A briga entre a Vale e a Petrobras prossegue. O presidente da BR
Distribuidora, José Eduardo Dutra disse que nunca houve
contrato com a Vale para fornecer o B20
A briga entre a Vale e a Petrobras prossegue. O presidente da BR Distribuidora, José Eduardo Dutra, me ligou e disse que nunca houve contrato com a Vale para fornecer o B20 (a mistura de 20% de biodiesel no diesel de petróleo). Ontem, contei aqui que a Petrobras tinha suspendido um contrato de fornecimento dessa mistura de biodiesel, que já estava sendo usada nas locomotivas da Vale, dentro do projeto da empresa de reduzir as emissões de carbono.
Segundo Dutra, o contrato que foi assinado entre as duas empresas é o que torna a BR fornecedora exclusiva de combustível em geral para a Vale.
- Esse contrato é que tem o valor de R$ 11 bilhões. Sobre biocombustível, o que houve foi uma reunião entre as duas empresas em que ficou acertado o fornecimento experimental de B20 para a Vale para algumas locomotivas, e até dezembro de 2007 - afirmou o presidente da BR Distribuidora.
Dutra está certo quanto ao valor. De fato, R$ 11 bilhões é o valor do contrato geral de venda de combustível, mas, quanto ao resto, a confusão continua. A Vale, ouvida ontem, disse que o fornecimento do diesel com mistura de 20% de biodiesel é parte desse acordo global de fornecimento de combustível.
- O fornecimento de B20 não era experimental, estava incluído no contrato geral de combustível, tanto que hoje nós temos 500 locomotivas que foram preparadas para usar o B20, e nossa intenção era ter a frota inteira rodando com a mistura - disse Tito Martins, diretor de Assuntos Corporativos e de Energia da Vale.
Tito Martins argumenta que, se fosse apenas "uma experiência", não haveria a preparação de 500 locomotivas, e a então presidente da BR Distribuidora, Maria das Graças Foster, não teria ido à Vale para anunciar isso.
Nesse ponto, da ida ou não da então presidente à BR, as duas empresas também não se entendem.
- A Graça foi à Vale apenas no fim de dezembro de 2006 assinar o contrato geral de combustíveis - garante Dutra.
A Vale assegura que a então presidente da BR esteve lá novamente em maio de 2007, quando foi divulgado um release conjunto sobre o fornecimento de B20, e que lá ela declarou à imprensa que o fornecimento de B20 fazia parte do contrato geral de combustíveis. Os jornais da época falam que ela esteve na Vale, onde foi distribuído um release com informações sobre o fornecimento de B20. O texto fala em "parceria" e "acordo", mas não na palavra "contrato". Na entrevista concedida, no entanto, Maria das Graças Foster diz que o B20 estava "dentro" do contrato.
- Entendo que houve um rompimento de contrato - afirma Tito Martins.
Miriam Leitão
O Globo
Com Débora Thomé
A briga entre a Vale e a Petrobras prossegue. O presidente da BR Distribuidora, José Eduardo Dutra, me ligou e disse que nunca houve contrato com a Vale para fornecer o B20 (a mistura de 20% de biodiesel no diesel de petróleo). Ontem, contei aqui que a Petrobras tinha suspendido um contrato de fornecimento dessa mistura de biodiesel, que já estava sendo usada nas locomotivas da Vale, dentro do projeto da empresa de reduzir as emissões de carbono.
Segundo Dutra, o contrato que foi assinado entre as duas empresas é o que torna a BR fornecedora exclusiva de combustível em geral para a Vale.
- Esse contrato é que tem o valor de R$ 11 bilhões. Sobre biocombustível, o que houve foi uma reunião entre as duas empresas em que ficou acertado o fornecimento experimental de B20 para a Vale para algumas locomotivas, e até dezembro de 2007 - afirmou o presidente da BR Distribuidora.
Dutra está certo quanto ao valor. De fato, R$ 11 bilhões é o valor do contrato geral de venda de combustível, mas, quanto ao resto, a confusão continua. A Vale, ouvida ontem, disse que o fornecimento do diesel com mistura de 20% de biodiesel é parte desse acordo global de fornecimento de combustível.
- O fornecimento de B20 não era experimental, estava incluído no contrato geral de combustível, tanto que hoje nós temos 500 locomotivas que foram preparadas para usar o B20, e nossa intenção era ter a frota inteira rodando com a mistura - disse Tito Martins, diretor de Assuntos Corporativos e de Energia da Vale.
Tito Martins argumenta que, se fosse apenas "uma experiência", não haveria a preparação de 500 locomotivas, e a então presidente da BR Distribuidora, Maria das Graças Foster, não teria ido à Vale para anunciar isso.
Nesse ponto, da ida ou não da então presidente à BR, as duas empresas também não se entendem.
- A Graça foi à Vale apenas no fim de dezembro de 2006 assinar o contrato geral de combustíveis - garante Dutra.
A Vale assegura que a então presidente da BR esteve lá novamente em maio de 2007, quando foi divulgado um release conjunto sobre o fornecimento de B20, e que lá ela declarou à imprensa que o fornecimento de B20 fazia parte do contrato geral de combustíveis. Os jornais da época falam que ela esteve na Vale, onde foi distribuído um release com informações sobre o fornecimento de B20. O texto fala em "parceria" e "acordo", mas não na palavra "contrato". Na entrevista concedida, no entanto, Maria das Graças Foster diz que o B20 estava "dentro" do contrato.
- Entendo que houve um rompimento de contrato - afirma Tito Martins.
Miriam Leitão
O Globo
Com Débora Thomé