo encomendado pela Petrobras, o professor da UFPE João Policarpo, acrescenta que através de experimentos em laboratório sabe-se que o potencial da mamona é bem maior e concorda que as condições de produção da oleaginosa em Pernambuco não são as adequadas. “O retorno por hectare é muito pequeno. Porém, através de um programa de processamento direto das sementes, seria possível estimular uma maior participação dos agricultores”, explica.

As esperanças recaem agora no algodão. No final do ano passado, o IPA fechou um acordo com a Embrapa, que repassou 100 toneladas de semente de algodão do tipo herbáceo para serem distribuídas entre os agricultores familiares do Estado. A aposta do órgão estadual na espécie se justifica pelo know-how em seu cultivo (Pernambuco já ocupou lugar de destaque na produção de algodão até a década de 70, quando a lavoura do Estado foi destruída pela praga do bicudo) e pelas opções de subproduto que a espécie disponibiliza. Enquanto a semente pode ser explorada para fins bioenergéticos, a pluma pode ser vendida para a indústria têxtil e a torta – resultado da prensa dos caroços – é fonte de proteína e pode ser utilizada na alimentação de animais produtores de leite.

Zoé de Brito continua a defender o cultivo de espécies arbóreas e perenes para o Semi-Árido, como o pinhão-manso e a oiticica. Porém, os estudos de viabilidade dessas plantas ainda são iniciais. Já o dendê, que produz de cinco a sete litros de óleo por hectare, é de difícil cultivo em Pernambuco, pois necessita de áreas com grande umidade. Para viabilizar a cultura, segundo explica o professor João Policarpo, seria necessário montar toda uma estrutura de irrigação complementar em terras da Zona da Mata.

Felipe Lima
Jornal do Commercio - PE

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