Enquanto o início da cadeia não se desenvolve no Estado, os
consumidores sentem o reflexo do aumento do produto nas bombas de
combustível.
Desde 1° de janeiro deste ano, todos os postos de combustível do Brasil tiveram que substituir o óleo diesel de petróleo pelo B2 - combustível composto por 2% de biodiesel puro (B100) e 98% de diesel de petróleo. Quando o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel do Governo Federal foi concebido, a idéia era a inclusão social de pequenos e médios produtores. Em Pernambuco, porém, o projeto ainda não atendeu ao seu objetivo, pois a produção de matérias-primas para a fabricação de biodiesel é insignificante para abastecer o mercado. Enquanto o início da cadeia não se desenvolve no Estado, os consumidores sentem o reflexo do aumento do produto nas bombas de combustível.
Segundo o relatório da Agência Nacional de Petróleo (ANP), em dezembro passado, um mês antes de entrar em vigor a obrigatoriedade da adição, os consumidores pagavam, em média, R$ 1,836 em Pernambuco. Em fevereiro, as bombas já marcavam R$ 1,848, um incremento de R$ 0,012. Considerando um gasto médio de 200 litros de combustível por mês, o desembolso a mais pelo combustível foi de R$ 2,40. Para as distribuidoras, o preço subiu em dezembro de R$ 1,696 para R$ 1,710 em fevereiro.
"Quanto ao preço, de forma geral, houve um pequeno aumento porque o B100 está um pouco mais caro. Para as distribuidoras, o valor do biodiesel começa a incomodar um pouco. Como temos uma margem muito pequena nesse combustível, não conseguimos absorver o impacto e tivemos que repassar para os revendedores", justificou o presidente da distribuidora Ello-Puma, Delfim Oliveira. O frete das cargas também deverá encarecer. E como o transporte rodoviário representa mais de 50% da distribuição da produção no País, provavelmente aumentarão os custos de logística das empresas, as quais repassarão para os produtos.
A partir de 2012, a legislação vai estabelecer a adição de 5% de biodiesel puro. "Pelo que escuto, o processo deverá acontecer gradativamente, antes mesmo do que estamos pensando. Fala-se de passarmos para o B3, B4 e, finalmente, o B5", advertiu Oliveira, que é especialista no assunto e participa das reuniões com a ANP. A situação pode ficar mais complicada no segundo semestre, quando a Petrobras deixará de centralizar a compra do B100. As distribuidoras comprarão diretamente do produtor. "Vamos aguardar o mercado, que vai ditar o preço", disse Oliveira.
Pernambuco, atualmente, possui uma pequena produção de algodão, porque a lavoura foi destruída por causa da praga do Bicudo. Por isso, toda matéria-prima (óleos de algodão e de mamona) é importada da Bahia. De acordo com o pesquisador do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), James Melo, a compra do óleo de algodão está inviável. O Centro detém três das quatro fábricas do Estado.
"O litro do óleo de algodão está entre R$ 1,80 e R$ 2,10, o que torna impraticável para nós. No fim de 2006, comprávamos por R$ 0,70 a R$ 0,80. Já, em 2007, o valor subiu para R$ 1,20 a R$ 1,30", disse Melo. Um das justificativas para o elevado preço é que o algodão está na entressafra até junho deste ano. "Deveríamos ter estoque para evitar o problema. Mas o ideal é que a agricultura pernambucana avance para não ficarmos dependentes da Bahia", avaliou o pesquisador.
De acordo com o agrônomo Júlio Zóe, o processo está caminhando, porém precisa de um tempo. "O processo do biodiesel está começando. As coisas não acontecem da noite para o dia. O IPA está pesquisando a fabricação de óleos vegetais de oiticica e da mamona. Porém, a resposta só chegará daqui a oito, dez anos", disse Zóe.
A fábrica piloto, localizada em Caetés, produz dois mil litros de biodiesel por dia. Já as unidades de Pesqueira e de Serra Talhada ainda não entraram em funcionamento. A primeira está em fase de teste, enquanto que a segunda terá sua estrutura física ainda construída. A outra fábrica, em São José do Egito, pertence ao grupo Serrote Redondo, que produz para o consumo próprio.
Kele Gualberto
Folha de Pernambuco
Desde 1° de janeiro deste ano, todos os postos de combustível do Brasil tiveram que substituir o óleo diesel de petróleo pelo B2 - combustível composto por 2% de biodiesel puro (B100) e 98% de diesel de petróleo. Quando o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel do Governo Federal foi concebido, a idéia era a inclusão social de pequenos e médios produtores. Em Pernambuco, porém, o projeto ainda não atendeu ao seu objetivo, pois a produção de matérias-primas para a fabricação de biodiesel é insignificante para abastecer o mercado. Enquanto o início da cadeia não se desenvolve no Estado, os consumidores sentem o reflexo do aumento do produto nas bombas de combustível.
Segundo o relatório da Agência Nacional de Petróleo (ANP), em dezembro passado, um mês antes de entrar em vigor a obrigatoriedade da adição, os consumidores pagavam, em média, R$ 1,836 em Pernambuco. Em fevereiro, as bombas já marcavam R$ 1,848, um incremento de R$ 0,012. Considerando um gasto médio de 200 litros de combustível por mês, o desembolso a mais pelo combustível foi de R$ 2,40. Para as distribuidoras, o preço subiu em dezembro de R$ 1,696 para R$ 1,710 em fevereiro.
"Quanto ao preço, de forma geral, houve um pequeno aumento porque o B100 está um pouco mais caro. Para as distribuidoras, o valor do biodiesel começa a incomodar um pouco. Como temos uma margem muito pequena nesse combustível, não conseguimos absorver o impacto e tivemos que repassar para os revendedores", justificou o presidente da distribuidora Ello-Puma, Delfim Oliveira. O frete das cargas também deverá encarecer. E como o transporte rodoviário representa mais de 50% da distribuição da produção no País, provavelmente aumentarão os custos de logística das empresas, as quais repassarão para os produtos.
A partir de 2012, a legislação vai estabelecer a adição de 5% de biodiesel puro. "Pelo que escuto, o processo deverá acontecer gradativamente, antes mesmo do que estamos pensando. Fala-se de passarmos para o B3, B4 e, finalmente, o B5", advertiu Oliveira, que é especialista no assunto e participa das reuniões com a ANP. A situação pode ficar mais complicada no segundo semestre, quando a Petrobras deixará de centralizar a compra do B100. As distribuidoras comprarão diretamente do produtor. "Vamos aguardar o mercado, que vai ditar o preço", disse Oliveira.
Preço do óleo dificulta produção local
A emissão de biodiesel é salutar para o meio ambiente, pois dissemina menos enxofre. Além disso, quando comparado com o óleo diesel derivado de petróleo, o biodiesel puro reduz em até 78% as emissões de gás carbônico (CO2). Entretanto, o Governo Federal, junto com o estadual, precisa dar apoio técnico e financeiro para os pequenos produtores. De acordo com o presidente da Empresa Pernambucana de Pesquisa Agropecuária (IPA), Júlio Zóe, neste ano, foram disponibilizados cem mil quilos de sementes de algodão para a produção em dez mil hectares, nas regiões do Araripe, Pajeú e Agreste.Pernambuco, atualmente, possui uma pequena produção de algodão, porque a lavoura foi destruída por causa da praga do Bicudo. Por isso, toda matéria-prima (óleos de algodão e de mamona) é importada da Bahia. De acordo com o pesquisador do Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), James Melo, a compra do óleo de algodão está inviável. O Centro detém três das quatro fábricas do Estado.
"O litro do óleo de algodão está entre R$ 1,80 e R$ 2,10, o que torna impraticável para nós. No fim de 2006, comprávamos por R$ 0,70 a R$ 0,80. Já, em 2007, o valor subiu para R$ 1,20 a R$ 1,30", disse Melo. Um das justificativas para o elevado preço é que o algodão está na entressafra até junho deste ano. "Deveríamos ter estoque para evitar o problema. Mas o ideal é que a agricultura pernambucana avance para não ficarmos dependentes da Bahia", avaliou o pesquisador.
De acordo com o agrônomo Júlio Zóe, o processo está caminhando, porém precisa de um tempo. "O processo do biodiesel está começando. As coisas não acontecem da noite para o dia. O IPA está pesquisando a fabricação de óleos vegetais de oiticica e da mamona. Porém, a resposta só chegará daqui a oito, dez anos", disse Zóe.
A fábrica piloto, localizada em Caetés, produz dois mil litros de biodiesel por dia. Já as unidades de Pesqueira e de Serra Talhada ainda não entraram em funcionamento. A primeira está em fase de teste, enquanto que a segunda terá sua estrutura física ainda construída. A outra fábrica, em São José do Egito, pertence ao grupo Serrote Redondo, que produz para o consumo próprio.
Kele Gualberto
Folha de Pernambuco