BiodieselBR
Publicidade

Jatropha é o centro das atenções na Flórida

Na Flórida está sendo iniciado um projeto de três anos para implantação e coleta de dados sobre pinhão-manso, visando avaliar as condições de cultivo dessa planta tropical em áreas subtropicais.
BiodieselBR.com 6 min de leitura
Na Flórida está sendo iniciado um projeto de três anos para implantação e coleta de dados sobre pinhão-manso, visando avaliar as condições de cultivo dessa planta tropical em áreas subtropicais.

O óleo de Jatropha vem atraindo mais atenção à medida que os preços de outros óleos para biodiesel, como o da soja, da palma e da canola, sobem cada vez mais.

“No ano passado, um litro de óleo de soja custava US$ 1,50 o galão (R$ 0,65 o litro) e ninguém estava olhando para nós. Agora dobrou de preço, e todos estão olhando” para o pinhão-manso (Jatropha curcas) como fonte de biodiesel para o futuro, disse Paul Dalton, advogado de Washington envolvido com o cultivo da planta na Flórida, Índia e no resto do mundo.

Dalton, CEO da My Dream Fuel LLC, plantou milhares de mudas de pinhão-manso de variedades especialmente selecionadas e clonadas para comercialização em cinco hectares no sul da Flórida. No ano passado, ele vendeu as 12 mil mudas que produziu em quatro dias.

Neste ano, a partir de 15 de maio, as mudas serão destinadas a citricultores buscando substituir pomares atingidos por doenças ou visando à manutenção de isenções fiscais.

“Não é uma opção de enriquecimento rápido de forma alguma”, disse Dalton. “São cinco anos até elas começarem a produzir em toda sua capacidade. Em dois anos, elas já começam a dar dinheiro, o que é muito menos tempo que o citros.”

“Qualquer usineiro de biodiesel irá comprar a produção num piscar de olhos. Com os preços atuais, o investidor vai conseguir mais de R$ 8 mil por hectare.”

Planta é usada em todo o mundo
O biodiesel usado em motores diesel vem de fontes naturais, como óleos vegetais e gorduras animais. Ele pode ser utilizado puro ou misturado ao diesel de petróleo.

O pinhão-manso é um arbusto venenoso já plantado em países como Índia, China e Brasil visando à produção de biodiesel. Seu caule possui uma casca lisa de cor acinzentada usada para fins medicinais. O fruto tem o tamanho de uma bola de golfe e contém três sementes tóxicas e não comestíveis, do tamanho de seixos, que podem ser esmagadas para gerar biodiesel.

“O pinhão-manso pode ser plantado em solos pobres e não requer cultivo intensivo, fertilização ou irrigação”, declara o técnico agrícola Roy Beckford.

Ingressando no ramo do pinhão-manso estão dois empresários do ramo de restauração e um do setor de importação de temperos, que este ano formaram a International Clean Energy LLC, sediada em Palm Beach Gardens, na Flórida.

Tim Gwinnell, 51, Chris Ambrose, e Edwin Cho, 52 acreditam que o óleo de pinhão-manso pode ajudar a solucionar o problema da crise de energia do país.

“O pinhão-manso é de grande interesse porque, entre todas as sementes para produção de biodiesel conhecidas, possui a maior quantidade de óleo”, diz Gwinnell. “Com os preços do diesel em alta, faz sentido. Não é possível plantar gasolina nem produzi-la quimicamente, mas pode-se plantar diesel.”

Com o auxílio de Art Kirstein, coordenador de desenvolvimento econômico agrícola da Palm Beach County Cooperative Extension Service, eles estão iniciando um projeto de três anos para implantação e coleta de dados sobre pinhão-manso, visando avaliar as condições de cultivo dessa planta tropical em áreas subtropicais. Eles também vão avaliar o teor de óleo das sementes. Eles estão trabalhando com dezenas de plantas provenientes de sementes importadas ou providas por Beckford, que vem realizando trabalhos semelhantes com o pinhão-manso há dois anos.

“Esta é apenas outra opção. Pesquisadores de biodiesel estão observando todos os tipos de alternativas”, disse Kirstein. “Sabemos que podemos plantar aqui na Flórida, e sabemos que a planta produz óleo. A questão é se é viável economicamente.”

Beckford, que tem agendada uma palestra na Jatropha World, conferência internacional a ser realizada em junho em Miami, disse que seu trabalho é deixar de lado a euforia em torno da planta e examinar seus atributos agronômicos. “Precisamos saber mais antes de tentar qualquer empreitada comercial”, afirmou.

Beckford está trabalhando com 1500 mudas doadas por Dalton, e afirma ter testemunhado o aumento de interesse pelo pinhão-manso, recebendo de 50 a 60 telefonemas a respeito do assunto toda semana.  Ele conhece pelo menos três citricultores planejando plantar lotes de quatro hectares na Flórida.

Wagner Vendrame, professor-adjunto do Centro de Educação e Pesquisa da Florida University, também adverte que é preciso mais pesquisa antes que os fazendeiros iniciem os cultivos de pinhão-manso no Estado.

“Algumas empresas estão declarando possuir sementes que produzem até 10 mil litros por hectare. Nós não sabemos qual será a produção real”, disse Vendrame, acrescentando que podem surgir problemas com doenças e pragas ainda não conhecidos.

Fornecimento de comida não será afetado
Um grande benefício do pinhão-manso é que trata-se de obter óleo de uma planta que, ao contrário do milho ou do açúcar, não é usada para alimentação, disse George Philippidis, diretor-associado do Centro de Pesquisas Aplicadas da Florida International University, em Miami.

As coisas estão evoluindo para o pinhão-manso em todo o mundo, especialmente nos países em desenvolvimento. Lá, o foco está na subsistência dos agricultores”, disse Philippidis. “Aqui, a idéia é produzir biodiesel para a Flórida.”

E há mercado para o produto.
Peggy Mathews, diretor de relações governamentais da Agri-Source, a única companhia de biodiesel que já vem produzindo combustível na Flórida, disse que a empresa provavelmente compraria óleo de pinhão-manso se houvesse produção disponível a um preço competitivo no Estado.

“Se o óleo tiver a qualidade que buscamos, não haveria quantidade suficiente dele enquanto fosse produzido com fins econômicos”, disse Mathews.  No momento a Agri-Source faz biodiesel a partir de subprodutos do frango.

No longo prazo, os parceiros da International Clean Energy contam com uma produção crescente de pinhão-manso para biodiesel na região.  Para começar, Gwinnell obteve um certificado de importação do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos que lhe dá permissão para importar sementes de 22 países.

“Nós vamos trazer diferentes sementes de diferentes lugares”, disse ele.

Ambrose disse estar “bastante entusiasmado com a questão do ar limpo”, o que o levou a ingressar na indústria de energia alternativa. “Decidi que o pinhão-manso era a maneira certa de seguir uma linha focada em negócios”, afirmou.

Já segundo Cho, quanto mais se aprende sobre o pinhão-manso, mais viável ele parece ser. “Não é complicado”, acrescentou.

Dalton, CEO da MyDreamFuel, planeja investir US$ 6,8 milhões numa estrutura para clonar plantas de pinhão-manso no Fort Myers State Farmers Market (espécie de feira agrícola local), em maio, e espera que em dois anos fazendeiros possam trazer suas sementes de pinhão-manso para serem esmagadas.

Philippidis acha que as perspectivas do cultivo de pinhão-manso para biocombustível no sul da Flórida são promissoras. “Acredito que temos todas as peças do quebra-cabeça para montá-lo”, disse ele. “E isso com certeza vai acontecer.”

SUSAN SALISBURY
Palm Beach Post

Tradução e adaptação: Fausto Tiemann - BiodieselBR.com
Compartilhar:

Artigos relacionados