BiodieselBR
Publicidade

Indústria de biodiesel na Alemanha não consegue crescer

Apesar da melhora na situação econômica da Alemanha a indústria de biodiesel têm sido incapaz de se beneficiar da retomada financeira da União Européia.
BiodieselBR.com 4 min de leitura
Apesar da melhora na situação econômica da Alemanha a indústria de biodiesel têm sido incapaz de se beneficiar da retomada financeira do bloco.

Apesar da melhora na situação econômica da Alemanha após a recente crise financeira, tanto a indústria de biodiesel no país como a do resto da União Européia têm sido incapazes de se beneficiar dessa retomada do bloco. A constatação é da União para a Promoção de Plantas Oleaginosas e de Proteína (Ufop, na sigla em alemão), que divulgou um relatório sobre a atual situação e as perspectivas dessa indústria no país.

No ano passado, mudanças na regulamentação fiscal, juntamente com o aumento no preço das matérias-primas resultaram no encolhimento do mercado de combustíveis limpos. A  queda nas vendas de combustíveis renováveis não pôde ser interrompida nem pelo aumento de 5% para 7% na mistura de biodiesel no diesel de petróleo, introduzida em fevereiro de 2009.

Na opinião da UFOP, a melhora da atividade econômica deverá aumentar as vendas de diesel ao longo deste ano – e provocar um tímido aumento associado do uso de biodiesel como aditivo (B7). A previsão é que o país consuma 2,87 bilhões de litros de biodiesel em 2010, contra 2,85 bilhões de litros no ano passado.

Apesar deste panorama, a Ufop mostra que a situação da indústria de biodiesel na Alemanha não tem melhorado. “Pelo contrário. O período de tempo abrangido por este relatório foi caracterizado por um nível inesperado de consolidação na indústria”, afirma o documento. O sintoma dessa consolidação forçada foi que várias empresas passaram por reestruturação financeira, reorganização em novas estruturas corporativas ou pediram falência. Somado a isso está a ociosidade da indústria, que beira os 50%. A capacidade produtiva alemã é de 5,63 bilhões de litros. 

Perspectivas
No início deste ano a Ufop participou ativamente das discussões em torno da alteração na legislação tributária. A associação apresentou ao governo federal e ao Parlamento suas propostas de benefício fiscal para o setor.  Em discussão estava a redução na taxa dos biocombustíveis para 10 centavos de euro por litro. O setor não conseguiu tamanho benefício – os impostos sobre o biodiesel e o óleo vegetal como combustível ficaram em 18 centavos por litro (para o período entre 2010 e 2013) –, mas mesmo assim o resultado foi considerado um sucesso pela entidade, principalmente porque o debate ocorreu em meio a crise financeira.

A Comissão Européia iniciou recentemente uma renovação nas orientações fiscais para o setor energético. O objetivo é criar incentivos para a redução de CO2 nos setores privados. Se o balanço das emissões de gases causadores do efeito estufa (GEE) for usado como diferenciação fiscal, o setor de biocombustíveis poderá desfrutar de uma situação melhor. “Contudo, qualquer alteração nos impostos sobre a energia será sem dúvida um processo longo e difícil, uma vez que as nações-membro só podem aprovar por unanimidade tal resolução”, diz o relatório.

A introdução das cotas de redução dos GEE dos combustíveis pode resultar em uma melhor utilização da capacidade produtiva da indústria de biodiesel no país. A exigência para diminuir as emissões será antecipada para 2013, e será fixada em 4,5%. Depois a redução será aumentada em 0,5% ao ano até chegar aos 8% em 2020. A indústria também se anima com a determinação da União Européia de usar pelo menos 10% de energia renovável no setor de transportes até 2020. Segundo a Ufop, este objetivo só pode ser alcançado pelo uso de biocombustíveis de primeira geração, como biodiesel e bioetanol.

Alice Duarte – BiodieselBR.com
Compartilhar:

Artigos relacionados