Apesar dos avanços, ainda falta convencer o agricultor a
apostar no cultivo de plantas oleaginosas e, mais importante, definir qual a cultura que melhor se adaptaria à
realidade de produção local.
Apesar dos avanços, ainda falta convencer o agricultor a
apostar no cultivo de plantas oleaginosas e, mais importante, definir qual a cultura que melhor se adaptaria à
realidade de produção local.
Pernambuco deu um salto na produção de biodiesel desde fevereiro do ano passado. Na ocasião, foi inaugurada a primeira unidade industrial do biocombustível, no município de Caetés (Agreste), que hoje produz 50 mil litros por mês e há outras duas plantas industriais (Pesqueira e Serra Talhada) em fase de execução de projetos, todas bancadas por parcerias governamentais. Uma quarta unidade está sendo erguida pela iniciativa privada em São José do Egito (Sertão), mostrando que o projeto desperta o interesse de investidores. Apesar dos avanços, ainda falta convencer o agricultor a apostar no cultivo de plantas oleaginosas – matéria-prima do biodiesel – e, mais importante, definir qual a cultura que melhor se adaptaria à realidade de produção local.
O Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) prometeu 10 mil hectares de plantio de algodão inicialmente, mas não conseguiu chegar a 5 mil, mesmo distribuindo 100 toneladas de sementes doadas pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, plantadas no Araripe, Pajeú e Agreste, que ainda não deram frutos. O presidente do IPA, Júlio Zoé, tem suas dúvidas sobre a viabilidade da planta.
“O Estado já teve tradição neste cultivo, mas problemas com pragas como o bicudo e grande variação de preços afastaram o produtor e o deixam com o pé atrás para tentar novamente”, disse. Ele reconhece a versatilidade do algodoeiro, que além do óleo fornece fibra para tecidos e proteínas para ração animal. “A mamona também pode ser expandida, mas temos de pensar na sustentabilidade. Temos de oferecer para o agricultor espécies perenes. Penso que o algodão não é o ideal, porque bastam duas secas seguidas para acabar com a produção. Temos de pesquisar outros tipos de oleaginosas, para não ficarmos reféns da soja.”
Atualmente os postos são obrigados a vender o diesel com uma mistura de 2% de biodiesel, e em julho o percentual passará para 3%. “No Brasil, 90% do biodiesel produzido vem da soja, os 10% são de outras plantas como algodão e mamona”, informou o coordenador da Usina Experimental de Biodiesel de Caetés, James Melo. A unidade é mantida pelo Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), ligado ao Ministério da Ciência e Meio Ambiente. Por sinal, os 50 mil litros do combustível produzidos na usina são oriundos do algodão plantado na Bahia.
O maior percentual de mistura vai gerar uma demanda adicional de 420 milhões de litros de biodiesel, aumentando o consumo para 1,26 bilhão de litros, segundo o Comitê Nacional de Política Energética (CNPE), o que gera preocupação com relação à capacidade de produção. Apesar do grande mercado, poucos agricultores estão atentos às oportunidades.
“Em 2003, participamos de um trabalho de reintrodução da mamona, mas hoje acredito que somos os únicos a cultivá-la, pelo menos no Agreste. O óleo da mamona é uma commodity valorizada no exterior (US$ 1,6 mil por tonelada) para produção de nylon, espuma e cosméticos. No Brasil, a remuneração é boa, paga-se R$ 1,20 pelo quilo da baga, mas os outros produtores têm medo dos prejuízos do passado”, afirma o agrônomo Antônio Carlos Bartolomeu Júnior, que mantém 40 hectares, de sua propriedade de 100, para produção de 40 toneladas de sementes de mamona, que são comercializadas para a Petrobras. Estatal paga R$ 3 por quilo.
“Hoje há incentivo para a indústria de biocombustível, mas não existe para o produtor. No início do etanol, o pró-álcool estimulou a produção e depois a cadeia passou a andar com suas próprias pernas. É disso que precisamos hoje”, opinou Bartolomeu Júnior.
Leonardo Spinelli
Jornal do Commercio - PE
Pernambuco deu um salto na produção de biodiesel desde fevereiro do ano passado. Na ocasião, foi inaugurada a primeira unidade industrial do biocombustível, no município de Caetés (Agreste), que hoje produz 50 mil litros por mês e há outras duas plantas industriais (Pesqueira e Serra Talhada) em fase de execução de projetos, todas bancadas por parcerias governamentais. Uma quarta unidade está sendo erguida pela iniciativa privada em São José do Egito (Sertão), mostrando que o projeto desperta o interesse de investidores. Apesar dos avanços, ainda falta convencer o agricultor a apostar no cultivo de plantas oleaginosas – matéria-prima do biodiesel – e, mais importante, definir qual a cultura que melhor se adaptaria à realidade de produção local.
O Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA) prometeu 10 mil hectares de plantio de algodão inicialmente, mas não conseguiu chegar a 5 mil, mesmo distribuindo 100 toneladas de sementes doadas pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, plantadas no Araripe, Pajeú e Agreste, que ainda não deram frutos. O presidente do IPA, Júlio Zoé, tem suas dúvidas sobre a viabilidade da planta.
“O Estado já teve tradição neste cultivo, mas problemas com pragas como o bicudo e grande variação de preços afastaram o produtor e o deixam com o pé atrás para tentar novamente”, disse. Ele reconhece a versatilidade do algodoeiro, que além do óleo fornece fibra para tecidos e proteínas para ração animal. “A mamona também pode ser expandida, mas temos de pensar na sustentabilidade. Temos de oferecer para o agricultor espécies perenes. Penso que o algodão não é o ideal, porque bastam duas secas seguidas para acabar com a produção. Temos de pesquisar outros tipos de oleaginosas, para não ficarmos reféns da soja.”
"Em 2003, participamos de um trabalho de reintrodução da mamona, mas hoje acredito que somos os únicos a cultivá-la, pelo menos no Agreste."
Atualmente os postos são obrigados a vender o diesel com uma mistura de 2% de biodiesel, e em julho o percentual passará para 3%. “No Brasil, 90% do biodiesel produzido vem da soja, os 10% são de outras plantas como algodão e mamona”, informou o coordenador da Usina Experimental de Biodiesel de Caetés, James Melo. A unidade é mantida pelo Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (Cetene), ligado ao Ministério da Ciência e Meio Ambiente. Por sinal, os 50 mil litros do combustível produzidos na usina são oriundos do algodão plantado na Bahia.
O maior percentual de mistura vai gerar uma demanda adicional de 420 milhões de litros de biodiesel, aumentando o consumo para 1,26 bilhão de litros, segundo o Comitê Nacional de Política Energética (CNPE), o que gera preocupação com relação à capacidade de produção. Apesar do grande mercado, poucos agricultores estão atentos às oportunidades.
“Em 2003, participamos de um trabalho de reintrodução da mamona, mas hoje acredito que somos os únicos a cultivá-la, pelo menos no Agreste. O óleo da mamona é uma commodity valorizada no exterior (US$ 1,6 mil por tonelada) para produção de nylon, espuma e cosméticos. No Brasil, a remuneração é boa, paga-se R$ 1,20 pelo quilo da baga, mas os outros produtores têm medo dos prejuízos do passado”, afirma o agrônomo Antônio Carlos Bartolomeu Júnior, que mantém 40 hectares, de sua propriedade de 100, para produção de 40 toneladas de sementes de mamona, que são comercializadas para a Petrobras. Estatal paga R$ 3 por quilo.
“Hoje há incentivo para a indústria de biocombustível, mas não existe para o produtor. No início do etanol, o pró-álcool estimulou a produção e depois a cadeia passou a andar com suas próprias pernas. É disso que precisamos hoje”, opinou Bartolomeu Júnior.
Leonardo Spinelli
Jornal do Commercio - PE